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os dias e as horas - blog do alberto guzik


goethe e woolf. fase densa

a cada dia estou mais fascinado pela leitura de 'wilhelm meister'. discursos sem fim sobre teatro. mas não abandonei os contos de virginia woolf, que ganhei do meu amadíssimo ivam cabral. ainda bem que os contos são breves, e embora fortíssimos, se permitem ler em partes. cada conto é um pedaço que se pode saborear (serpa que esse é o termo certo?) inteiro. enquanto isso, 'meister' exige a abertura de uma hora do dia para o mergulho na história do jovem protagonista, que é também a de seu narrador, que no livro é invisível, mas tem no livro uma presença tão forte quanto wilhelm.



Escrito por alberto guzik às 19h05
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Nando Reis

"Amor, eu te proíbo / de não me querer."

Escrito por alberto guzik às 18h57
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e por falar em mulheres

que também estão à mostra, mas de um modo infinitamente mais íntegro, vibro aqui com maurren maggi, que ontem foi medalha de ouro no salto à distância, e com a seleção de vôlei feminina, que acaba de ganhar, agora mesmo, o ouro, em um jogo disputadíssimo com a seleção dos estados unidos.

Escrito por alberto guzik às 10h59
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mulheres à mostra

Alguma coisa estranha acontece no território feminino. Conquistas decisivas, como a Lei Maria da Penha, mostram que as mulheres nos últimos 50 anos avançaram no caminho dos direitos iguais e na luta contra a truculência machista. Muitas mulheres continuam a ser espancadas e abusadas por maridos violentos. Mas hoje têm mais instrumentos de defesa para apoiá-las. Ao mesmo tempo que a gente nota essas evidentes conquistas, percebe fatos estranhos também. Eles têm a ver com a exibição do corpo feminino como "objeto" de prazer. Na capa da "Ilustrada" de ontem, logo abaixo da manchete que anuncia a volta do jazzista Sonny Rollins ao Brasil, escolhida para ser matéria de capa que não é matéria de capa, porque está na página 4, havia uma foto estranha. Mariana Ximenes, a atriz, posou para a grife Arezzo, que fabrica assessórios, usando uma blusinha rendada justa feito segunda-pele e uma calçola (pois aquilo é uma supercalcinha) branca. Numa pose estranha, exibe o corpo assim exposto numa roupa pensada pra ser erótica, usando um grande colar, um cinto tipo corsário, bem largo, umas sandálias que sobem até as canelas, e tem ao lado uma grande bolsa. A bela mulher exiguamente vestida, numa pose desengonçada, meio besta, empresta sua beleza para vender produtos de gosto bem discutível, destinados, como informa a foto, ao 'verão 2009'. Mas não é só na publicidade da "Ilustrada" que se encontram mulheres como chamariz de vendas. Na revista de luxo "wishreport" número 23, que recebi esta semana, há um editorial de moda masculina para jovens milionários, marcas caras e exclusivas, uma linha exatamente igual à moda masculina que usam os velhos milionários. Quatro modelos absolutamente vestidos, todos com cara de jovens industriais muiiito ricos, dividem espaços escuros, forrados de madeira e couro, com duas jovens e belas modelos, Sheila Baum e Marcelle Bittar, que estão nuas nuas. Usam apenas sapatos, jóias e bolsas. Não temos nudez frontal, mas fora isso, o corpo das moças aparece no centro das fotos e as domina. Como a imagem ilógica da mulher nua no "Déjeuner sur l'Herbe", de Monet. Se estivessemos em outros tempos, as feministas certamente já estariam chiando contra essa reobjetificação do corpo da mulher. Nos dias que correm não ouvi nenhuma voz contra esse despautério. Acho que a coisa não me teria chamado a atenção se não tivesse visto, um dia depois de receber a "wishreport", a foto da Mariana Ximenes com aquela pouca roupa e aquela pose desengonçada na capa da "Ilustrada". Tenho registrado que sinto que estamos em um processo de volta atrás. Retrocesso em um monte de territórios. Essa utilização da nudez ou da semi-nudez feminina pra vender coisas faz parte do quadro geral. Era algo que me parecia enterrado no passado, ou limitado a guetos, como as "Playboy" da vida. Eu estava enganado. Eu, como todo mundo, sou sensível à beleza física das mulheres. Admiro a nudez. Mas não a objetificação das moças. E foi isso que vi no editorial da "wish" e na foto da "Ilustrada". Eissaí.



Escrito por alberto guzik às 10h55
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os emos do metrô

quando entro no metrô da estação paraíso, rumo à vila madalena, dois garotos emos embarcam no vagão comigo. quer dizer, acho que são emos. faz frio, mas os dois vestem camisetas sem mangas. um deles é mais alto, está todo de preto, sapatos, calça cigarrete, camiseta. e uma jaqueta xadrez na mão. o cabelo desce em franja na testa e é cortado em mullet na nuca. cabelo amarelo, levemente esverdeado. esse garoto mais alto é branco branco branco e sobre o cabelo verde-louro usa um chapéu coco preto. outro deles é menor, cabelo castanho, também franja na testa e mullet na nuca. veste camiseta marrom, calça cigarrete preta, umas botas de salto de borracha vermelhas, parecem um par de tenis desengonçado. o garoto menor carrega uma jaqueta de aviador com gola felpuda. e usa alargadores de lóbulo nas orelhas. os dois conversam enquanto obsessivamente arrumam os cabelos e rearrumam os cabelos e arrumam mais os cabelos, um fio pra cá, outro pra lá. e daí se levantam pra sair. quando descobrem que as janelas do metrô refletem imagens. imediatamente olham-se no vidro e começam a rearrumar todo o cabelo que arrumaram durante o curto trajeto de quatro estações. saem comigo na consolação, desembarcam na mesma direção. e na escada rolante rumo à paulista continuam a conversar e a arrumar os cabelos. que dupla!

Escrito por alberto guzik às 23h44
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goethe e depois mann

por causa do livro novo, não por causa dele, mas por questões que têm a ver com ele, percebo que entro em uma fase de literatura alemã. depois de atravessar 'wilhelm meister', que está me seduzindo inteiro, vou voltar a thomas mann, um dos meus preferidos de todos os tempos. quero reler 'josé e seus irmãos', narrativa magnífica em quatro volumes, quase tão interminável quanto a própria bíblia, em que o autor se inspirou. mann mergulha nas raízes da civilização para daí extrair uma obra de proporções homéricas. mann, o intimista, o relator do conteúdo das malas de von aschenbach em 'morte em veneza', homérico? em 'josé e seus irmãos', é homérico, sim. majestoso e sábio. quanto ao 'meister', estou muito no começo. mas é extremamente sedutor. para quem gosta de teatro, então, é uma viagem pelas tradições teatrais de 200 anos atrás. com a vantagem de serem vistas, não pela ótica da história, mas pela perspectiva da ficção. ou seja, narrado com a cor e a dor das descobertas e das decepções. delicioso.

Escrito por alberto guzik às 17h22
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poster de cinema

quem cresceu indo ao cinema e já não teve mania de cartaz de cinema? eu tive muita. adorava poster de cinema na parede do meu quarto, quando era adolescente. daí os pôsteres envelheceram, perderam as cores, se rasgaram. mas durante um tempo eles brilharam gloriosos pra mim, prometendo drama, romance, ação, emoção. agora tem uma big exposição de cartazes de cinema nacionais e internacionais lá no museu de arte brasileira da faap. uma viagem no tempo. tem montes de coisas, do 'anastácio' de mazzaropi ao 'metrópolis' do lang, 'o gato preto', com boris karloff e bela lugosi, 'compulsion', de orson welles. uma exposição que enche olhos e memória e fica em cartaz até 12 de setembro. que gosta de cinema e de artes gráficas não pode perder.

Escrito por alberto guzik às 16h58
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o fogo no teatro

eu não páro de pensar no incêndio que devorou o cultura artística. ivam ontem no camarim me revelou que a mesma coisa acontece com ele. um monte de coisas misturam-se aí, de permeio com uma ampla reflexão sobre cultura, arte, teatro, tudo.

Escrito por alberto guzik às 09h56
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civilização frágil

nem é preciso ir atrás de teorias de historiadores e sociólogos. bastam uma hora à noite sem energia ou vinte e quatro horas sem água (as duas carências rolaram aqui entre terça e quinta) para percebermos como são precárias todas as nossas "qualidades" de vida. que civilização frágil essa que construímos!



Escrito por alberto guzik às 09h53
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do post de hoje do blog do gerald

"Um bando de seres com cremes caros nas caras com seus iPhones nas mãos checando NADA e mandando seu chatsinhos pra nada e lugar nenhum e reclamando de barriga cheia, até que um dia….

Até que um dia vira uma bomba. Até que um dia a casa cai. Até que um dia a morte chega perto. Até que um dia a cara do inimigo não será mais objeto ridículo de propaganda e uma Dresden será encontrada arrasada ou uma Hiroshima dizimada. E aí, quando a guerra aterrissar no quintal, todos exclamarão num uníssono 'WOW, como isso pode acontecer????'"



Escrito por alberto guzik às 17h50
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Na Bolívia o "Vestido" vai ser assim. A tradução é do Rô, com supervisão do Reinaldo Montero

PADRE

(continuando la frase) -… en una orgia loca. “

 

MADRE

¿- Y todo eso aquí?

 

PADRE

¡- Aquí, pues entonces!

 

MADRE

Alaíde y Lúcia viviendo en la casa de la señora Clessi. Por supuesto, dormia en la habitación de Alaíde. ¡La mejor de la casa!

 

PADRE

¡Olvidate de la mujer! ¡Ya murió!

 

MADRE

Asesinada. ¿El periódico no lo decía?

 

PADRE

Si. Yo ni soñaba conocerte aún. Fué un crimen muy famoso. Habia hasta una fotografía.



Escrito por alberto guzik às 16h04
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"Soneto Carioca #2, do grande Glauco Mattoso

"Na mui leal e heróica se instalava / a corte joanina, lá nos oito. / Algum principezinho mais afoito / ficou, e ela deixou de ser escrava. // Hoje é maravilhosa, a nossa oitava. / Por vezes em seus píncaros pernoito / durante a dor da insônia, após o coito, / enquanto a Guanabara a reconcava. // Nem praia, nem estádio me seduz. / Cenários que relembro são do bonde / passando sobre os arcos de pés nus. // Atrás do balneário é que se esconde / o bairro dos poetas jururus. / Santa Teresa fica não sei onde..."

Escrito por alberto guzik às 12h26
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Minha "filha' na rede. Viva a Cléo, que eu muito amo

Bate-papo UOL - Cléo De Páris‏
22/08/2008 - SEXTA, 16h



Cléo De Páris
- atriz

Montagem contemporânea para "Vestido de Noiva", texto clássico de Nelson Rodrigues em cartaz no Centro Cultura São Paulo (SP), até 7 de setembro, é tema de papo com a gaúcha, atriz dos Satyros. Cléo fala ainda sobre sua participação no novo filme de Zé do Caixão, "Encarnação do Demônio" - selecionado para a seção fora de concurso da 65ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica do Festival de Veneza, e no curta de Rodrigo Grota, "Booker Pittman", vencedor dos troféus "Prêmio Especial do Júri", "Diretor de Arte", "Melhor Música" e "Crítica" no Festival de Gramado 2008.

http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/#cleo



Escrito por alberto guzik às 12h16
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o show da elke, e depois o show da phedra. uau!

esse eu não perco. elke maravilha vem aí. num show chamado 'do sagrado ao profano'. estréia dia 5 de setembro, nos parlapas, lá na roosevelt, à meia-noite. o nome do show não pode ser mais promissor. elke é uma figuraça! e o show da elke marca uma fase de grandes espetáculos com grandes mulheres lá na roosevelt. no começo do próximo ano, nossa diva, phedra d. córdoba também vai se apresentar em um grande show, com orquestra e tudo. vai ser o máximo. o show da elke tem carreira curta. vai só até o início de outubro. então é bom o povo ficar antenado. e o show de phedra, no começo de 2008, é parte de uma grande comemoração. mas calma, uma coisa de cada vez. acabo de perceber que no post abaixo estou todo grave e sério, chamando a atenção para o grito de alerta e indignação de gerald thomas, e que agora estou pedindo passagem para os estrasses, as purpurinas e os paetês de elke e phedra. fazer o quê. eu sou assim. muito sério, muito grave, muito poético e literário, mas não resisto a um brilho de lantejoulas. that's me, babe.

Escrito por alberto guzik às 12h07
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o brado do gerald

leram no blog do gerald o brado? ele afirma que somos todos co-responsáveis pelo incêndio do cultura artística. se não leram, leiam. gerald tem, como sempre, a coragem de tocar numa ferida sobre a qual todos silenciam.



Escrito por alberto guzik às 18h42
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Do blog 'Inabitado Forever'

"Eu queria conseguir entender pq é tão complicado fazer o que não é necessário. Eu queria talvez conseguir te contar uma historia desnecessária. Eu queria saber um pouco menos do que você precisa. Eu queria ter mais tempo de vida. Eu não queria ter perdido tanto tempo da minha vida."

Escrito por alberto guzik às 17h25
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wilhelm meister

começo enfim a ler, com décadas de atraso em relação a minha formação, um dos grandes clássicos da literatura mundial, 'wilhelm meister lehrjahre', ou 'os anos de aprendizado de wilhelm meister', uma das grandes obras de goethe. lançado em 1794/96, o livro é considerado pioneiro de uma ilustríssima tradição literária. foi o primeiro dos 'bildungsroman', ou romances de formação, que contam a história do amadurecimento de um caráter. wilhelm meister é filho de burgueses que não quer para si uma carreira comercial. na busca de seu destino, à procura de si mesmo, vai unir-se a uma companhia de atores, onde se torna dramaturgo e inteprete. o livro acompanha o herói na sua caminhada. e o romance se deixa devorar, numa prosa fluente, irônica, ágil. eu, que, quando pensava em goethe, lembrava do peso shakespeariano de seu 'goetz von berlichingen', das torturas românticas dos 'sofrimentos do jovem werther' e da vocação universal e enciclopédica das alturas e abismos dos dois 'fausto', estou encantado com a facilidade com que 'wilhelm meister' se permite desbravar. a edição ótima, cheia de notas imprescindíveis, com muito boa tradução de nicolino simone neto, é da editora 34, e foi lançada em 2006. está em oferta, com outros excelentes livros da 34, na livraria nobel do frei caneca. por conta da minha ligação de vida inteira com o teatro, e pelo fato de saber que o livro era em parte um romance teatral, 'wilhelm meister' foi sempre uma obra que eu me prometia ler. e nunca que isso acontecia. agora, até por conta do meu livro novo, pois uma coisa está ligada à outra, chegou o momento. enfim. eis um trechinho do livro, destacado no prefácio de marcus vinicius mazzari:

"Só todos os homens juntos compõem a humanidade, só todas as forças reunidas, o mundo. Com freqüência, estas encontram-se em conflito entre si, e enquanto buscam destruir-se mutuamente, a natureza as mantém unidas e as reproduz".



Escrito por alberto guzik às 17h04
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incólume

creio que passei ileso pelas possíveis agruras da vacina contra a febre amarela. estava com medo de algum revertério por conta da gripe monstra que me derrubou há duas semanas. mas so far so good.

Escrito por alberto guzik às 11h49
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o livro da lenise

a exímia fotógrafa de cena e bastidores lenise pinheiro lança hoje em livro seu balanço de 25 anos dedicados a capturar a vida cênica por meio das lentes de suas máquinas. o livro, longamente almejado por ela, é resultado de mais um trabalho das edições sesc, e será lançado hoje, oito da noite, na bienal do livro, no estade do sesc, com um debate e sessão de autógrafos. eu não vou. estarei em cena pra mais uma sessão de 'vestido de noiva'. mas quem curte teatro deve ir lá. o que lenise pinheiro obtém de suas lentes é inspirado e inspirador.

Escrito por alberto guzik às 11h40
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sempre segue

o livro novo continua a avançar. não está fácil nem é simples. as idéias estão consolidadas, a história continua a se contar para mim e eu vou jogando na tela as peripécias do meu pobre herói. já tenho acho que um terço do livro pronto, ou quase. imagino que chegará a 300 páginas, e estou com perto de cem já escritas. o processo é um mergulho em tunel. desde que comecei a escrever, quase não tenho ido a cinema, quase não tenho visto teatro, quase não vejo amigos. saio correndo sempre de volta para casa, de volta pro livro. volto obsessivo até mesmo pras sessões em que fico olhando a tela e o máximo que faço é trocar uma palavra ali e acrescentar uma linha aqui. dolorido, dolorido. jerry thomas, meu amado amigo, escreve para dizer que desde outro dia sente um tom estranho no que eu escrevo. acho que tudo que posto aqui está contaminado por essa grande aventura, que é o meu processo com o romance. há momentos de paraíso e muitos outros de desespero absoluto. tantas horas penso em desistir, em abrir mão. me pergunto por que estou contando essa história. pra quem estou contando. me pergunto por que esse livro me escolheu pra escrevê-lo. em outros momentos sei que ninguém senão eu poderia escrever isso. ainda não é o caso de abrir a trama nem de contar detalhes. mas, como jerry informou no blog dele em primeira mão, o título do livro é: "um crítico".

Escrito por alberto guzik às 11h29
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vejo as fotos

do incêndio do cultura artística, leio as matérias. tudo tão triste. penso nas pessoas que conheço e estimo, que trabalharam lá por anos. muita melancolia. agora vem a notícia de que as paredes podem estar perto de desabar. meu amado ivam, ao chegar no camarim do jardel filho, no domingo, disse várias vezes que nós não somos nada. ele tem razão, não somos mesmo. mas, como ele mesmo deixou evidente em um post a que deu o título 'mudando de disco', é preciso seguir adiante e, até que voltemos ao nada de que somos feitos, melhor é avançar com toda a graça, habilidade, inteligência e dignidade de que somos capazes. 

Escrito por alberto guzik às 11h53
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estou

ouvindo muito 'viva la vida' do coldplay. chris martin e sua turma fazem som do bom.

Escrito por alberto guzik às 11h47
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um dia é da caça...

ontem marta e as meninas do futebol fizeram 4x1 na alemanha e garantiram no mínimo a prata. hoje ronaldinho e os meninos do futebol estão levando de 3x0 da argentina.

Escrito por alberto guzik às 11h46
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Konstantinos Kaváfis

MELANCOLIA DE JASÃO, FILHO DE CLEANDRO, POETA EM COMAGENA, 595 D.C.

"O envelhecimento do meu corpo, do meu rosto / é a ferida de um punhal terrível. / Como não tenho resignação nenhuma, / recorro a ti, oh Arte da Poesia, / que algo sabes de remédios, / na tentativa de embotar a dor com Fantasia e Verbo. // É a ferida de um punhal terrível. - / Dá-me dos teus remédios, Arte da Poesia, / que me fazem - um instante - não sentir a ferida." tradução de josé paulo paes



Escrito por alberto guzik às 11h31
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já que outro dia indiquei um texto candente no blog do Ademir Assunção

posto aqui mais um dos poemas de "LSD Nô":

MEIO DESLIGADO

vou recolher as antenas / vou ser apenas / vou falar sem falar / viver às margens do Sena / vou ver / vai ver eu volte / tchau / vou ver se estou numa esquina de Atenas



Escrito por alberto guzik às 11h26
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tipo urbano

louríssima. pele branquíssima. cabelos repartidos ao meio, descem bem abaixo dos ombros. muito bem tratados. parecem cabelos que aparecem nesses inacreditáveis comerciais de xampu. ela não é pequena. é grande, meio grandalhona, até. mas se comporta como se fosse uma miniatura de porcelana de saxe. toda delicadinha, toda cheia de gestinhos. carrega várias sacolas de compras, só lojas chiques, e uma grande bolsa com o d de dior, aquele d arredondado, barrigudo, estampado por toda a superfície. a loura branca está muito bem maquiada, tudo suave, combinando com sua tez, que parece uma máscara de gueixa. ela está parada, à espera. a roupa é estranha. essa mulher grande, talvez a big blonde da dorothy parker escapada da ficção, usa um sortinho preto que vai só até o comecinho das redondas coxas. usa meias de seda bege-claras e sapatos pretos de verniz de saltos bem altos e bicos pontiagudos. ao contrário dessas pernas à vista plantadas sobre os lustrosos saltos altos, o torso e os braços estão totalmente cobertos. veste blusa branca de mangas compridas com um grande jabot de renda branca pendurado da gola. por cima uma jaqueta preta, do mesmo tecido e cor dos shortinhos, com botões dourados na frente e nos punhos. várias correntes douradas ao pescoço. tantos dourados ornam com os cabelos cor de trigo. ela é muito chique, mas um tanto desconjuntada. enfim pára um carro prateado ao seu lado. vidros protegidos por filme, impossível saber quem está dentro; abre-se uma porta, a big loira acomoda as sacolas no banco de trás e daí vai, muito calma e grande e linda, para o assento do carona. e lá vai ela no carro prata. uma mulher imperial.



Escrito por alberto guzik às 10h57
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so far

sobrevivi à vacina contra a febre amarela. ao menos até agora.

Escrito por alberto guzik às 10h45
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vereda tropical

acordo bem cedo. vou com o ator chico ribas ao hospital das clínicas tomar vacina pra febre amarela. entraremos numa vereda tropical. depois que a temporada terminar no centro cultural, no dia 7 de setembro, vamos levar o 'vestido de noiva' pra bolívia. meados de setembro estaremos em santa cruz de la sierra. a idéia é levar o texto parte em espanhol, parte em português, como aconteceu com 'liz', em havana.

Escrito por alberto guzik às 07h53
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o fogo

entrem no blog do ivam e vejam as fotos que ele tirou do incêndio no teatro cultura artística. ele capturou a tragédia no instante em que ela ocorria. e na fumaça fotografada pelo ivam, há caras, máscaras. só consigo lembrar, como legenda pras fotos dele, das últimas palavras de 'no coração das trevas', de joseph conrad: "o horror, o horror". é uma desolação. e o que será dos colegas que perderam cenários e figurinos, ou seja, perderam a base de seu trabalho? que faz um ator sem cenários e figurinos? como 'o bem-amado' e 'toc toc' vão poder voltar ao cartaz? a semana começa triste, meu deus.

Escrito por alberto guzik às 07h50
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outro grande amigo escreve pra contar que gastaria R$ 1500, se tivesse, pra ver andrea marcovicci. sabem quem é? atriz e cantora e performer. a grande e única diva moderna da arte de cabaré. tenho de admitir que esse meu amigo tem muito bom gosto, muito mesmo. ainda assim, nem por andrea marcovicci eu pagaria milequinhentão. 



Escrito por alberto guzik às 18h31
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outra versão

meu amigo se tornou pai há um ano. e depois de ler aqui sobre a versão do filho da lúcia pra 'garota de ipanema' me contou que também adotou uma outra letra pra música clássica de tom e vinicius. diz ele que de manhã, ao café, quando a filhota está brincando os pés dele, ele cantarola, com todo o afinamento de que é capaz: 'olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é essa antônia que vem e que passa, num doce balanço a caminho do pai'. não é absolutamente encantador?

Escrito por alberto guzik às 18h27
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incêndio

o teatro cultura artística pegou fogo. salvou-se o painel de pastilhas de di cavalcanti na fachada. mas a sala esther mesquita foi destruída. e uma grande parte dos equipamentos internos também. penso em meus colegas que iriam atuar lá esta noite. penso nos concertos que iriam realizar-se lá nos próximos dias e semanas. e penso que a destruição do teatro dói em mim como se fosse a de alguém próximo que eu amo. um teatro não é apenas um prédio. e sua destruição não é apenas um incêndio. tem sempre uma carga de metáfora imensa. além das memórias que acorrem. a quantidade de coisas que eu vi e vivi nesses anos todos no cultura... espero que como a fênix ele possa renascer das cinzas. mas imagino como isso será difícil. a cultura em são paulo perde um "local de culto", e tem de vestir luto.

Escrito por alberto guzik às 18h00
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respeito, ganhos e perdas

meu respeito por césar cielo filho aumentou ante o modo como ele se comportou depois de ganhar a medalha de ouro. meu respeito por diego hyppolito aumentou ante o modo como ele se comportou depois de perder a mesma medalha.



Escrito por alberto guzik às 12h33
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raul e emilio

vi hoje cedo num programa de curtas do canal brasil 'imminente luna', de maurício lanzara, rodado em 2000. o filme não é exatamente um curta. nem um longa. tem 25 minutos. tempo pra se contar uma história bem contada. se fosse prosa, não seria nem romance nem conto, mas novela. essa 'novela' cinemática é notável. porque tem no elenco dois grandes atores, raul cortez e emilio di biasi. coisa pouca faz o roteiro. são dois velhos que têm que conviver em um quarto, num asilo pobre e carente de qualquer luxo. o quarto não tem banheiro nem rádio ou tevê. tem só uma janela, que fica no alto da parede. pra se ter acesso a ela, é preciso subir numa cadeira. raul faz o velho mais enérgico, inventivo, imaginativo, capaz de ocupar a vida. emilio vive o velho chato, não consegue mais sair da cama, reclama de tudo, quer um quarto sozinho. magnifico no filme de lanzara é o processo dos atores. a partir desse roteiro tão convencional, comum, raul e emilio desenham personagens com uma habilidade, um sabor, uma mestria que encantam. o filme existe por eles e para eles. cada pequeno gesto, cada olhar, cada movimento, são providos de um sentido, de uma carga humana únicos, coisa reminiscente do melhor do neo-realismo. do filme emana aquela energia que leva o espectador a não desgrudar o olho da tela durante o tempo todo. a história bonita, triste, dá ganho de causa ao poder da imaginação. e as atuações de emilio e raul, dois magníficos criadores, transformam o curta de lanzara em uma preciosa aula de atuação. quem não viu, deve ver. "imminente luna".

Escrito por alberto guzik às 11h31
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