Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Ivam Cabral
 Rodolfo García Vázquez
 Laerte Késsimos
 Cléo de Paris
 Ana Rüsche
 Marcelino Freire
 Ivana Arruda Leite
 Roberto Moreno
 César Ribeiro
 Lucia Carvalho
 Leandro Zappala
 Maria Clara Spinelli
 Sergio Roveri
 Ruy Filho
 Lenise Pinheiro e Nelson de Sá
 Revista Bacante
 Duilio Ferronato
 Barbara Oliveira
 Mauricio Alcântara
 Elton Caldas
 George Carvalho
 Sergio Salvia Coelho
 Otávio Martins
 Paula Cohen
 Audrey Furlanetto
 Gustavo Assano
 Phedra D. Cordoba
 Gerald Thomas
 Rodrigo Contrera
 texassucks
 Caetano Vilela
 Márcio Gaspar
 Daniel Gaggini
 astier basílio
 dyl pires
 Erika Riedel
 ricardo moreno
 wallace fauth
 carlos hee
 Maria Alice Vergueiro
 rachel rocha
 henrique silveira
 chico ribas
 paulo vereda
 ademir assunção
 rui germano
 caetano vilela 2
 luiz valcazaras
 lúcio júnior
 armando maynard
 Blogs Legais
 sérgio dávila
 nelson kao
 Cia. Livre de Teatro
 Márlio Vilela Nunes
 Centro Latino de Investigação Teatral
 Teatro para Alguém
 cultblog
 marcelo mirisola
 mario viana
 Hnerique Mello
 parlapatões
 Peu Ramos
 isabella
 Priscila Nicolielo
 lucas guedes
 carolina angrisani
 Paulo Cunha
 nelson de oliveira
 andré freitas
 generacion y
 Cia. Antro Exposto
 Dramaturgia Contemporânea
 Pedro Alexandre Sanches
 Cia Arthur-Arnaldo
 lucianno maza
 Caderno Teatral
 Paulo Neto
 cilene guedes / márcia abos
 camilla carvalho
 Bob Sousa, fotógrafo
 marcio tito
 sp escola de teatro


 
 
os dias e as horas - blog do alberto guzik


Sobre uma mensagem que recusei

 Hoje recusei um comentário postado aqui. Nos 21 meses de vida deste espaço, entre centenas de mensagens que foram dirigidas pra cá, esta é a terceira vez que faço isso. Já recebi textos contestando posições minhas, corrigindo erros de informação, tudo. Nunca deixei de aceitar qualquer deles. Sou pró pluralismo e democracia. Mas não a favor da ofensa, da desqualificação do outro. E isso era o que trazia o comentário que recusei hoje, no qual o autor, cujo nome não citarei, se posicionava a favor da “Senhora dos Afogados” na versão de Antunes Filho, e investia contra mim. A pessoa que escreveu o comentário não leu o texto que redigi sobre o importante espetáculo de Antunes. Ou melhor, leu a sua maneira, interpretando e torcendo minhas palavras. E concluía da maneira mais estranha, declarando seu amor apaixonado pela montagem de Antunes e afirmando que o que escrevia no comentário nada tinha a ver com o “Vestido de Noiva” dos Satyros, a que tinha assistido também, e do qual não tinha gostado. Total direito seu, gostar de uma peça e não da outra. Total direito meu, ver o espetáculo de Antunes e manifestar meu ponto de vista sobre o que vi. Um ponto de vista que não é agressivo e nem desmerece de qualquer forma o grande encenador. Se a mensagem desse moço que gostou tanto de “Senhora” fosse apenas contrária a minha opinião, eu não estaria escrevendo este texto agora. Mas como era um escrito carregado de ironia pesada e de grosseria nas linhas e entrelinhas, exerci meu direito de dono deste espaço e recusei a carta que me atacava sem proveito pra ninguém. Aprendi muito com gente que segue este blogue. Esses companheiros virtuais se sentiram atingidos quando aceitei, no ano passado, um comentário ofensivo a mim enviado para cá. Eles estavam certos. O espaço para o debate na blogosfera tem limites. Se alguém me falta ao respeito e eu honro esse alguém aceitando o comentário desabonador, estou insultando os meus leitores. Assim, leitor irado, que bom que você gostou da “Senhora dos Afogados”, pois é um espetáculo que tem muita coisa muito admirável. Que pena que você não gostou de “Vestido de Noiva”, pois é outro espetáculo que tem muita coisa muito admirável. Quando você quiser trocar idéias, opiniões, pontos de vista, não ofensas e ironias toscas, tenha a certeza de que sua mensagem será aceita aqui. É isso.



Escrito por alberto guzik às 17h15
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Bernardo Soares

"cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. reparei, num relâmpago íntimo, que eu não sou ninguém. ninguém, absolutamente ninguém." ("livro do desassossego")



Escrito por alberto guzik às 12h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



retorno

voltamos ontem ao cartaz com 'divinas palavras'. acabo de chegar em casa da nossa sessão de reestréia. ia ficar por lá pelos satyros, curtindo um pouco o fervo, mas fui bem comportado e voltei logo pra casa, porque amanhã é dia de dar aula. eu amo fazer esse espetáculo. adoro a direção do rodolfo, a adaptação e a trilha do ivam. é muito excitante estar no palco, vivendo pedro gailo, cercado de um punhado de gente com quem eu amo trabalhar. a temporada será breve. apenas cinco semanas. portanto, quem quiser ver, que se apresse. ou cale-se para sempre. evoé!

Escrito por alberto guzik às 00h14
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Bernardo Soares

"A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova. Baldado esforço o teu se queres sentir outras coisas sem sentires de outra maneira, e sentires de outra maneira sem mudares de alma. Porque as coisas são como nós as sentimos - há quanto tempo sabes tu isto sem o saberes? - e o único modo de haver coisas novas, de sentir coisas novas é haver novidade no sentí-las. Muda de alma. Como? Descobre-o tu." ("Livro do Desassossego")

Escrito por alberto guzik às 11h58
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Correndo pra hoje

Dia louco de muito trabalho. Reunião do projeto de sonho agora cedo, ensaio à tarde e à noite a REESTRÉIA DE 'DIVINAS PALAVRAS', às 21h30, no Espaço dos Satyros 1! Ontem ensaiamos. Um ensaio truncado! Contratempos. Confrontos com pequenas chatices. E um espetáculo difícil pra re-levantar. Mas o deus do teatro é forte. No fim, tudo dará certo. É assim que é. É um milagre. O milagre do teatro. A imagem não é minha, é do grande dramaturgo inglês Tom Stoppard, que a usa com muita habilidade e inteligência no trabalho brilhante que fez no roteiro de "Shakespeare Apaixonado". Tchau.

Escrito por alberto guzik às 09h46
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



quarta temporada

'Lost' é demais de legal. Tá na quarta temporada e não enche. Ao contrário. Com seu jogo de passado, presente e futuro, intriga. Dá vontade de saber o que vai acontecer. Nunca fui de seguir essas tramas de tevê. Mas 'Lost' é especial. Bad Robot pra vocês.



Escrito por alberto guzik às 23h48
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Rod

Rod Stewart, que vai cantar em SP na sexta, é tudo de bom. A voz do cara é sensacional. Ele tem a mesma idade que eu e embalou meus 20s e 30s com canções antológicas. E acho que no começo dos 70 foi o primeiro artista mainstream a incluir uma canção contra a homofobia em um (na época) LP. Márcio Gaspar escreveu um texto lindo sobre R.S. no blogue dele. Entrem lá e leiam. 

Escrito por alberto guzik às 12h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



cansado

so so so so tired. mas o livro vai surgindo. aos arrancos.

Escrito por alberto guzik às 12h08
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



rain

chove desconsoladamente. como fernando(s) pessoa(s) escreve bonito sobre a chuva! encontra imagens incríveis pra falar dela. é um assunto o qual volta e volta.



Escrito por alberto guzik às 12h06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Gone with the wind...

Tenho um amigo querido que sumiu e se refugiou no silêncio. Não atende mais ao telefone, não responde e-mail, não entra no orkut, onde scraps dirigidos a ele se acumulam sem resposta. Nem sei se está na cidade ou se fugiu daqui. Mandei algumas mensagens. Não respondeu. Me pergunto o que pode ter acontecido. Uma vez contou que quis ser monge quando jovem. Será que resolveu seguir aquela vocação? Mas, pela ausência de respostas, pelas mensagens que retornam, acho que se virou monge deve ter entrado em uma ordem de trapistas, aqueles que fazem voto de silêncio. Ele costumava ler meu blog. Não sei se ainda o faz. Nem sei se ele conservou seu acesso à internet. De qualquer modo, queria que esse meu amigo soubesse que gosto dele, que sei que é uma pessoa especial, inteligente, sensível como poucos. Queria que ele soubesse que estou torcendo por ele, seja qual for a viagem que tenha decidido empreender. Acho que é isso aí. Ah, sim, claro que quero também que ele saiba que tenho muita vontade de voltar a conversar com ele. Caramba, como o ser humano é complexo e misterioso!



Escrito por alberto guzik às 11h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



iluminações de bernardo soares

"O gládio de um relâmpago frouxo volteou sombriamente um quarto largo. E o som a vir, suspenso um hausto amplo, retumbou, emigrando profundo. O som da chuva chorou alto, como carpideiras no intervalo das falas. Os pequenos sons destacaram-se cá dentro, inquietos." ("Livro do Desassossego")

Escrito por alberto guzik às 18h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



o cara vem aí

VIA FUNCHAL

APRESENTA:

RUFUS WAINWRIGHT

 Rufus Wainwright é cantor, compositor, pianista e guitarrista americano canadense, com várias músicas inseridas em trilhas sonoras famosas como Moulin Rouge, O Segredo de Brokeback Mountain, Shrek e muitos outros. Nasceu em Rhinebeck, New York, filho dos cantores e músicos folk, Loudon Wainwright III e Kate McGarrigle. Rufus começou a tocar piano aos seis anos de idade, e aos 13 já fazia turnês com sua irmã Martha Wainwright, sua mãe Kate, e sua tia Anna McGarrigle, como as "Irmãs McGarrigle e família." (“McGarrigle Sisters and Family”). Ele lançou o seu 1º álbum auto-intitulado Rufus Wainwright na primavera de 1998; a gravadora recebeu uma série de críticas aclamando o disco, e foi reconhecido pela Rolling Stone magazine como um dos melhores álbuns do ano. De 2001 a 2004 entra em turnê com Tori Amos, Sting , Ben Folds, e Guster. Ainda em 2001 e 2002 fez  turnê solo para lançar o álbum "Poses". Sua obra é inserida no gênero Popera (Pop Ópera) ou Rock Barroco, com composições repletas de alusões a ópera, literatura, cultura pop e mais recentemente política (em canções como Gay Messiah e Waiting for a Dream).  Seu talento é reconhecido e aclamado  por artistas como Elton John, Morrisey, John Mayer, Sting e influencia artistas como Keane, Alanis Morissette, Scissor Sisters e Ben Folds. Release the Stars, o quinto disco de originais do músico, produzido por Neil Tennant dos Pet Shop Boys, eleva-se já à categoria de um dos melhores discos do artista. Grandes canções pop ora mais grandiloquentes, ora mais recatadas, sempre dominadas por aquela voz arrebatadora  e uma sensibilidade lírica rara, é o album de trabalho da turnê que virá ao Brasil.

Data  :     09 de maio/2008 (sexta-feira)

Horário:   21:30 hs.

Local:       Rua Funchal, 65 - Vila Olimpia

www.viafunchal.com.br   

Horário da bilheteria: das 12:00 às 22:00hs  (de segunda à domingo) 

 



Escrito por alberto guzik às 13h25
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



iluminações de bernardo soares

"Tenho uma moral muito simples - não fazer a ninguém nem mal nem bem." ("Livro do Desassossego")

Escrito por alberto guzik às 13h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Menahen Golan, quem diria!

Fiquei besta! Tou ontem no começo da madruga zapeando os canais antes de dormir quando ouço um nome conhecido. Alguém no filme chama alguém: "Mr Peachum!" Peraí, conheço esse sobrenome. É de um dos personagens da "Ópera dos Três Vinténs", do Brecht e do Weill. Abro o menu pra ver. É mesmo. Uma versão superfiel, quase literal, da obra de Brecht, lançada em 1990, com um elenco extraordinário. Raoul Julia fez MacHeath, ou Mac Navalha, o sedutor criminoso. Richard Harris deu vida a Peachum, o empresário dos mendigos. Julie Walters encarnou a Sra. Peachum, Julia Migenes interpretou Jenny dos Piratas, e Roger Daltrey, ex-Who (é isso?), personificou o Cantor de Rua. Entre os outros integrantes do elenco, atores do porte de Clive Revill e Bill Nighy. Fiquei pasmo. Nem sabia que tinham feito esse filme. Pois fizeram. Não lembro de ter sido exibido nos cinemas, ou eu certamente teria ido ver. E o mais espantoso é que o diretor do filme é o israelense Menahen Golan, que faz, como diretor e produtor, lixos em série. Filmes de guerra, de espionagem, eróticos, porno-softs, de gangues, não há o que o cara não faça. Acho que até produziu um filme aqui no Brasil, com Jacqueline Bisset. Posso estar enganado, mas acho que chamou "Orquídea Selvagem", e foi um daqueles filmes que a crítica amou odiar. Bem, vai daí que essa sua "Ópera dos Três Vinténs" é muito competente. Cores quentes e fotografia estourada. Muita teatralidade nos cenários, figurinos e maquiagem. Boa encenação das canções. Coreografias competentes. Elenco excelente. Em inglês o nome foi "Mack the Knife". Não é o filme que Brecht gostaria de ver tirado de seu texto. Meio emocional, tem um uso dramático da música que faria o mestre do Berliner Ensenble ficar puto da vida. Mas ao mesmo tempo é bem feito, respeita escrupulosamente o script de Brecht e a partitura eternamente contagiante de Kurt Weill. Julia Migenes brilha na canção "Jenny e os Piratas". A "Balada da Depéndência Sexual" é defendida com muita energia por Julie Walters e Richard Harris. Raoul Julia criou um Mac Navalha fantástico. Acabou que fiquei até tarde vendo o filme. Valeu. E aprendi que até um Menahen Golan tem seus dias de Jacques Demy. Quem quiser caçar o filme na tevê a cabo, está sendo exibido com o nome "O Príncipe dos Mendigos" (que eu acho que Brecht também odiaria).



Escrito por alberto guzik às 12h16
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Desvendamento

O Sérgio Roveri postou uma entrevista com Antunes Filho no blog dele. Entrem e leiam. O texto é da melhor qualidade. Uma intrevista imprescindível. Didática. Exemplar. Em breves seis ou sete parágrafos traça um perfil amplo do grande (e humano) artista que é Antunes.

Escrito por alberto guzik às 11h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



palavra por palavra

o livro novo continua a nascer. palavra por palavra. queria tanto que em lugar de gotejar jorrasse, impetuoso. mas não está fácil. não mesmo. nem sei se estou no caminho certo. mas pela experiência que tenho com narrativas, é assim que funciona. deve-se tocar o barco, uma frase depois da outra. pelo menos fiquei feliz neste fim de semana, porque consegui tirar o personagem de um restaurante, onde ele se encontrou com um amigo, e no qual estava estacionado há muitos dias, desde que fui para curitiba na semana que passou.

Escrito por alberto guzik às 20h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Grande momento do realismo cínico

“Paris bem vale uma missa.”

 

            Foi o que declarou o protestante Henrique de Navarra em 1593, ao se converter (pela segunda vez) ao catolicismo e garantir a consolidação de sua até então frágil posição como rei da França, contestada por muitos aristocratas e pela população de maioria católica. Reinou como Henrique IV até ser assassinado em 1610 por um católico fanático. Passou para a história como um rei tolerante, que estimulou a paz entre católicos e protestantes. E como um cara que se preocupava bastante com o bem estar de seu povo. O que, vamos combinar, é mais do que a grande maioria dos governantes faziam antes e fizeram depois dele. Fixou a imagem de um rei bom e sábio. Tujdo bem, mas que a sua frase célebre sobre Paris valer uma missa é magnificamente cinica, isso ela é.  



Escrito por alberto guzik às 20h45
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



"Chega de Saudade"

Um dia depois de ver “A Família Savage”, assisti ao novo filme de Laís Bodansky, “Chega de Saudade”. É envolvente e emocionante. Há um finíssimo jogo de interpretações rolando na tela. Bons atores e bom roteiro. Como "A Família Savage", é um filme sobre o envelhecimento, as perdas, o preço que a vida cobra de cada um. Mas aqui há uma sinfonia de histórias, não o retrato de um grupinho pequeno de gente. Saí do cinema emocionado. Comovido. Nem tudo no filme é perfeito. Nem todas as cenas me apaixonaram. Mas no conjunto “Chega de Saudade” é uma obra equilibrada, inteligente, engraçada e triste. Torna feliz a ida ao cinema. (Neste post, atribui a autoria do filme, sei lá por quê, a Tata Amaral. Ainda bem que o amigo sempre alerta [mas felizmente nada escoteiro] Márcio Gaspar entrou no blog logo depois que o texto foi postado e me alertou. Corrigi o erro e não paguei o feio mico de atribuir a obra de uma à outra. É a segunda vez que o Márcio me salva de cometer um erro feio. Ah, acho que estou perdendo uma das poucas manias saudáveis dos jornalistas, que é sempre checar as informações.)



Escrito por alberto guzik às 20h00
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



E foi um 1.° de abril

E daí que acabou rolando um 1.° de abril involuntário. Tínhamos uma reunião com um big shot de uma instituição para conversar sobre assuntos relativos ao sonho que estamos batalhando para tornar real. Chegamos lá pontualmente, 11h. O big shot estava em reunião. E em reunião ficou. Não nos recebeu. Quer dizer, nos recebeu, depois de quarenta minutos, pra dizer que não podia nos receber. Perdemos nosso tempo e esperamos um tempão. Foi frustrante. Mas que caminho para o sonho não tem revezes? Remarcamos a reunião para a próxima semana. Coisas que acontecem. Fazer o quê?

Escrito por alberto guzik às 12h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



?

o que você estava fazendo (se é que já estava por aqui) no dia 1.° de abril de 1964, quando os militares apearam joão goulart, deram o golpe e submeteram o país a 21 anos de ditadura? o troço todo aconteceu no dia 1.° de abril, mas os militares que tomaram o poder resolveram que era melhor adotar como data da sua "revolução" o dia 31 de março. afinal, uma "revolução" desencadeada no dia 1.° de abril, o dia dos bobos, poderia ser levada a sério? fui dormir ontem pensando nisso. o que estava fazendo nesse dia? eu, com 19 anos, cursava o segundo ano de direito no mackenzie e o primeiro de interpretação na escola de arte dramática. o mackenzie fechou no dia do golpe. mas não lembro se tive ou não aula na ead. será que a gente teve aula lá no prédio velho da pinacoteca, bem no dia do golpe? isso teria sido muito legal, ter aulas de teatro normalmente no dia fatal. lembro que morava na r. maranhão, esquina da itambé, aí em higienópolis, e vi, da janela do meu quarto, tanques do exército descendo a itambé. e os milicos foram aclamados por um monte de alunos que tinham ido ao mackenzie naquele dia mas encontraram as escolas fechadas. eles se amontoaram nos portões do instituto, lá na itambé, e aclamaram os tanques militares quando passaram. disso eu nunca esqueci. será que aqueles caras acharam que era um filme de hollywood, que estavam saudando um exército de libertação? de que libertação, cara pálida? nunca fui comunista, minhas posições socialistas estão mais e mais abaladas pelo que vejo acontecer no mundo, não creio em ideologias. mas sempre fui partidário da liberdade e da democracia. e, no brasil, ambas foram engaioladas no dia 1.° de abril e assim ficaram por duas décadas. então, se é que você estava aqui e já tinha chegado à idade da razão, me conte: o que estava fazendo no 1.° de abril de 64, há 44 anos?

Escrito por alberto guzik às 08h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



1.° de abril

daqui a pouco será dia 1.° de abril. mas para nós não será um dia da mentira. teremos, o grupo que vai concretizar o projeto, uma reunião importante. vamos atrás do sonho, cuja realização está em movimento. mais um passo na direção certa, atrás de outros que foram dados recentemente. evoé!

Escrito por alberto guzik às 23h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Alberto Caeiro

"O único mistério do Universo é o mais e não o menos. / Percebemos demais as cousas - eis o erro, a dúvida. / O que existe transcende para mim o que julgo que existe. / A Realidade é apenas real e não pensada."

Escrito por alberto guzik às 11h15
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



"a família savage"

fui ver ontem de tardinha. espaço unibanco lotado. filmaço. ou melhor, um grande filminho. é pequenino. problamas em uma família disfuncional formada por seres meio fracassados, que lutam pra manter a cabeça à tona. direção e roteiro de tamara jenkins. não conhecia. um nome em que se deve prestar atenção. os 'savages' foca dois rmãos, jon (phillip seymour hoffman, exato, intenso), professor de teatro em buffalo, e wendy (laura linney, detalhista, brilhante), candidata a dramaturga em nova york. eles não se vêm há anos. e têm de passar a conviver quando, de uma hora para, cai em suas vidas o pai (philip bosco, soberbo) velho, doente e senil. o roteiro é preciso, inteligente. os movimentos dos personagens são acompanhados com um olhar humano, capturados em suas fraquezas e grandezas. um longo e doloroso acerto de contas é processado sem que os personagens tenham vontade de fazer isso. a vida impõe. o filme é invernal, cheio de climas. uma comédia dramática triste, mas otimista. que se dá ao luxo de ter na trilha sonora algumas composições de brecht e weill cantadas por lotte lenya! o que é totalmente adequado, porque jon é professor de teatro político, especializado em brecht. feito para bons atores, contando com um elenco estupendo, 'the savages' é um filme muito forte. todos os filhos de meia idade com pais idosos e doentes têm que ver este filme. e os que ainda não chegaram lá também, porque isso um dia vai acontecer, e é melhor estar preparado. além da velhice e da perda, o filme fala do autoconhecimento, da honestidade, da tolerância, questões cada vez mais centrais no mundo. sai do cinema e fiquei pensando um tempão no que tinha visto. ainda estou pensando, na verdade.

Escrito por alberto guzik às 10h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



"Divinas Palavras" volta aos Satyros

Na próxima sexta, dia 4, "Divinas Palavras", de Ramón del Valle-Inclán, volta ao cartaz no Espaço dos Satyros 1, na Praça Roosevelt. Que delícia! Estou com muita saudade daquele mundo maluco de Inclán, e de seus personagens endiabrados. Na terça à noite teremos o primeiro ensaio da volta de "Divinas". Saí procurando meu texto feito um alucinado, sem achar, até lembrar que deixei a peça em meu escaninho, lá no teatro. Já estou relembrando Pedro Gailo de memória. Acho que não esqueci nada. Voltaremos à cena galardoados (é assim que se diz?) com o Shell ganho por Márcio Vinícius por seus figurinos incríveis e com a indicação ao prêmio recebida por Nora Toledo, pela sua atuação (estupenda) como Marica del Reino, minha irmã na peça. Viva o cabaré de Miss Brotton, viva Laureano, vivam as "Divinas Palavras".

Escrito por alberto guzik às 14h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Carmen e suas bananas

Nunca tinha visto o documentário de Helena Solberg, "Bananas is my Business", sobre Carmen Miranda. Vi hoje cedo, no GNT. Magnífico. Um trabalho à altura de sua mítica personagem. Uma reflexão contundente sobre uma época da história do Brasil, o show business, a brasilidade, a música popular, a Broadway e Hollywood, a mídia e sua ferocidade de ave de rapina. De Helena Solberg tinha visto "Minha Vida de Menina", de que gostei muito. "Bananas is my Business" mostrou que ela é uma cineasta completa, tão boa no documentário quanto na ficção. Um trabalho admirável, necessário a todo mundo que trabalha com arte e com idéias neste país e neste mundo tão difíceis.



Escrito por alberto guzik às 13h51
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



A "Senhora" de Nelson, segundo Antunes

Estava super curioso pra ver “Senhora dos Afogados” na versão do CPT de Antunes Filho. Nem preciso explicar as razões, não é? Um texto deslumbrante de Nelson Rodrigues encenado por um dos diretores mais importantes do Brasil. Fiquei feliz quando recebi o convite pra estréia e lá fui eu na sexta-feira ver o novo trabalho do diretor que fez “Macunaíma”, “Trono de Sangue”, “Medéia”, “A Pedra do Reino”, “Nova Velha História”, “As Troianas”, "Augusto Matraga" e mais uma fieira de trabalhos notáveis. Pensei que me esperava uma senhora viagem nas asas de Nelson, impelidas por Antunes. Mas não foi o que aconteceu. O espetáculo é ousado, tremendamente corajoso. Antunes toma a peça mais lírica de Nelson e a despoja por inteiro do lirismo. Cria um espetáculo estranhamente terrestre a partir dessa obra marítima. Recria a mansão decadente, a cidade praiana e o bordel em um palco de panos pretos e cadeiras brancas. O luto domina a cena. O coro todo veste roupas escuras e pesadas. De inverno europeu, não de litoral brasileiro. As paixões que movem os personagens foram estancadas. A gente sente apenas sua raiva, seu ódio, não seu desejo. Que afinal, pelo que entendo, é o que move “Senhora dos Afogados”. Até as três prostitutas que surgem em cena, embora mostrem os corpos, não demonstram nenhuma sensualidade. E sensualidade é o que impele Misael, Eduarda, Moema, Paulo, a prostituta morta por Misael, o noivo de Moema. Então me pergunto o que sinto ante o espetáculo de Antunes. Sem dúvida, uma grande admiração pelo rigor, pela precisão, pela coerência. Os elementos que marcam seu teatro, as procissões, os coros, os grupos que atravessam o palco, estão orquestrados com perfeição. As vozes dos atores foram desafinadas e distorcidas com enorme habilidade, até chegarem ao ponto do desagradável no coro agudo e repetitivo das prostitutas. O realismo é totalmente rejeitado. O espetáculo que trata da sedução não deseja seduzir. As atuações são hirtas, exacerbadas, desemocionadas. O coro, muito bem orquestrado, ri e faz troça dos protagonistas, mas é um riso desumano, desprovido de humor. Os personagens são defendidos com bravura, até com violência, pelos atores. Eu destaco no conjunto o Misael de Lee Thalor, apesar de ser muito parecido com o timbre e o tônus que o ator desdobrou em seu Quaderna, e a poderosa Moema de Angélica di Paula. Entendo o traçado proposto por Antunes e seu elenco, admiro e aplaudo. Mas o resultado não me apaixona. O espetáculo não me carrega com ele. Fiquei o tempo todo distante, sem me envolver. Porém, é um espetáculo obrigatório. Uma leitura temerária de um texto deslumbrante. Faz pensar. Afinal, é um trabalho de Antunes, grande artista e grande mestre. Que nesta “Senhora dos Afogados” não conseguiu propor cenicamente um equivalente da loucura lírica alcançada nesta peça alucinada pelo verbo rodrigueano. Antunes impôs uma paisagem enlutada e invernal ao texto marítimo e enluarado de Nelson. A mistura não deu certo. Mas vá lá conferir, pois é um espetáculo necessário, e tire sua própria conclusão.



Escrito por alberto guzik às 11h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]