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os dias e as horas - blog do alberto guzik


"rainha[(s)]"

vi "rainha[(s)]". se quiserem saber por que elas grafaram o nome assim, com o s entre colchetes e parênteses, sugiro que perguntem pra cibele forjaz, a diretora, e pra isabel teixeira e a georgette fadel, as atrizes, que são, a seis mãos, responsáveis pela dramaturgia do espetáculo. ele foi adaptado da "maria stuart", de friedrich von schiller. o texto original é uma das obras-primas do teatro romântico e da dramaturgia mundial no todo. uma criação grandiosa, uma tragédia de intensa ressonância. nem ia escrever sobre essas "rainhas" (vamos facilitar) pois que muitos já se derramaram em inúmeras palavras, em páginas inteiras, para tratar desse espetáculo. mas fiquei tão encantado pelo trabalho que tenho de registrar aqui, pelo menos, umas breves palavras sobre a inteligência com que a diretora e suas atrizes trataram sua matéria-prima. não fizeram uma versão ortodoxa, nem heterodoxa, da peça de schiller. cibele, georgette e isabel partiram de schiller para investigar algo muito mais amplo, o sentido ele mesmo da linguagem teatral, hoje. é um espetáculo sobre espetáculos. não conta uma história. desconta-a. a montagem tem um visual (cenário e figurinos) primoroso de simone mina e uma direção tremendamente madura, ponderada, sutil e rasgada, de cibele forjaz. luz, música, tudo está encaixado de forma exata nessa não-narrativa. é tudo isso é transmutado em puro prazer cênico por essas atrizes prodigiosas que são isabel teixeira e georgette fadel. elas se apropriam das personagens atrizes e das personagens rainhas com uma extraordinária riqueza de repertório. para mim "rainhas"está sem dúvida entre os melhores do ano. no topo da lista, junto com o "hamlet" de aderbal freire filho. os dois espetáculos têm em comum (aliás como também a "mary stuart" de denise stocklos") a lúcida investigação sobre as formas de narrar próprias do teatro. "rainhas / duas atrizes em busca de um coração" está terminando a temporada 2008. será apresentado hoje e amanhã, às 20h30, no sesc-paulista. vejam. é obrigatório. se não puderem neste fim de semana de jeito nenhum, o trabalho volta em janeiro. corram atrás.



Escrito por alberto guzik às 18h22
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a entrevista do autor

um autor é entrevistado sobre seu último livro. sigo a entrevista com outros olhos, pois por acaso li o volume recentemente. e gostei muito, por sinal. romance sólido e escrita simples e sofisticada, se é que me entendem. acho engraçada a entrevista. o livro fala muito melhor de si mesmo do que o autor é capaz de falar. o autor se detém em explicações desnecessárias, ilumina aspectos de sua escrita que são muito mais fascinantes se deixados na sombra. ele não se queixa das dificuldades para escrever, tão banais e costumeiras. mas entra por um discurso facilitador que trai a complexidade da obra. nem todos são assim, claro. há autores que sabem falar de seu trabalho de maneira útil e interessante. mas inúmeros são os que não sabem. esse certamente é um deles. astier basílio já escreveu uma vez sobre isso. escritores deveriam pensar quinhentas vezes antes de dar entrevistas.



Escrito por alberto guzik às 17h25
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o livro novo

também já tem nome. logo logo conto. estou chegando a um ponto de virada. falta pouco para o climax. depois o desenlace e o epílogo. não é pouca coisa, mas estou me aproximando mais a cada dia da reta final.



Escrito por alberto guzik às 12h00
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Com certeza uma das mais lindas de Caetano Veloso.

"Mas pra quê? / Pra quê tanto céu? / Pra quê tanto mar? / Pra quê? / De quê serve / Esta onda / Que quebra? / E o vento / De tarde? / De que serve / A tarde? // Inútil paisagem // Pode ser / Que não venhas mais / Que não venhas / Nunca mais / De que servem / As flores / Que nascem / Pelo caminho? / Se o meu caminho / Sozinho é nada // Pode ser / Que não venhas mais / Que não venhas / Nunca mais / De quê servem / As flores / Que nascem / Pelo caminho? / Se o meu caminho / Sozinho é nada / É nada, é nada//



Escrito por alberto guzik às 10h09
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agora é oficial

depois da apresentação nas satyrianas, agora vou fazer o "monólogo da velha apresentadora", do marcelo mirisola, pra valer. já comecei a ensaiar. jô kowalick vai dirigir, ivam fará a trilha, vamos convidar alguém que muito admiramos pra fazer a luz. eu atuo. o texto cáustico do mirisola me parece melhor a cada leitura. nunca fiz monólogo antes. tou apertadinho de medo. mas gosto de desafios. e vou encarar esse trabalho ao mesmo tempo em que estou na reta final do romance. e como eu não sei me aquietar, vou também encarar nesse mês de férias a transcrição das gravações com helena ignez para seu livro, que já tem nome. depois eu conto. ah, pra quem quiser agendar desde já, o "monólogo da velha" vai fazer temporada às quartas e quintas, 23h, no espaço dos satyros 1, de 11 de fevereiro a 26 de março de 2009.



Escrito por alberto guzik às 17h50
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na faca, de leve

fiz uma pequena cirurgia hoje. probleminhas dermatológicos que tinha de tratar faz tempo. estava com receio, e não sem razão. a extração mais séria exigiu três pontos internos e três externos. estou com um grande curativo nas costas. mas entrei andando e sai andando do consultório, não senti nenhum grande incômodo. voltei pra casa a pé. sem dor nenhuma. bom que tenho um ótimo médico.



Escrito por alberto guzik às 14h21
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David Bowie, "Changes", um fragmento

"Ooo yeah
I watch the ripples change their size
But never leave the stream
Of warm impermanence and
So the days float through my eyes
But still the days seem the same
And these children that you spit on
As they try to change their worlds
Are immune to your consultations
They're quite aware of what they're going through

Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't tell them to grow up and out of it
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But you can't trace time"



Escrito por alberto guzik às 09h47
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agora ficou engraçado

tou dando risada. a tal instituição que eu achei semi-amadora não é mesmo semi. é amadora total, bagunçada e desorganizada. nunca vi!



Escrito por alberto guzik às 09h22
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derrocada

nada mais é sagrado. acabo de ouvir no rádio que membros da superprestigiada academia sueca, jurados do prêmio nobel, estão sendo investigados por corrupção. até eles!



Escrito por alberto guzik às 18h12
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ver ou não ver madonna?

daí a tentação chegou hoje, na forma de um telefonema. uma ex-aluna, do tipo supergentefina. tem um ingresso sobrando pro show da madonna. camarote. foi comprado por não sei quem que não vai poder ir. pergunta se eu já tenho ingresso. digo que não. me oferece. sei que é dos ingressos mais caros. dou a explicação que me parece lógica. tou com pouca grana, fim de ano. daí percebo que cometi uma baita gafe. ela me oferece o ingresso. como um presente. ele foi pago pela tal pessoa que não vai poder ir. então a tentação bate forte. será que eu me jogo? mas daí penso no texto que o serginho roveri escreveu no blog dele ontem, e com o qual concordo em gênero e número. ah, em grau também. que preguiça. preguiça de ver um show impecável, como impecável foi o show dela em 93, o deslumbrante 'girlie show', no mesmo morumbi. sei que 'sticky and sweet' será memorável. mas será que preciso de mais memórias de madonna? mais do que tenho na vivência real daquele show de antigamente e na vivência virtual a que a mídia nos obriga? eu sei até detalhes da separação dela com o cineasta aquele. quer saber? me deu uma preguiça enorme. sei que meu querido dyl pires veio de são luís do maranhão para, entre outras coisas, ver madonna. linda essa disponibilidade. entendo as razões de todo mundo que vai ao morumbi e está feliz, vibrando de antecipação. só que, quanto a mim, não sei não. ou melhor, sei que não quero a função. declinei delicadamente o convite de minha ex-aluna, para desapontamento dela. creio que ela julgou que minha reação seria de entusiástica adesão. não foi. sem dúvida estou velho, entre ir ao show de madonna e avançar na redação do livro, sei bem o que escolher. anyway, adoro madonna. de verdade. long live madonna. sem mim no estádio. não, não virei um urso. longe disso. se não estou pra megashows, amanhã irei com meu amado ivam (que por sinal será um dos setenta mil felizes espectadores de madonna) ver "rainha(s)".



Escrito por alberto guzik às 17h03
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Os poemas, segundo Mário Quintana

"Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti..."



Escrito por alberto guzik às 10h13
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traição

tem um momento na vida da gente em que percebemos nitidamente que o corpo está começando a nos trair. estou nesse instante exato. por enquanto é só um começo. mas sei que o processo começa a se instalar. na verdade, instalado está desde que nasci. começa agora a se intensificar. combatê-lo? sem dúvida. negá-lo? como seria possível? é assim que é. e é muito bom perceber a coisa deste modo, com a consciência de que isto é assim.



Escrito por alberto guzik às 09h57
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Indignação

é horrível quando me comprometo a prestar serviços profissionais a instituições que se pretendem profissionais mas não passam de semi-amadoras. se é que são "semi". odeio isso.



Escrito por alberto guzik às 09h51
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sugestão

sem idéias pro que dar de natal? que tal uma caneta 007? que vem a ser? uma microfilmadora que grava três horas, em cores, resolução de 2.5 megapixels, com audio. que tal? depois descarrega tudo no micro. recebi o flyer hoje e achei a idéia eletrizante. tudo de que preciso pra encarar 2009 é uma caneta 007.



Escrito por alberto guzik às 20h11
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teoria e prática

ontem pela manhã houve uma reunião de professores na escola. num remanso da longa conversa sobre trabalho, técnicas, aplicações, avaliações, um dos presentes, excelente profissional, professor de atuação para tevê, cineasta formado por um curso universitário de alto coturno, diz alto e bom som que uma das causas do afastamento do público brasileiro das salas, a partir dos anos 60/70, foi o cinema novo e todo o mergulho em problemas existenciais e intelectuais que ele propunha. para um povo que aplaudia mazaroppi e as chanchadas da atlântida nos anos 50, teria sido areia demais pra um caminhãozinho bem inho. como a reunião não era pra discutir as causas do divórcio entre as platéias e o cinema brasileiro, a conversa ficou por aí. ontem á noite fui ver um bom espetáculo de alunos (vi dois, muito satisfatórios, no intervalo de três dias). voltei pra casa, trabalhei um pouco no computador, fui pra cama. liguei a tevê. o canal brasil estava exibindo "os herdeiros", que cacá diegues rodou no verão de 1968/69. não via o filme acho que desde que foi lançado, em 1970. "os herdeiros", que é brilhante, mostra diversas histórias articuladas ao redor do jornalista jorge, que vai passar pelo coronelismo, o getulismo, a redemocratização e a ditadura militar. adorei ter visto. no elenco pesos pesados, odete lara, sérgio cardoso, isabel ribeiro, grande otelo, mário lago, hugo carvana, paulo porto, dalva de oliveira,wilza carla, caetano veloso, nara leão, daniel filho, oswaldo loureiro, luiz linhares e até o francês jean-pierre léaud, protagonista de vários filmes de françois truffaut. a dramaturgia cinemanovista do roteiro de cacá diegues é extraordinária. o filme é todo alegórico, muito próximo do glauber rocha de "terra em transe" e muito distante de "veja esta canção" ou "deus é brasileiro", que diegues faria bem mais tarde. se o canal brasil quisesse me dar uma aula sobre o tipo de filme que, por mais extraordinário que fosse, era intransponível para o público que via mazaroppi e de repente deparou com obras desafiadoras, intelectuais, discursivas, os programadores da emissora não poderiam ter escolhido nada melhor que "os herdeiros". fiquei, hipnotizado, até alta madrugada, assistindo ao filme de diegues. e enquanto via, pensava na fala daquele professor que ama o cinema brasileiro, o cinema novo inclusive, mas considera que os filmes feitos a partir desse período têm uma série de características que distanciaram dele o povo.



Escrito por alberto guzik às 10h40
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Na tevê, início de diálogo entre reporter e um funcionário da Defesa Civil de Minas, agora atingida duramente pelas chuvas

Pergunta da reporter: Bom dia, o senhor nos ouve?

Resposta do funcionário: Ouvo tranquilamente.



Escrito por alberto guzik às 10h11
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Do fustigante George Bernard Shaw

"O especialista é um homem que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, e por fim acaba sabendo tudo sobre nada."

"A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente."

"Quando um homem quer matar um tigre, chama a isso desporto; quando é o tigre que quer matá-lo, chama a isso ferocidade. A distinção entre crime e justiça não é muito grande."



Escrito por alberto guzik às 00h04
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ela me disse

ela me perguntou se eu gosto de clarice. disse que muito, que gosto tanto que muitas vezes é difícil de ler, de tanto que dói. disse também que faz tempo que eu não leio clarice de noite, só de dia. como faço com livros que dão medo. clarice sempre me dá medo. daí ela me disse que acha que clarice, a lispector, tinha de ser clariSSe, e não clariCe. perguntei por quê. ela me olhou com uma expressão de 'esse aí não entende nada', e respondeu: 'porque com SS é muito mais forte, muito mais clarisse'. será? não sei. de qualquer modo, clarice pra ela:

"Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade." 



Escrito por alberto guzik às 16h01
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!

e de repente foi um jorro, como o petróleo do poço perfurado pelo gato james dean em seu último filme, 'giant', nos idos da década de 50. não sei se vai continuar assim. no estágio em que estou, o melhor é não criar expectativas. cada dia é um dia, e é preciso lidar com o dia do jeito que for. de qualquer modo, estou a caminho.



Escrito por alberto guzik às 08h50
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ia escrever

sobre as sapatadas que o bush levou no iraque (as imagens parecem tiradas das comédias de débi e loide). e também sobre a morte suicidada do sr. susana vieira. mas gerald thomas o fez por mim. entrem no blog dele.



Escrito por alberto guzik às 18h18
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no blog do roveri

há dois posts primorosos. um sobre o debate eterno (?) entre darwinistas e criacionistas, que tem animado bastante a seção de cartas da folha nos últimos dias. outro sobre a decoração de natal na avenida paulista e os congestionamentos que ela causa. o que a grande (?) imprensa está esperando para chamar o sérgio roveri e dar-lhe um ultramerecido posto de cronista? poucas pessoas conheço que têm relatado o cotidiano na cidade com propriedade, ironia e poesia. sergio roveri é certamente uma delas.



Escrito por alberto guzik às 18h10
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Deu a Louca na GloboNews?

Gente, daqui a pouco é bem capaz de a GloboNews virar BoboNius. Hoje cedo, numa edição do telejornal "Em Cima da Hora", em matéria sobre alarmes contra roubos que estão sendo instalados em residências de um bairro de Curitiba, a palavra "sirene" apareceu grafada várias vezes "CIRENE", assim mesmo, com C em vez de S. Acho que os redatores da Globo não sabem que SIRENE vem de SIRENA, ou SEREIA, ser mítico da Grécia antiga, cujo canto atraia navios para a morte. Do ruído que faziam esses seres fatais, aves que tinham cabeça de mulher, é que foi tirado o nome dos barulhentos alarmes. Então, povo do GloboNews, repitam com o professor: "SIRENE É COM S, NÃO COM C". E daí, como se não bastasse, no fim da edição, anunciando os shows de Madonna em São Paulo, o apresentador Eduardo Grillo disse que a estrela não faz shows às sextas-feiras por causa da MANDALA. Bem, será que ele não confundiu MANDALA com CABALA? Madonna, que eu saiba, estuda a cabala, não a mandala. Aliás, "mandala" a gente nem estuda, apenas usa pra ajudar na meditação. Não tenho conhecimento de alguma mandala que envolva proibições de trabalhar em determinados dias. Já a cabala, que é uma criação do misticismo judaico, tem tudo a ver com a proibição do trabalho da tarde de sexta à tarde de sabado, o sagrado shabat, dia em que Deus descansou depois de criar o mundo. Gente, alguém na GloboNews tem que prestar atenção nessas coisas. Eles não tem um ombudsman, não? Pois deviam.



Escrito por alberto guzik às 14h34
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o que será?

"Sodoma e Gomorra, Dias e Noites"



Escrito por alberto guzik às 12h08
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Eu no teatro amador

        Minha porta de entrada para a vida foi o teatro amador. As primeiras lembranças que tenho de mim na infância dizem respeito ao teatro. Criança hiperativa, segundo testemunhos dos mais próximos, meus pais buscavam me ocupar. E quando estava com quatro/cinco anos, entre 1948/49, eles me incluíram no elenco de um espetáculo infantil que estava sendo preparado por amigos de amigos, um casal de pioneiros do teatro infanto-juvenil brasileiro: Tatiana Belinky e Júlio Gouvêa. Pelas mãos carinhosas de meus pais, entrei para o teatro e para a esfera de influência desses dois seres luminosos. E em seu Teatro Escola São Paulo, o TESP, dei meus primeiros passos no palco. Já contei aqui no blog a história da minha estréia em "Peter Pan". É só darem uma pesquisada e acharão o relato da versão de Tatiana sobre a primeira vez em que atuei. E isso rolou no Theatro Municipal de São Paulo. Muito chic. Lembro até hoje de minha mãe me pôr no colo dela pra me ajudar a decorar as poucas falas que tinha, como um dos Meninos Perdidos de "Peter Pan". Pois então, depois desse evento ultramemorável em minha vida, minha relação com o teatro amador continuou de maneira quase ininterrupta e cessou somente quando, em meados da década de 60, me formei pela Escola de Arte Dramática em interpretação, curso no qual tive professores extraordinários, sobre os quais também já escrevi. Na verdade nem depois de formado deixei de me relacionar com os amadores. Nos anos 70, quando já era professor e crítico de teatro, foram várias as vezes em que atuei como jurado de festivais de amadores. Na verdade, até bem além daquela data. Minha última participação como jurado foi em 1989, no festival de amadores de São José do Rio Preto, que mais tarde deu lugar ao hoje muito elogiado e concorrido festival internacional da cidade. Estávamos no júri Lélia Abramo, a mítica atriz, Gabriel Villela, então um jovem diretor muito talentoso, e eu. Será que havia mais alguém? Esqueci. Bem, o que lembro bem é que o festival era tremendamente disputado e houve uma celeuma ao redor da decisão do júri. Creio que o grande problema foi termos dado o melhor espetáculo a um grupo e melhor direção a outro. Alguém se sentiu melindrado e houve muito disse me disse. O júri teve de defender seus pontos de vista, e ficou bem viva em mim a sensação de desagrado que o trabalho dos jurados causou naqueles amadores. Era um tempo em que o amadorismo tinha mais visibilidade, mais articulação, mais importância política. O teatro amador promovia festivais notáveis. E muitos grupos havia que não tinham a menor intenção de se profissionalizar. Eram amadores por definição, ponto final. Mudou o mundo e mudaram os amadores, com certeza. Mas ainda existem em grande número. Muitos de meus alunos vêm de grupos amadores, muita gente que chega aos Satyros testou seu vôo antes em trupes amadoras. Então, o teatro amador certamente tem espaço e importância palpáveis. Mas deixou de ser a força que fazia com que, quarenta anos atrás, os jornais destacassem repórteres para cobrir os festivais que eles realizavam. Dos meus tempos de amador o ponto alto foi "O Mágico de Oz", em adaptação não sei de quem, que fiz no final dos anos 50 com o grupo amador do Instituto Cultural Israelita-Brasileiro, na inauguração do belo teatro da entidade, o TAIB, um espaço que está à espera de um destino. Aquele "Mágico", dirigido pelo ator Felipe Wagner, foi lindo. Isa Kopelman, atriz, Sérgio Aizenberg, produtor, estavam no elenco, com mais uma porção de gente que não seguiu carreira cênica. Teatro foi pra mim um instrumento pra compreensão do mundo. E os amadores abriram-me as portas. Devo muito a eles.



Escrito por alberto guzik às 11h54
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a máquina não tá legal

começou a dar pau. exibe um aviso de malware instalado na memória ram. já reiniciei a coisa e escaneei tudo duas vezes. o aviso volta. falei com o rubens, meu técnico. me mandou baixar um antivirus. não consegui. sou inábil demais pra lidar com essas coisas. saco!



Escrito por alberto guzik às 10h28
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Sobre um livro que reli

A Editora Perspectiva lançou em 2003 um livro imprescindível para todos os estudiosos de teatro: professores, alunos, atores, diretores, técnicos e quantos mais se interessem pela matéria viva do espetáculo. Li então e reli agora, para embasar melhor uma série de questões sobre atuação que andam se chocando em minha cabeça, o tal livro que a Perspectiva lançou há cinco anos. O Cotidiano de uma Lenda é o nome da obra, organizada, escrita e compilada por Cristiane Layher Takeda. Ia escrever sobre, mas em vez disso, reproduzo aqui uma nota que publiquei quando a obra foi lançada. Acho que continua verdadeira, palavra por palavra: 'A autora, na verdade, foi buscar em livros, biografias e outros volumes similares algumas centenas de cartas que trocaram entre si os integrantes do Teatro de Arte de Moscou, no período que vai de 1898 a 1938. E selecionou parte delas, estudando-as e as organizando na grande coletânea que compõe a medula de O Cotidiano de uma Lenda. À primeira vista, pode parecer mera bisbilhotice essa circunavegação da correspondência alheia. Mas quando se sabe que os correspondentes são Constantin Stanislávski, Vsévolod Meyerhold, Anton Tchekhov, Nemirovitch-Dantchenko, Máxim Gorki e dezenas de outras figuras fundamentais do TAM e da arte cênica russa das primeiras décadas do século passado, a coisa muda de figura. Ainda mais porque a autora de Cotidiano de uma Lenda não se prendeu a fatos triviais do dia a dia de uma companhia teatral, mas buscou destacar na correspondência dessas figuras mitológicas os processos de trabalho do TAM. E este, haveremos de convir, não foi um grupo teatral comum, mas um dos mais influentes do século 20, a trupe que empreendeu uma das maiores revoluções contemporâneas que se conhece nos fundamentos e no processo da arte do ator. Em um tempo no qual  o teatro russo era o mais importante do mundo, o TAM estava entre os primeiros de sua terra. E sob a batuta de Stanislávski propagou uma estética e uma ética do trabalho do ator que são estudados e analisados até hoje, recriando-se por exemplo no Actor's Studio, fundado por Lee Strasberg, em Nova York, ou no trabalho do encenador Jerzy Grotowski, do grande mestre Eugênio Kusnet, etc, etc. As sementes dessa herança e algo do processo formador dessa tradição estão presentes em O Cotidiano de uma Lenda, onde percebemos o que queriam, o que pensavam, o que buscavam os formadores e os artistas do Teatro de Arte de Moscou. O trabalho de Takeda é um fino biscoito que deve ser atentamente saboreado por quem quer que deseje trabalhar com teatro".



Escrito por alberto guzik às 19h06
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o livro novo

durante uns dias avançou. até terminei mais um capítulo e comecei o seguinte. agora empacou mais uma vez. shit.



Escrito por alberto guzik às 11h47
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jerry dá aula magna no rio

jerry thomas hoje fecha a versão reduzida do riocenacontemporânea, com uma aula magna às 18h30. a aula será antecedida pela projeção de "o cão que insultava as mulheres", a montagem que foi apresentada apenas uma vez, no sesc paulista, em novembro. gostaria muito de estar lá pra ouvir a fala de jerry. viram a entrevista que ele deu à 'agenda' da globonews? fiquei arrepiado.



Escrito por alberto guzik às 11h31
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Paul Verlaine

Le ciel est, par-dessus le toit...

"Le ciel est, par-dessus le toit,
	    Si bleu, si calme!
Un arbre, par-dessus le toit,
	    Berce sa palme.
        
La cloche, dans le ciel qu'on voit,
	    Doucement tinte.
Un oiseau sur l'arbre qu'on voit
	    Chante sa plainte.
        
Mon Dieu, mon Dieu, la vie est là,
	    Simple et tranquille.
Cette paisible rumeur-là
	    Vient de la ville.
        
-Qu'as-tu fait, ô toi que voilà
	    Pleurant sans cesse,
Dis, qu'as-tu fait, toi que voilà,
	    De ta jeunesse ?"


Escrito por alberto guzik às 11h21
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