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os dias e as horas - blog do alberto guzik


Salva de palmas no debate

Agora cedo fiz a mediação de um debate nas Satyrianas, "O Dramaturgo, do Gabinete à Sala de Ensaios", sobre o papel do dramaturgo e da dramaturgia nestes dias em que o teatro de grupo e os processos colaborativos estão no centro da criação do fenômeno teatral. Fernando Bonassi, Rubens Rewald e Antônio Rocco, reunidos lá no bar dos Satyros 1, com um bom café da manhã à disposição dos participantes, falaram sobre a questão. Com inteligência e pertinência. Levantando muitas das questões cruciais do processo criativo hoje. Foi uma boa conversa. O espaço estava lotado, mas pena que não havia mais atores, mais diretores, para ouvirem as colocações dos três debatedores da questão. Uma ótima rodada de idéias tivemos lá. Ao fim, quando terminamos a conversa, eu, como mediador, pedi uma calorosa salva de palmas para Paulo Autran. E fiquei emocionado com o retorno. As pessoas todas que estavam lá levantaram-se e puseram-se a aplaudir com brilho nos olhos e emoção. Jovens e velhos, gente de teatro e espectadores comuns, todos homenageando a memória do maior ator brasileiro de seu tempo, um tempo que se estendeu ao longo de gloriosas seis décadas. Foi lindo ver isso. Lindo. Espero que essa salva de palmas a Paulo esteja hoje ecoando e se desdobrando em todos os cantos do Brasil. Ele não merecia menos que isso.

Escrito por alberto guzik às 12h01
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Não tive coragem

Combinei com Sérgio Roveri de ir ao velório de Paulo Autran ontem à noite, na Assembléia Legislativa. Depois, na hora de ir, perdi a coragem. Com uma pessoa da família internada em hospital, numa situação complicada. a perspectiva de enfrentar o velório desse ator que marcou minha vida, que eu conheci de perto, não como amigo íntimo, mas como admirador, crítico, jornalista, espectador, entrevistador, acabou por me derrubar. Não consegui ir ao velório. Covardia, sem dúvida. Então deixou aqui, de longe, meu tributo e minha saudade enorme!

Escrito por alberto guzik às 07h07
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Um minuto de silêncio. Por Paulo Autran

E daí que no meio das Satyrianas, em pleno Dia da Criança e de N.S. Aparecida, Paulo Autran foi embora. Escrevi bastante sobre ele neste blog, ainda quero escrever mais. Não agora. Estou emocionado e triste e abatido com essa perda. Mas sei que não é essa a atitude que ele aprovaria. Ele lidou com suas maiores perdas pintando a cara e entrando em cena. O teatro continua. As Satyrianas continuam. De luto, mas continuam. Em vez da homenagem ao Paulo, que seria amanhã às 21h, haverá um silêncio adequado e perfeito para homenagear esse homem que foi um modelo e um exemplo de coragem, de destemor, de paixão total e absoluta pelo teatro. Um homem de exemplar discrição, que viveu sua vida como uma pessoa pública absolutamente no controle de sua intimidade. Um ator de fronteiras amplas, que transitou de Shakespeare a Molière, de Sófocles a Marguerite Duras, com espaço aí para muitos vaudevilles, muitas obras de imensa popularidade. Um artista superlativo, ambicioso, um dos atores maiores da história do teatro brasileiro. Fica como um marco de excelência do seu tempo, assim como João Caetano, Dulcina, Procópio Ferreira, Cacilda Becker. Tive o prazer e o privilégio de conviver com Paulo, de ser recebido muitas vezes em sua casa, de recolher um depoimento autobiográfico seu em obra que ganhou o prêmio Jabuti de melhor livro-reportagem de 1999, e o maior de todos, a honra de ser testemunha de sua carreira durante quase cinquenta anos. Creio que a primeira vez que vi Paulo em cena foi em 1958, quando assisti ao seu "Otelo", em que contracenava com Tônia Carrero, sob direção de Adolfo Celi. A última vez em que o vi foi no início deste ano, janeiro ou fevereiro, quando assisti a sua derradeira produção, "O Avarento", de Molière. Assisti a muitas de suas 90 criações teatrais e fui arrebatado por ele em atuações absolutas. Nunca me esquecerei de seu Quentin, em "Depois da Queda", por exemplo, ou de seu Coriolano, ou de seu Harpagão, ou de seu pleno, luminoso Orgonte, criado aos 84 anos! Pra não falar de "My Fair Lady", de "O Homem de La Mancha", seus musicais, e das novelas poucas e ótimas. Inesquecíveis o Baldaracci (de Pai Herói?) e sua atuação impagável em "Sassaricando", unica vez em que bateu bola com Fernanda Montenegro. Fez filmes notáveis, mas poucos. O seu desempenho em "Terra em Transe", de Glauber Rocha é antológico. Mas foi o teatro o seu território por excelência. Era um ator moderno. Sempre foi. Econômico e preciso. Por isso mesmo, grande na tragédia tanto quanto na comédia. Uma vez ele me disse: "Já ouvi falarem que eu queria ser o Laurence Olivier do Brasil. Que bobagem. Eu quero ser o Paulo Autran do Brasil". E foi. Foi Paulo Autran do Brasil com maiúsculas, deixando um modelo a ser seguido. Perdemos um grande ator. Calam-se com ele as vozes de todos os personagens que intepretou. Ficam suas imagens, sua lembrança, a extrema dignidade que conferiu ao ofício do ator neste país. Seu velório será realizado esta noite, na Assembléia Legistalativa, e seu corpo será cremado amanhã, às 11h. Obrigado de coração por tudo, Paulo. "Boa noite, doce príncipe! Que revoadas de anjos embalem o teu sono!"

Escrito por alberto guzik às 18h32
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vaidade

Fiquei dias pensando se colocava este texto no blog ou não. Mas daí eu não resisti. Não costumo revelar minhas vaidades, e eu as tenho, claro, todo mundo tem. Mas assim como postei um dia aqui um coméntário do meu diretor, Rodolfo García Vazquez, sobre meu trabalho e minha nudez em "Inocência", não por vaidade, mas por querer partilhar com meus leitores as palavras que ele havia dirigido pra mim, posto aqui essa mensagem que recebi na quinta-feira. Foram palavras que me deixaram muito feliz, mas que acresceram em 500 % minha responsabilidade. Eis aí o que me foi enviado:

"Meu mais querido
Tenho que desabafar!
Nao que vc nao tenha sido um incrivel e maravilhoso critico atraves dessas decadas todas, alem do suporte que me deu, etc. MAS QUE PUTA ATOR MARAVILHOSO QUE VC EH

Porque eh que vc deixou de ser ator alguma vez nessa vida?
O que eh que de deu na cabeca homem?????
Vc eh simplesmente comovente! O teu olhar.....um simples olhar, a tua precisao....
nao quero dizer mais nada, senao que estou muitissimo HONRADO
so isso
LOVE
G"



Escrito por alberto guzik às 15h02
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Breves notas

As Satyrianas começaram a todo vapor. "A Breve Interrupção", que abriu o DramaMix, foi o máximo. Tenda lotada, gente saindo pelo ladrão! O público aplaudiu em pé e aos gritos o espetáculo do Thomas. Foi emocionante fazer esse trabalho. E "Cansei de Tomar Fanta", a peça que eu escrevi, também teve uma apresentação arrebatadora. A direção do Daniel Tavares foi linda. E Fábio Penna e Cléo de Páris, para quem escrevi os papéis, deram um show de sensibilidade, inteligência e bom humor. Daí vi a peça do Sérgio Roveri às 23h, "Feliz aniversário, Fabinho", um texto divertido e irônico, que teve direção do Ferrara e interpretações de Clara Carvalho, Rodrigo Frampton. Quando saí da praça, à meia-noite, exausto depois de um dia com 14 horas de tenso e intenso trabalho, a rua estava lotada de gente, havia filas nas portas dos teatros. As Satyrianas vivem e vicejam! Hoje volto à cena no DramaMix com "Laranjas Vermelhas", do Germano Pereira, às 21h.

Hoje meu dia começou complicado. Tive que correr pra um lugar não muito prazenteiro, o Hospital Albert Einstein. Longo e penoso trajeto é o que leva de minha casa até lá. Uma pessoa da família que amo muito está internada. Dolorido, isso. Faz parte da vida. E estranho esse contraste entre o arrebatamento e o estado de extase em que a arte nos precipita, especialmente durante um evento como as Satyrianas, e a angústia e a preocupação que a realidade injeta no nosso cotidiano. Como alguém observou alguma vez, no nosso passaporte de chegada à vida, em nenhuma página está especificado que ela seria tão prazenteira como um passeio de bicicleta no campo, num dia de verão. A vida é complicada e sofrida. Mas também nos faz exultar e encher o peito de ar, para agradecer pela dádiva da arte, presente que o homem fez a si mesmo. Daqui a pouco vou voltar para a Praça Roosevelt, para o tumulto vital e empolgante das Satyrianas. Evoé!



Escrito por alberto guzik às 07h47
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Satyrianas

Entrem no blog do Ivam e veja tudo sobre as Satyrianas. Vai ser lindo, muito lindo. As Satyrianas são a vida que continua e avança e se renova. Salve Ivam, salve Rodolfo, salve Satyros! Viva a festa do teatro. A partir desta tarde, na Praça Roosevelt e em um monte de lugares da cidade, 80 horas seguidas de programação cultural!

Escrito por alberto guzik às 08h22
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Hard day

Dia duro, difícil. Ensaios e ensaios até as 18h e a abertura do DramaMix com "A Breve Interrupção", que Gerald Thomas escreveu para mim e para Sérgio Coelho e para Edson Montenegro. E que fez questão de ele mesmo dirigir. Não é difícil perceber como me sinto honrado por esse encontro. Escrevi sobre isso nesses últimos dias todos. Mas hoje é a estréia. E além dos nervos à flor da pele causada pela pressão natural da coisa, e pela responsabilidade de abrir um evento das dimensões do DramaMix com um texto escrito e dirigido por Gerald, há o agravante de uma doença grave na família. Estou tenso como uma corda de violino. Mas não posso me dar ao luxo de rebentar. Há que suportar o concerto. Dionisos haverá de me ajudar.

Escrito por alberto guzik às 08h16
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Palhinha

Eis uma fala de meu personagem, AG, em "A Breve Interrupção", texto e direção de Gerald Thomas, que abre amanhã, às 18h, o DramaMix das Satyrianas 2007:

"Quieto! Em Ruanda não era diferente. Não havia churrascaria, só as de carne humana. Os métodos eram os do Terceiro Reich, mesmo. E enquanto eu estava na fila, sabendo que seria o próximo, sabendo que não prestaria pra mais nada, consegui escrever: 'Sai para o corredor forrado de tapetes persas e desce para o imenso saguão pelo elevador de metal dourado, operado por um belo rapaz moreno de uniforme verde-escuro. Eu devia estar sonhando com ele já... Ele... O meu..."



Escrito por alberto guzik às 17h14
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Não há como negar

Muitas coisas. As aulas, correção de trabalhos, hora de dar notas, a manutenção de Pedro Gailo vivo, pois que só voltaremos a ensaiar na próxima semana, depois das Satyrianas, as leituras de "Laranjas Vermelhas", a deliciosa comédia do Germano Pereira em que também vou atuar, a curiosidade sobre "Cansei de Tomar Fanta", a peça que eu escrevi e que o Daniel Tavares está dirigindo com a Cléo de Páris. Mas não há como negar. Estes meus últimos dias foram tomados pela figura de Gerald Thoms, pelos ensaios de A Breve Interrupção. É um privilégio trabalhar com um artista que tem esse grau de exigência e de precisão. Ver como "A Breve Interrupção" se transformou desde que começamos a trabalhar até agora, ou seja, em três ensaios, me enche de encanto. Como Gerald vai agregando elementos ao que cria. Um jornal, uma frase, uma reação, podem provocar uma alteração de texto, um novo desenho de cena. Estou adorando esse processo. Muito muito bom encontrar Gerald no palco a esta altura do meu campeonato e me sentir um ator capaz de dar conta, com todas as limitações que sei que tenho, do que esse diretor muito exigente requer de seus atores. E tem sido uma boa surpresa ver a entrega e  intensidade do Sérgio Coelho ao processo. Ele, um dos críticos em ação mais importantes do país, hoje, revela-se um ótimo ator. Acreditem em mim. Enfim, é amanhã! E agora tchau, que temos ensaio. Por falar em tchau, e em Gerald, vejam "Ciao", da Priscila Nicolielo, dirigida por Ruy Filho, assistente de Gerald em vários de seus últimos espetáculos. Está em cartaz no Espaço Capobianco, lá no Centro. A direção do Ruy é muito boa, o texto de Pricila, adaptado em parte e em parte inspirado pela prosa de Caio Fernando Abreu é bom de verdade, poético e intenso. E dois atores no elenco, Diego Torraca e Guilherme Gorski, certamente ainda vão dar o que falar. Mas o espetáculo também concorre ao troféu de figurinos femininos mais feios do momento. Afff. Vou ensaiar. Fui

Escrito por alberto guzik às 09h58
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O segundo

Tivemos ontem o segundo ensaio de "A Breve Interrupção". Fico impressionado ao ver a quantidade de coisas de que Gerald Thomas cuida ao mesmo tempo. Ele é uma figura internacional, um dos grandes nomes da encenação na passagem do século 20 para o século 21. Mas GT tem muito mais coisas em comum com um atribulado e esfalfado dono de companhia teatral brasileiro do que sonha nossa vã filosofia. Esse artista, que é superlativo (sua passagem pelo festival de Córdoba, na Argentina, semana passada, rendeu imensas matérias e críticas elogiosíssimas, algumas de página inteira, em todos os jornais importantes do país hermano), é também um incansável embora exausto ser humano que cuida de coisas como agendamento de reuniões, detalhes técnicos e burocráticos que envolvem a vida da sua sua Dry Opera Company. Ele cria e administra ao mesmo tempo. Num ritmo nonstop. Quando se fala em Gerald Thomas, as pessoas pensam no glamour, nos casamentos com belíssimas e talentosas mulheres, nos escândalos artísticos que provocou. Mas não têm noção da carga de trabalho  prático que esse artista empreende para dar vida a seus projetos, que são também sua razão de ser no mundo. Trabalhar com Gerald é ver em ação um artista que sabe perfeitamente com que metáforas está jogando, o que deseja atingir a partir delas. Sua maneira de dirigir os atores nada tem de distanciada, teórica. Ele é corporal. Demonstra pra gente o que quer usando o próprio corpo e voz como exemplos. Não é fechado ao diálogo, ao contrário do que tanta gente supõe. Está sempre aberto, disposto a ouvir. Cria obras a partir das características das pessoas com quem trabalha. Os papéis AG e SC foram realmente escritos em"A Breve Interrupção" para mim e para Sérgio Coelho. Os ensaios são intensos. Mas há muito espaço para conversas, para a circulação de idéias, para a narrativa de casos. Gerald gosta de trabalhar um pouco à maneira dos velhos judeus hassídicos, que ensinavam através de parábolas, de narrativas. Assim é que ele nos faz entrar nessa história de dois críticos teatrais, que já não eram mais críticos teatrais, vendiam seres humanos, antes de serem capturados por EM, vivido pelo poderoso Edson Montenegro. Ontem tiramos a leitura das cadeiras e fomos para o espaço. Amarrados, de joelhos, eu e SSC. O resto não conto. Mas é uma história louca, essa que o poderoso Gerald armou, pra gente fazer nas Satyrianas. Fiquei emocionado também pela forma pela qual esse artista aclamado no mundo todo aceitou entrar no espírito de loucura e folia teatral que são as Satyrianas e o DramaMix. Durante esses dias de contato próximo, minha admiração por ele só fez aumentar. Estaremos em cena com "A Breve Interrupão" na quinta, às 18h e 18h30. Posso estar enganado, mas tenho muito a impressão de que "A Breve Interrupção" é o germe de algo que vai crescer e aparecer. Por enquanto, só posso dizer que está sendo um prazer e um privilégio trabalhar com Gerald.



Escrito por alberto guzik às 09h16
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Coisas da praça

Gentes, essa praça Roosevelt tá ficando muito da metida. Adivinhem quem estava lá agora mesmo, quer dizer, quem ainda está lá enquanto teclo estas linhas? A minha deusa, uma das melhores atrizes do mundo, Julianne Moore. Não sozinha, claro, mas com toda a equipe de "Blindness", filmando uma cena na Igreja da Consolação. Passo na porta da igreja, a caminho dos Satyros, e vejo a fantástica Moore, ao lado acho que do Mark Ruffalo. Pode parecer tietagem. É tietagem. Mas eu sou tiete de Ms Moore faz tempo, desde aquele thriller, "A Mão que Balança o Berço", depois, me apaixonei pela sua participação marcante em "Benny and Joon", e fiquei fã de vez depois daquele filme dela com o Mark Wahlberg, "Boogie Nights", que no Brasil se chamou "Prazer sem Limites". uma obra-prima de Paul Thomas Anderson sobre a indústria do cinema pornô. E mais tarde vieram ainda "As Horas", "Longe do Paraíso", um monte de filmes de primeira. Moore é dos poucos nomes hoje que me faz ir ao cinema pra ver seu trabalho, seja qual for o elenco, o diretor, o roteiro. E hoje depois do almoço ela estava lá, na porta da Igreja da Consolação, bem do lado dos Satyros, com o Fernando Meirelles e mais toda a equipe de "Blindness". E nesta quinta a praça receberá as Satyrianas, que vão contar com a presença de figuraças como Gerald Thomas e Paulo Autran e Lauro Cesar Muniz e mais tanta gente boa que nem dá pra enumerar (ainda). Afff... Estamos todos muito chiques lá pras bandas da Roosevelt! E bem brasileiramente, tudo isso no meio de um monte de obras, com o metrô cavando buraco bem na porta do posto da Polícia Civil, caçambas de lixo cadastradas enfileiradas na rua, muita poeira! Enfim, luxo e lixo, a cara de São Paulo. Ou não é?



Escrito por alberto guzik às 15h11
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Satyrianas

Entrem no blog do Ivam e vejam o tamanho das Satyrianas. É de tirar o fôlego. E ainda não está incluída lá a programação do Dramamix! Ontem tivemos o primeiro ensaio de "A Breve Interrupção". Que pena que será tão breve o processo! Um monte de gente incrível reunida ao redor de um texto enxuto, preciso, afiadíssimo! Críticos seqüestrados por um ator. Um balanço de vida em pouco mais de dez minutos. Eu e Sérgio Sálvia Coelho somos os críticos. Edson Montenegro, o ator raptor. E há ainda a participação de Pancho Capeletti e de Ana Américo. Vamos abrir o DramaMix, na quinta, 18h. Vai ser o máximo. Adorei o prmeiro ensaio. Gerald é um diretor de incrível precisão. É um maestro regendo seus atores instrumentos. Conduz o ensaio com habilidade, criando um ambiente de trabalho agradável, no qual as idéias fluem com rapidez. Hoje temos mais. Um dia hiper-teatral, como serão todos nesta semana. Esta tarde ensaio "Divinas Palavras". À noite, "A Breve Interrupção". E ainda tenho que encontrar tempo pra ensaiar a peça do Germano Pereira, "Laranjas Vermelhas", que vamos fazer no DramaMix, na sexta-feira. Sou um ator abençoado. E um autor feliz, também. A peça que escrevi, "Cansei de Tomar Fanta", vai ser presentada no DramaMix no sabado à noite. Vejam horários certinhos de tudo aamanhã no blog do maravilhosamente agitador e meu amado amigo Ivam Cabral.



Escrito por alberto guzik às 10h12
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Pois vejam só

E não é que, pro bem de todos e felicidade geral da nação (corinthiana), nos últimos minutos da partida o Betão do Coringão, numa jogada iniciada pelo Gustavo Nery, meteu um gol dentro da rede do São Paulo e o time do Parque São Jorge ganhou o jogo? Quem diria! Agora tenho que morder a língua e engolir o que eu escrevi aqui, uns dias atrás: que a melhor coisa que podia acontecer com o Corinthians agora era cair pra segunda divisão, pra retomar o brio e criar vergonha na cara. Me retrato com prazer. Pelo visto a mudança de técnico está fazendo bem ao time. Mas a gente tem de se reservar e esperar pelos próximos resultados. Ainda faltam dez rodadas e muita água vai correr embaixo dessa ponte. Mas que foi uma virada legal de expectativas, isso foi. Por causa de episódios assim o Corinthians tem a torcida que tem. E foi uma reação legal à matéria de capa da "Vejinha" de ontem, que fez uma ótima reportagem sobre todo o mal causado ao clube pela presidência do sr. Dualib e sua associação com a máfia dos Kias e Boris do mundo. A gente sabe que muita merda foi feita. Mas parecia que o time não ia conseguir reagir ao desmanche que ronda a diretoria do clube. Agora a coisa pode mudar de rumo. Em campo e fora dele. Hoje no almoço eu tive que ouvir de uma moça supergracinha, que trabalha na casa de minha mãe, que ela ia assistir ao jogo "pra ver o São Paulo dar uma lavada no Corinthians". Acho que ela não deve estar muito feliz agora. Eu estou. Futebol é isso.

Escrito por alberto guzik às 17h36
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É hoje!

Logo mais à noite teremos o primeiro ensaio de "A Breve Interrupção", peça que Gerald Thomas escreveu e que abrirá o DramaMix das Satyrianas na quinta, dia 11, às 18h. Vamos nos encontrar no hotel em que Gerald está hospedado, lá no Itaim. No elenco, Sérgio Sálvia Coelho, Edson Montenegro e eu. Na direção, Gerald Thomas, que está chegando do Festival de Córdoba, na Argentina, onde foi aclamado e saudado com artigos de impressionante vibração na imprensa local (vejam no blog dele, linkado aí ao lado_. Gerald é um aventureiro. Veio do Festival de Córdoba direto para o tumulto das Satyrianas. Estou ansioso para mergulhar nesse trabalho, que será infelizmente muito breve, mas creio, muito intenso também. Acompanhei uma grande parte da carreira brasileira de Gerald. Fui um dos primeiros críticos de São Paulo a sacar a dimensão e a qualidade genial de seu trabalho. Um longo percurso pontuado por históricos espetáculos seguiu-se ao primeiro encontro que tive com a estética do encenador, na memorável e complexa e deslumbrante montagem de "Carmem com Filtro", em 1986. Agora, retornado ao palco, vou ao encontro de Gerald Thomas como ator. Estou feliz por isso.

Escrito por alberto guzik às 15h38
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casal na padaria

na padaria. dois gordinhos. ele é barrigudinho, ela, bunduda. ele usa uma bermuda larga e uma camiseta verde puida. chinelos de dedo. ela, chinelos de dedo também, cabelos em maria-chiquinha, usa uma blusa de malha dessas que tem babado arrematando a manga três-quartos. e uns shortinhos justos demiais para tanta coxa. estão abraçados. como se fossem siameses. na minha frente, na fila. a caixa atende uma senhorinha que comprou muitos produtos e conversa muito. está demorando. o gordinho segura a gordinha pela cintura. ela o segura pela bunda. o cabelo dele é claro, longo, num corte principe valente muito mal feito e muito sem noção. um cabelo maltratado. como o dela, que é castanho. eles não se largam. de vez em quando, ela desgruda a mão da bunda dele e dá-lhe um forte tapa nas costas, bem na área da lombar. "ai", ele geme. e dai ela baixa a mão e volta a cravar os dedos na bunda dele. logo depois, sobe a mão e lapt, mais um tapão na lombar. "ai", ele geme. e ri. ela ri. eles chegam ao caixa, e entregam as suas mercadorias, recebem-nas de volta, pagam e vão embora, agarrados, ele carregando as duas sacolas de plástico. saem para a rua, agarrados. lapt, ouço eu. logo depois: "ai", geme ele.

Escrito por alberto guzik às 10h44
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