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adeus
mário shoemberger, um dos maiores atores brasileiros dessas últimas décadas, morreu hoje em curitiba aos 56 anos. estava doente há muito tempo. era um talento incrível, que vai fazer enorme falta. deixa uma lição de energia e força e potência em cena que será difícil de esquecer.
Escrito por alberto guzik às 23h14
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See you monday
Ao som de Amy Winehouse, que entoa seus desesperos na tarde da rádio Eldorado (a que eu mais ouço) eu me despeço. Vejo vocês no dia da lua. É isso que significava na origem o monday inglês. Vou me mandar pra escola em poucos minutos. Dou aula a noite toda. E daí volto pra casa pra encarar um avião madrugador pra Belo Horizonte. Estamos dando uma oficina Satyros de teatro, e coube a mim a parte de dramaturgia. Começo às aulas amanhã à tarde. E à noite estreamos o "Vestido de Noiva" no Palácio das Artes. Vai ser excitante e interessante. As fichas do povo que se inscreveu pra três dias de trabalho comigo são muito boas. Acho que vou aprender mais com eles do que eles comigo. Na volta conto tudo. Vai ser um fim de semana de muito trabalho. Vou passar agora na farmácia e comprar o complexo vitamínico que o médico me recomendou. Precisarei dele. Há que construir energia. E por falar em energia, gosto muito destes dias outonais ensolarados, com noites frias. O que isso tem a ver com energia? É que dá vontade de tomar chocolate quente. Aliás, tenho mesmo pedido muito chocolate quente. O da Casa do Pão de Queijo no FCS é ótimo. Denso, cremoso e não muito doce. Hasta pronto. Volto logo. E assim me vou, "While my eyes go looking for flying saucers in the sky". E mais uma vez. "While my eyes go looking for flying saucers in the sky". Termino de escrever com Ella cantando Cole Porter. "I've got you under my skin." Então tá. Até já.
Escrito por alberto guzik às 17h33
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Schopenhauer: leitura x pensamento
As pessoas que passam suas vidas lendo e tiram sua sabedoria dos livros são semelhantes àquelas que, a partir de muitas descrições de viagens, têm informações precisas a respeito de um país. Elas podem fornecer muitos detalhes sobre o lugar mas no fundo não dispõem de nenhum conhecimento coerente, claro e profundo das características daquele país. Em compensação, os homens que dedicaram sua vida ao pensamento são como aqueles que estiveram em pessoa no país: só eles sabem propriamente do que falam, conhecem as coisas de lá em seu contexto e sentem-se em casa naquele lugar." ("Pensar por si mesmo", em "A Arte de Escrever", tradução de Pedro Sussekind)
Escrito por alberto guzik às 17h17
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Segunda chance
Quem não viu tem outra oportunidade. A TV Cultura, na madrugada de quinta pra sexta, 2 da manhã, coloca outra vez no ar "A Noiva", o teleteatro escrito pelo Ivam, que o Rodolfo dirigiu e que estreou no domingo passado, abrindo o segundo ano da série "Direções". Cléo de Páris e Gero Camilo fazem o par central, nada romântico. Eu compareço com a voz, pontuando a história como o locutor da Rádio Educadora do Norte Velho do Paraná (adoro esse nome).
Escrito por alberto guzik às 10h43
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Bernardo Soares
"A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos - vis porque são nossos e vis porque são vis. // O amor, o sono, as drogas e intoxicantes, são formas elementares da arte, ou, antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono e drogas têm cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela." (Do "Livro do Desassossego")
Escrito por alberto guzik às 09h24
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gerald documenta a briga
entraram no blog do gerald? ele documentou toda a sua briga com o espanhol (nascido no marrocos) fernando arrabal. o desentendimento teve como palco o evento 'fronteiras do pensamento', lá em porto alegre. gerald também incluiu todas as repercussões nacionais e internacionais do entrevero. corretamente, postou até mesmo as matérias que o tratam com ironia. gerald prossegue afiado, como sempre. o fato de arrabal ter afirmado que nunca tinha ouvido falar no nome de g.t. não depõe a favor dele. ao contrário, confirma minha impressão de que f.a. há muito tempo anda bem distante do teatro contemporâneo. o teatro pânico de arrabal envelheceu. a produção de gerald, por sua vez, está cada vez mais atrelada ao cerne das idéias e das coisas.
Escrito por alberto guzik às 18h50
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A peça nova do Sergio Roveri
Roveri escreveu uma peça nova, "A Coleira de Boris". Sergio Roveri é um dramaturgo poderoso. Foi um texto seu, "O Horário de Visita", que me levou de volta ao palco, como ator, depois de 36 anos de afastamento. Tenho potanto com o teatro de Sérgio uma relação muito próxima e intensa. E fico super feliz com o seu trajeto como dramaturgo, que confirmou, com sucesso e prêmios, o talento que eu fui um dos primeiros a reconhecer. Sérgio é escritor dos bons. "A Coleira de Bóris" vai ser produzida agora. A encenação será dirigida por Marco Antônio Rodrigues, o líder da Cia. Folias, com Nicolas Trevijano e Rafael Losso. O texto do Roveri promete. Aí vai um trechinho da peça:
Perto da estação de trens da minha cidade vivia uma mulher cega. Nos finais de tarde, ela passeava pela plataforma, guiada por um cachorro cor de creme chamado Bóris. Ela era a primeira coisa a ser vista por quem desembarcasse do trem que parava ali: uma mulher cega com seu cão chamado Bóris. Algumas pessoas se abaixavam para acariciar a cabeça do cão e eu sentia que havia algo de errado naquele gesto. Entre os dois, Bóris e a mulher cega, eu sempre achei que quem precisava de carinho era ela. Mas nunca ninguém dirigia a palavra à mulher – que permanecia imóvel, com o olhar, se é que se pode chamar assim no caso dos cegos, perdido nos vagões, como se esperasse que daquele escuro que era a sua vida alguém pudesse desembarcar. Eu não gostava de olhar para ela, embora eu fosse à plataforma todas as tardes. Eu via nela a imagem incômoda de alguém que carregava os próprios olhos presos numa coleira.
Só de ler esse pedacinho, fiquei bem interessado. Conhecendo a sensibilidade do Roveri, o talento do Marco, a força dos atores, prevejo coisa boa. E pra fechar o post vai uma foto do espetáculo, que estréia no início de junho, no Satyros Um. Nos vemos lá.

Escrito por alberto guzik às 10h45
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Os Satyros e a questão do "irrelevante"
Na mesa redonda de que participei ontem, o mediador dos debates, Alcir Pécora, me apresentou dizendo quem eu sou, o que faço, que trabalho nisto e naquilo. E concluiu dizendo que sou integrante dos Satyros, um dos grupos teatrais de maior importância e visibilidade no panorama atual. Foi assim que ele falou do grupo. E eu fiquei muito feliz. Não só por integrar os Satyros, mas por ver reconhecido de público, em outra cidade, o trabalho da companhia. As coisas estão mudando pra valer. Alguns anos atrás, quando preparávamos "A Vida na Praça Roosevelt", de Dea Loher, o Fomento não nos foi concedido. Ficamos sabendo depois que um jurado teria argumentado na reunião da comissão do Fomento que o trabalho dos Satyros não era relevante. Fico feliz porque os fatos já provavam então e continuam provando agora o contrário. Na sexta embarco para Belo Horizonte. Pra fazer "Vestido de Noiva" no Palácio das Artes e para ministrar uma oficina de três dias sobre dramaturgia contemporânea. Em junho a trupe vai para Cuba, onde apresentará "Liz", de Reinaldo Montero, no Festival de Teatro de Havana. E no dia 4 de julho reestrearemos "Vestido", no Centro Cultural São Paulo, para uma temporada de cinco semanas, com espetáculos de quarta a domingo! Queria saber, diante dessas e de tantas outras realizações dos Satyros, o que pensa hoje a pessoa que disse há alguns anos que o trabalho do grupo era irrelevante.
Escrito por alberto guzik às 10h10
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Silêncio
"Não há melhor interlocutor do que o silêncio que oferecem os caminhos desconhecidos." Manuel Vázquez Montalbán, 'Milênio'
Escrito por alberto guzik às 09h56
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Caminho
"O importante é avançar, e não nos refugiarmos na pequenez das obsessões." Manuel Vázquez Montalbán, "Milênio"
Escrito por alberto guzik às 09h53
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uau
gentes! e o coringão que se classificou pra semifinal da copa do brasil? beleuza, creuza. mas eu quero saber quando vou deixar de me surpreender a cada vitória do timão. porque sempre que o clube joga, pela experiência dos últimos anos, antevejo o pior.
Escrito por alberto guzik às 09h51
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meu dia
um debate muito legal no verdejante campus da unicamp, em campinas. reencontro com velhos companheiros de geração que eu admiro: nelson aguilar e roberto piva. volta a são paulo. uma tarde de aulas produtivas com uma fieira de exercícios de alunos que mostram empenho, interesse e esforços de imaginação. o curso está chegando aonde eu desejava que chegasse. e agora volto ao livro novo, que as poucos vai crescendo. como dizia mari gaila, good night a todos.
Escrito por alberto guzik às 19h42
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é de manhã
"é de manhã / é de madrugada / é de manhã / vou ver minha amada / é de manhã / vou ver minha flor...", cantava caetano veloso. a madrugada acabou faz pouquinho. é de manhã. mas não vou ver minha amada, minha flor. prosaico e artístico, vou cair na estrada pra debater nexos entre literatura e artes cênicas lá na unicamp. good morning a todos. hasta. fui...
Escrito por alberto guzik às 06h33
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mais um teatro morre
a simpática salinha do teatro crowne plaza fecha as portas no dia 28. o prédio foi vendido, o hotel deixará de funcionar ali. e os novos ocupantes, vindos do judiciário, não manterão o espaço teatral. a valente sala prestou bons serviços à cena paulistana por mais de 20 anos, acho. foi lá que vi pela primeira vez um trabalho de antônio nobrega dirigido por romero de andrade lima, foi lá que vi esther góes encarnar virginia woolf, foi lá que vi um monte de atores jovens iniciando carreiras vibrantes. muitos espetáculos experimentais de qualidade foram lançados no auditorinho da frei caneca, quase na esquina com a paulista. é uma sala que fará falta. que notícia triste!
Escrito por alberto guzik às 17h01
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Das "Socráticas" de Zé Paulo Paes
"Opção"
"Seja para uma platéia de muitos / ou de um só espectador / aos atores incumbe representar / seus respectivos papéis / até o fim da peça.
Nisso diferem dos suicidas / que sem a menor cerimônia / voltam as costas ao respeitável público / e saem de cena / quando bem entendem."
Escrito por alberto guzik às 16h50
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Vida corrida
Viagem a Campinas amanhã, para uma mesa redonda, logo cedo. Terei de cair da cama. E repito a dose na sexta. Viajo a Belo Horizonte para encontrar a companhia. Me aguardam lá três dias intensos de oficinas e espetáculos. Entre uma coisa e outra, um monte de aulas, avaliação de trabalhos, atribuição de notas. Dias corridos, cheios de trabalho. Melhor assim.
Escrito por alberto guzik às 16h45
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Alegre
Foi lindo sair de "Divinas" ontem e ver a "Noiva" no telão armado lá no mezanino do Satyros 2, com boa parte do elenco, muita gente da equipe técnica, o Rodolfo, o Ivam, a Cléo. O Gero estava lá, mas não consegui falar com ele. Saí rápido, quando terminou. Eu estava muito cansado, e tinha (estou tendo) um monte de trabalho na manhã desta segunda. O roteiro da "Noiva" foi muito cortado, por conta da duração breve demais do programa. Apesar dos cortes, acaba que a forte história é bem narrada. Boas atuações, boas locações. Ótima direção do Rodolfo. E a Cultura superando (alguns) limites técnicos. Voltei pra casa feliz, e isso que temperou um pouco a tristeza pelo fim de "Divinas".
Escrito por alberto guzik às 09h29
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Triste
Terminou a temporada de "Divinas Palavras". Sempre fica um luto dentro. Pelo personagem que é preciso abandonar. E pelo fato de não se saber se algum dia voltaremos a encontrá-lo. Há um vazio na alma no dia seguinte ao fim de temporadas. Enfim... good night, Pedro Gailo. Evoé!
Escrito por alberto guzik às 09h21
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mandante
até hoje não sei o que dizer sobre a absolvição do fazendeiro mandante do assassinato da freira americana, lá no pará. ou melhor, sei o que dizer, mas me falta o ânimo. tem momentos na vida em que a gente perde o ânimo. há dias que estou para postar estas palavras, mas até elas me faltavam. fica só uma vasta perplexidade. aff!
Escrito por alberto guzik às 17h39
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'vestido de noiva' na imensidão
semana que vem nós satyros vamos fazer "vestido de noiva" em belo horizonte. no palácio das artes. 1700 lugares. será um vestido de noiva solto na imensidão. grande desafio! mas a gente tá acostumado a encarar desafios. um deles foi o teatro do parque, no recife, nas últimas apresentações de "a vida na praça roosevelt". vamos lá. evoé!
Escrito por alberto guzik às 17h27
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the last one
é hoje meu último encontro com pedro gailo. me sinto triste. não gosto dele. é um fraco, um babaca, um vicioso. mas como gostei de fazer pedro! me apaixonei. é a sina do ator. quem fizer um vilão e não se apaixonar, nunca vai chegar perto do papel. e pedro gailo nem chega a ser um vilão. é apenas um canalha, casado com uma maluca e pai de uma filha mais doida que ele. eu construí pedro com muito carinho. e vou sentir uma tremenda saudade de vestir a pele dele e entrar em cena. aprendi muuuita coisa nesse mergulho.
Escrito por alberto guzik às 16h45
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phedra sem blog
o blog da phedra saiu do ar. bem agora que ela ganhou um computador e pretendie retomar à blogagem a todo vapor. ela não sabe o que aconteceu com o blog. mas um blog só sai do ar se alguém o apaga. perguntei uma vez pro meu amigo moreno, que trabalha no uol, se um blog pode ser deletado pelo provedor por falta de uso. ele disse que não. então alguém deletou o blog da phedra. quem terá sido uma pessoa assim ruim? ou foi algum fã revoltado porque ela não escrevia nada no blog desde janeiro? mistérios...
Escrito por alberto guzik às 11h42
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Dia das Mães
Dia das Mães. Gosto da minha mãe. Mas não gosto do dia das mães. Como não gosto do dia dos pais, do índio, do teatro, da secretária, da mulher, do peão de rodeio, do gandula, do professor, do funcionário público... Sei lá. Não gosto desses dias. Nem um pouquinho. Comprei um presentinho pra minha mãe. E vou almoçar com ela. Pra comemorar o dia de que eu não gosto.
Escrito por alberto guzik às 11h33
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