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os dias e as horas - blog do alberto guzik


é de manhã

"é de manhã / é de madrugada / é de manhã / vou ver minha amada / é de manhã / vou ver minha flor...", cantava caetano veloso. a madrugada acabou faz pouquinho. é de manhã. mas não vou ver minha amada, minha flor. prosaico e artístico, vou cair na estrada pra debater nexos entre literatura e artes cênicas lá na unicamp. good morning a todos. hasta. fui...

Escrito por alberto guzik às 06h33
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mais um teatro morre

a simpática salinha do teatro crowne plaza fecha as portas no dia 28. o prédio foi vendido, o hotel deixará de funcionar ali. e os novos ocupantes, vindos do judiciário, não manterão o espaço teatral. a valente sala prestou bons serviços à cena paulistana por mais de 20 anos, acho. foi lá que vi pela primeira vez um trabalho de antônio nobrega dirigido por romero de andrade lima, foi lá que vi esther góes encarnar virginia woolf, foi lá que vi um monte de atores jovens iniciando carreiras vibrantes. muitos espetáculos experimentais de qualidade foram lançados no auditorinho da frei caneca, quase na esquina com a paulista. é uma sala que fará falta. que notícia triste!



Escrito por alberto guzik às 17h01
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Das "Socráticas" de Zé Paulo Paes

"Opção"

"Seja para uma platéia de muitos / ou de um só espectador / aos atores incumbe representar / seus respectivos papéis / até o fim da peça.

Nisso diferem dos suicidas / que sem a menor cerimônia / voltam as costas ao respeitável público / e saem de cena / quando bem entendem."



Escrito por alberto guzik às 16h50
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Vida corrida

Viagem a Campinas amanhã, para uma mesa redonda, logo cedo. Terei de cair da cama. E repito a dose na sexta. Viajo a Belo Horizonte para encontrar a companhia. Me aguardam lá três dias intensos de oficinas e espetáculos. Entre uma coisa e outra, um monte de aulas, avaliação de trabalhos, atribuição de notas. Dias corridos, cheios de trabalho. Melhor assim.

Escrito por alberto guzik às 16h45
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Alegre

Foi lindo sair de "Divinas" ontem e ver a "Noiva" no telão armado lá no mezanino do Satyros 2, com boa parte do elenco, muita gente da equipe técnica, o Rodolfo, o Ivam, a Cléo. O Gero estava lá, mas não consegui falar com ele. Saí rápido, quando terminou. Eu estava muito cansado, e tinha (estou tendo) um monte de trabalho na manhã desta segunda. O roteiro da "Noiva" foi muito cortado, por conta da duração breve demais do programa. Apesar dos cortes, acaba que a forte história é bem narrada. Boas atuações, boas locações. Ótima direção do Rodolfo. E a Cultura superando (alguns) limites técnicos. Voltei pra casa feliz, e isso que temperou um pouco a tristeza pelo fim de "Divinas".

Escrito por alberto guzik às 09h29
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Triste

Terminou a temporada de "Divinas Palavras". Sempre fica um luto dentro. Pelo personagem que é preciso abandonar.  E pelo fato de não se saber se algum dia voltaremos a encontrá-lo. Há um vazio na alma no dia seguinte ao fim de temporadas. Enfim... good night, Pedro Gailo. Evoé!

Escrito por alberto guzik às 09h21
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mandante

até hoje não sei o que dizer sobre a absolvição do fazendeiro mandante do assassinato da freira americana, lá no pará. ou melhor, sei o que dizer, mas me falta o ânimo. tem momentos na vida em que a gente perde o ânimo. há dias que estou para postar estas palavras, mas até elas me faltavam. fica só uma vasta perplexidade. aff!

Escrito por alberto guzik às 17h39
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'vestido de noiva' na imensidão

semana que vem nós satyros vamos fazer "vestido de noiva" em belo horizonte. no palácio das artes. 1700 lugares. será um vestido de noiva solto na imensidão. grande desafio! mas a gente tá acostumado a encarar desafios. um deles foi o teatro do parque, no recife, nas últimas apresentações de "a vida na praça roosevelt". vamos lá. evoé!

Escrito por alberto guzik às 17h27
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the last one

é hoje meu último encontro com pedro gailo. me sinto triste. não gosto dele. é um fraco, um babaca, um vicioso. mas como gostei de fazer pedro! me apaixonei. é a sina do ator. quem fizer um vilão e não se apaixonar, nunca vai chegar perto do papel. e pedro gailo nem chega a ser um vilão. é apenas um canalha, casado com uma maluca e pai de uma filha mais doida que ele. eu construí pedro com muito carinho. e vou sentir uma tremenda saudade de vestir a pele dele e entrar em cena. aprendi muuuita coisa nesse mergulho. 

Escrito por alberto guzik às 16h45
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phedra sem blog

o blog da phedra saiu do ar. bem agora que ela ganhou um computador e pretendie retomar à blogagem a todo vapor. ela não sabe o que aconteceu com o blog. mas um blog só sai do ar se alguém o apaga. perguntei uma vez pro meu amigo moreno, que trabalha no uol, se um blog pode ser deletado pelo provedor por falta de uso. ele disse que não. então alguém deletou o blog da phedra. quem terá sido uma pessoa assim ruim? ou foi algum fã revoltado porque ela não escrevia nada no blog desde janeiro? mistérios...

Escrito por alberto guzik às 11h42
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Dia das Mães

Dia das Mães. Gosto da minha mãe. Mas não gosto do dia das mães. Como não gosto do dia dos pais, do índio, do teatro, da secretária, da mulher, do peão de rodeio, do gandula, do professor, do funcionário público... Sei lá. Não gosto desses dias. Nem um pouquinho. Comprei um presentinho pra minha mãe. E vou almoçar com ela. Pra comemorar o dia de que eu não gosto.

Escrito por alberto guzik às 11h33
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corinthians 3x2 crb

tou feliz. vai daí que deu coringão na abertura da série b. não conhecia o oponente nem vi o jogo. li que era um time fraco e em crise. mesmo assim leio agora na "folha on line" que o crb deu um susto no timão e empatou quando estava perdendo. o corinthians teve que suar a camisa pra ganhar. ainda bem que conseguiu. descubro que aqui no prédio tem um monte de corinthiano.

Escrito por alberto guzik às 18h46
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A crítica de "A Noiva" no Estadão

Salto de qualidade abre segunda fase de Direções

Com direção de Rodolfo García Vázquez e texto de Ivam Cabral, A Noiva será exibido amanhã, às 23 horas na TV Cultura, abrindo segunda série de teleteatros

por Beth Néspoli

História singela - uma menina do interior persegue o sonho de casar vestida de noiva - tratada com profundidade e delicadeza, com boas atuações e ângulos de câmera bem sacados. As muitas tomadas externas resultam em imagens não só bonitas como dramaticamente densas e expressivas. O teleteatro A Noiva, que vai o ar amanhã, às 23 horas, na TV Cultura, poderia ser exibido em qualquer rede de televisão nacional, em horário nobre, e tem potencial para agradar ao grande público. Mas só poderia ter sido criado na TV Cultura e por um motivo simples: é fruto de um projeto de risco - a série de teledramaturgia Direções, realizada em parceria com a TV Sesc.

Houvesse a obrigação de acertar - criar um produto ''de olho'' no ibope - e não teria ido ao ar a primeira fase da série, que reuniu, ano passado, 16 diretores teatrais da cidade. Eles criaram ficções de meia hora, exibidas com um making of, agora retirado, para aumentar a duração das histórias. Não houvesse a liberdade de experimentar, não se veria o evidente salto de qualidade no trabalho de Rodolfo García Vázquez, diretor do grupo Os Satyros, responsável pela criação de A Noiva, que tem texto de Ivam Cabral.

Vázquez havia participado da primeira fase com O Vento nas Janelas, que tinha a qualidade esperada por quem acompanha o trabalho da companhia. Desta vez, surpreende, a equipe se supera. Atriz dos Satyros, Cléo de Páris é a protagonista, ''a noiva'', e tem atuação introjetada, plenamente adequada à linguagem da televisão, em contracena com o experiente ator Gero Camilo. Norival Rizzo e Bárbara Bruno estão entre os atores ''convidados'' que se unem a outros do grupo, como Silvanah Santos.

Fruto da parceria entre a Fundação Padre Anchieta e o Sesc São Paulo, Direções confirma a importância das TVs públicas não voltadas para o mercado. Na primeira fase, como seria de se esperar, o resultado apresentou altos e baixos. Em entrevistas ao Estado, a maioria dos criadores externou o desejo de, terminada a experiência, reiniciá-la imediatamente, para aprimorá-la a partir da instrumentalização adquirida.

Mais uma vez, Os Satyros abrem a segunda fase da série, da qual participam oito diretores selecionados da primeira. São eles: André Garolli, A Longa Viagem; Bete Dorgam, Uma Escada para a Lua; Débora Dubois, O Homem do Saco; Eduardo Tolentino, O Telescópio; Georgette Fadel, Vou-me; Maucir Campanholi, Crepúsculo, e Samir Yazbeck, O Fingidor.

Talvez nem todos alcancem o salto de qualidade de A Noiva. Não importa. Segundo Paulo Markun, presidente da Fundação Paulo Anchieta, o projeto ''se inspira no bom teatro, capaz de inovar, pesquisar e romper padrões''. Ruptura é é algo que surge de tempo em tempos e pede bases sólidas - adquiridas com aprimoramento constante. Só assim brota a renovação. Tomara que Direções não perca de vista seus objetivos iniciais, a liberdade de experimentar.

Fonte: O Estado de S.Paulo, 10 de maio de 2008.



Escrito por alberto guzik às 18h31
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a diva e o fã

e daí que hoje à tarde, ao sair da aula, deixando o shopping, encontro uma das divas da minha vida, marilena ansaldi. bailarina, atriz, pioneira nos territórios da dança/teatro, marilena deixou uma marca forte nas artes cênicas brasileiras antes de se retirar de cena, já vai pra quase vinte anos, se não me engano. a artista marilena, elegante, altiva, eu conheço desde a minha adolescência. e quando era um jovem professor, conheci-a de perto. ela estava casada com sábato magaldi numa época em que eu, por conta de meu trabalho na universidade de são paulo, convivi com bastante intimidade com o grande crítico. ela se separou de sábato e continuamos a nos ver, por conta de seu trabalho. e também porque, durante um período, ela morou no mesmo prédio do centro em que reside minha mãe. daí marilena deixou o palco, escreveu livro, aposentou-se, retornou aos palcos nos últimos dois anos com duas montagens elogiadíssimas. é uma figura chique. hoje está de preto, um casacão de lã leve. cabelos em coque, rosto expressivo com muito pouca maquiagem e uma confortável convivência com as marcas da idade. ela traz na coleira sua cachorrinha, pequena, peluda, pelos escuros. não um poodle. marilena jamais teria um poodle. belinha, bebé para os intimos, exclama marilena, dramática, me apresenta a cachorrinha, que cheira os dedos que estendo pra ela. belinha vai comprar um presente para a mamãe, informa marilena. nos abraçamos, marilena e eu. eu digo que gosto muito dela. e ela diz: 'ah, que saudade das nossas vidas!" entendo perfeitamente o que ela expressa. também sinto saudades das nossas vidas. o presente está ótimo, cheio de atividades, de sofrimentos, de criação, de realizações. mas que saudade daquele momento e que o futuro ainda não tinha chegado e tanta coisa havia ainda por acontecer! beijo marilena. ela pergunta dos satyros, sabe do trabalho que estamos fazendo lá e o elogia. eu a convido pra ir ver a gente. gostaria que ela visse "vestido de noiva", com que voltamos ao cartaz no dia 4 de julho, no centro cultural são paulo. vou ver se consigo armar um esquema para levar minha querida dama ao teatro. de novo nos abraçamos e nos separamos. com a certeza de que o próximo encontro, sabe deus dentro de quantos meses, será igualmente carinhoso, gentil, terno. eis uma mulher de quem eu sou fã, marilena ansaldi!

Escrito por alberto guzik às 15h23
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Schopenhauer

"Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: apenas repetimos seu processo mental, do mesmo modo que um estudante, ao aprender a escrever, refaz com a pena os traços que seu professor fizera a lápis. Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar. É por isso que sentimos um alívio ao passarmos da ocupação com nossos próprios pensamentos para a leitura. No entanto, a nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta? Em conseqüência disso, quem lê muito e quase o dia todo, mas nos intervalos passa o tempo sem pensar nada, perde gradativamente a capacidade de pensar por si mesmo - como alguém que, de tanto cavalgar, acabasse desaprendendo a andar. Mas é este o caso de muitos eruditos: leram até ficarem burros."

Escrito por alberto guzik às 10h46
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