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os dias e as horas - blog do alberto guzik


Da "Velha Apresentadora" do grande Mirisola

"Outro dia entrevistei uma menina que nem sabia falar o próprio nome. Devia ter o quê?... No máximo quinze anos de idade. Maaaaaagra! Uma caveirinha. Tive vontade de mandá-la para um hospital. Mas me obrigaram - o ponto, sempre o maldito ponto - me obrigaram a dizer que ela era uma fofa! Uma caveira!!"



Escrito por alberto guzik às 19h05
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Woody Allen

"É agradável, de tempos em tempos, tentar imaginar o que teria sido a existência se Deus tivesse conseguido um orçamento e roteirista melhores".



Escrito por alberto guzik às 11h51
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Caio Fernando Abreu

"Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo por que digo 'mais', se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora."



Escrito por alberto guzik às 09h07
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entrevista

ficou legal a entrevista que eu dei pro cultblog pra falar um pouco de tudo e também da estréia da "velha apresentadora", no dia 11/02, no satyros 1. a rede tem isso de legal. o walber schwartz, que escreve prum site lá no sul de minas, uberlândia, uberaba, aquela região, me conhece por ser fã do mirisola e da praça roosevelt. daí soube por um texto do mirisola da estréia da "velha" e descola meu contato via uma amiga comum, maria clara spinelli, emergente atriz. então me pede uma entrevista. manda as perguntas por mail. respondo by phone, uma longa conversa, gostosa, inteligente. e hoje recebo do walber mail dizendo que o texto tá no ar. não só tá no ar como eu tou na home do site. acessem: http://www.cultblog.com.br . falei tanto que o walber foi obrigado a dividir a entrevista em duas partes. a primeira ficou ficou porreta, como diria meu amigo wellington, do recife. falo muito da roosevelt, dos satyros, de teatro. entrem lá e vejam.



Escrito por alberto guzik às 08h57
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corre

faltam pouco mais de trinta páginas. e terei terminado.



Escrito por alberto guzik às 22h25
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Chuá

Choveu. E São Paulo parou de um jeito que faz tempo eu não via. Desde o Natal de 2008. As ruas estão um inferno de carros que não saem do lugar. Acabou a trégua. Voltamos ao normal, ao caos. Céus!



Escrito por alberto guzik às 21h21
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ontem fui ver "abba, o filme"

lasse halstrom, que depois ganharia oscar por "minha vida de cachorro", fez um semi-doc bobo e uma semi-ficção boba ao redor de uma turnê do grupo sueco pela austrália, em 1977. poderia ter rodado um ótimo documentário sobre o grupo no momento de seu maior sucesso, mas fez um filmeco. a trilha é recheada de lados B do abba, músicas que a gente não conhece mais ou nunca conheceu. dos grandes hits só 'waterloo', 'dancing queen', 'money money'. a trama ficcional é patética: enquanto o grupo viaja pela austrália, um repórter tenta a qualquer custo uma entrevista com o quarteto. não consegue nunca. tudo muito besta e previsível. tão besta e previsível que é até divertido. vai virar cult. o cinema ontem estava lotadinho. 

pra quem quiser ver e saber mais sobre o abba, que estourou e acabou na década de 70 e comecinho dos 80, há um documentário de verdade, muito bem feito e muito melhor do que esse de hallstrom. é "the winner takes it all" (nome de um dos hiper-sucessos do grupo que não faz parte do filme de hallstrom simplesmente porque ainda não havia sido composta). o filme foi dirigido em 1999 por chris hunt e tem muito material sobre o grupo, desde gravações familiares até registros dos grandes shows e turnês. fala com os dois (ex-)casais que atuaram na banda, com músicos e produtores, com gente que foi influenciada por eles ou era fã deles (como, o que é curioso, bono, do u2), mostra as multidões que foram mobilizadas em todo o mundo no auge do sucesso do abba. e vai aos bastidores para flagrar os altos e baixos, as brigas, os desentendimentos. traça o que aconteceu com cada um deles depois do fim do grupo, e desvenda o destino melancólico da linda e loura agnetha, que, depressiva, isolou-se e teve até problemas com um fã assediador, o qual, como se descobriu, ela chegara a namorar por algum tempo antes que ele se tornasse ameaçador. "the winner takes it all" é o documentário que uma banda como o abba merece. "abba, o filme" é uma bobaginha que tem o mérito (?) de ser ingênuo e brega até limites inacreditáveis. eu vi "the winner takes it all" quando estava voltando de uma viagem ao chile com o serginho roveri. foi um inesperado ponto alto num vôo tedioso. não sei se foi exibido comercialmente no brasil. mas para fãs do abba (e ainda os há), informo que está à venda na amazon.



Escrito por alberto guzik às 11h51
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molho com displicência???

ontem ouvi o programete do alex atala na eldorado. é simpático e simples e interessante. no programete atala ele deu a receita de um molho para salada ou para cordeiro, feito à base de iogurte natural, temperos e pepino sem casca, cortado em fatias bem fininhas. daí o grande chef sugere que o molho deve ser mexido sem pressa, "com displicência e alegria". claro que uma pessoa pode estar alegre ao cozinhar. por que não? mas que história é essa de misturar o molho com displicência? o que é que o atala queria dizer com isso? será que ele quer dizer que é bom fazer lambança e não um trabalho muito asseado? que é legal deixar o molho esparramar pra tudo que é lado? não deve ser por aí. mas não sei mesmo o que é misturar um molho com displicência. eu, hein!

p.s. ontem voltei a ouvir o programinha do atala (inha ou ete não porque é menor, mas porque é breve, não chega a dois minutos), e ele gosta mesmo de tomar liberdades poéticas com as palavras. definiu a moqueca capixaba como mais "complexa" que a baiana. como um cozido de peixe e frutos do mar pode ser mais "complexo" que outro? mas não acho ruim ele fazer isso, não. está ampliando o vocabulário da cozinha, que em geral, nos livros de culinária que a gente lê por aí, é muito limitado e sem imaginação. de falta de imaginação ninguém pode acusar alex atala, nem na cozinha nem no trato com as palavras.



Escrito por alberto guzik às 11h34
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em suspensão

hoje não consegui fazer nada até agora. baixou um cansaço grande e inesperado. estou em estado de suspensão, boiando sobre as pilhas de trabalho que tenho de concluir. foi um antialérgico que eu tomei ontem à noite pra conter uma animada reação alergica que tive a algo que comi. sabia desse resultado do antialérgico, por isso há muitos anos não tomava. tinha esquecido que a gente fica assim. agora, é preciso conviver com aestado de suspensão e esperar passar o efeito da medicina. fazer o quê? saco!



Escrito por alberto guzik às 10h50
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cinema

acabo de receber o roteiro de "luz nas trevas", de rogério sganzerla, que será dirigido por icaro martins e helena ignez. muito legal. vou fazer um papel no filme. helena convocou uma porção de gente do elenco dos satyros para atuar. "luz nas trevas" é a seqüência do antológico "o bandido da luz vermelha", que sganzerla rodou com paulo villaça e helena, há quarenta e tantos anos. deveríamos ter rodado ano passado, mas ficou para 2009. e daqui a pouco vai começar. ney matogrosso viverá o bandido. o elenco tem um bocado de gente incrível, tipo djin sganzerla, andré guerreiro machado, cacá carvalho, sylvio zilber, gero camilo, joão miguel, arrigo barnabé. fora outros que não sei. e também o povo dos satyros. phedra, cléo, ivam, silvanah! uau!



Escrito por alberto guzik às 17h50
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pra quê

o senhor pelé tinha que abrir sua bocarra e cagar regras? antes mesmo de se confirmar a partipação de robinho no crime de estupro de que é acusado, o ex-rei do futebol aproveita o primeiro microfone que encontra pra começar a meter a boca. pra se pavonear, dizendo que jogadores como robinho e ronaldo estão fechando as portas que ele e outros como ele abriram na europa. pelé era gênio nos gramados. fora deles, acho que ele é moralista, falastrão e se considera a palmatória do mundo. claro que se robinho for culpado, tem que se punido. mas e se não for? pelé vai ter como retirar suas palavras agressivas? que atitude mesquinha, "rei". caramba! a vida não ensinou delicadeza e precaução pra esse cara? podia ter dormido sem essa, seu pelé, podia mesmo!



Escrito por alberto guzik às 14h07
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dor

neste momento, em que vivo tão intensamente dois processos de criação que me empolgam e motivam, vivo também um dos processos humanos mais difíceis e dolorosos que pode haver. como a vida é complicada! sei que a vida não vem com bula e ninguém nos garantiu que seria um piquenique no campo. mas precisa ser tão longamente sofrida e inviável? não é justo! tá. mas quem garante que a justiça faz parte do pacote? ela é uma mera fabricação humana, não natural. mas chega disso. estou muito irado e muito abalado agora. vou ensaiar, mergulhar na velha doida. é o melhor que posso fazer.



Escrito por alberto guzik às 09h51
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"Monólogo da velha", fragmento

"Naquela época - tirando o Silveira, esse era tarado, não conta - ninguém se atrevia a nada. As mocinhas ruborizavam, havia muito pudor e respeito. Verdade que os cavalheiros subiam em cima da gente feito animais. Mas nos tratavam como damas. Davam lá meia dúzia de bombadas, e se aliviavam. E era só."



Escrito por alberto guzik às 09h17
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clic

fechamos hoje o conceito do "monólogo da velha". o texto de mirisola é uma voz solta no ar. a gente precisava achar uma maneira de amarrar isso ao jogo teatral, de tornar possível aquela fala aloprada da velha doida dentro de uma moldura que pudesse ser habitada por um ator. fiz hoje uma pequena improvisação e jo kowalick, o diretor, percebeu um nexo com uma idéia que fez clic. o espetáculo está amarradinho. agora so me falta acabar de decorar o texto. mas hoje começou a acontecer aquela coisa chata de esquecer trechos do texto que já estão amarrados de pedra e cal. faz parte. o barco ainda está no estaleiro e faltam hoje duas semanas.



Escrito por alberto guzik às 15h31
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Truque

vou ter que dar um truque. não posso mais fumar mesmo. estou fumando nos ensaios quatro tragadas por dia, do lowest tar possível, e já comecei a ficar com a garganta ferrada. tosse a uma inflamaçãozinha. e não achei os cigarros sem nicotina. sei que há na europa, mas mesmo que eu tivesse a manha de onde encomendar, até chegarem já teria estreado. então vou ter que fingir que fumo. não é a mesma coisa. mas se eu sou ator pra criar quase sem caracterização uma velha que já foi além da marca dos 80 faz tempo, vou ser ator também pra fumar sem fumar. caramba, como esse maldito cigarro faz mal. o legal é que percebi que meu corpo rejeita o cigarro de maneira total. fico tranqüilo. com certeza nunca voltarei a fumar.



Escrito por alberto guzik às 15h27
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Woody Allen

"Na maior parte do tempo eu não me divirto muito. O resto do tempo eu não me divirto nada."



Escrito por alberto guzik às 09h10
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bananas

outro dia, não sei por quê, pois não faz muito meu perfil, fiquei vendo um programa rural qualquer, não sei em que canal. era sobre bananais e bananas. vi bananas amarelinhas, amarelinhas, sem uma única dessas manchas escuras na casca, que eu associava à natureza bananal desde que me conheço por gente. pois bem, fiquei sabendo que as bananas nascem amarelinhas. as manchonas e manchinhas pretas são causadas pelos trancos e sacudidas que as frutas sofrem não na colheita, mas durante o transporte. cada mancha preta é resultado de um buraco na estrada ou na rua, uma caixa jogada com descuido pelo feirante, etc etc. fiquei penalizado pelas bananas, quando constatei, pelo monte de manchas que vi numas frutas até bonitas que comprei no mercado, como elas são maltratadas. depois imaginei: já pensaram se fôssemos como as bananas e exibíssemos hematomas e manchas roxas indeléveis originárias de cada tranco e mau trato que a vida nos deu? aff.



Escrito por alberto guzik às 08h59
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Em homenagem à Velha Apresentadora do Mirisola

Fragmento do "Hino da Televisão Brasileira", que foi cantado por Lolita Rodrigues na inauguração da TV Tupi, no dia 18 de setembro de 1950, em São Paulo. Foi o início da televisão no Brasil. A letra do hino foi composta pelo poeta Guilherme de Almeida, e a música é do maestro Marcelo Tupynbambá. Não consegui achar o resto da letra, que, imagino, devia ser enorme.

"Vingou como tudo vinga
no teu chão, Piratininga
A cruz que Anchieta plantou!
Pois, dir-se-á que ela hoje acena
Por uma altíssima antena
Em que o Cruzeiro pousou.
E te dá, num amuleto,
O vermelho, branco e preto
Das contas do teu colar.

E te mostra num espelho,
O preto, branco e vermelho,
Das penas do teu cocar."



Escrito por alberto guzik às 18h43
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renato consorte

grande ator. paulistaníssimo filho de italianos, morreu anteontem, dia do aniversário da cidade, aos 84 anos. era ótimo em cinema e melhor ainda em tevê. mas brilhava mesmo é no palco. possuia um tempo de comédia único. quem viu "porca miseria", de jandira martini e marcos caruso, que ficou mais de sete anos em cartaz na década de 90, decerto jamais esquecerá aquele alfaiate que entrava em cena com uma simplicidade e uma verdade extremas, temperadas por uma comicidade irresistível. era um exercício neorealista, o que o ator empreendia. ele sempre foi intenso. basta ver "o grande momento", de roberto santos, para perceber como o jovem  consorte podia ser ao mesmo tempo intuitivo e preciso. era ótimo com crianças. lembro do carinho com que cercava sua atuação nos programas para crianças da tv cultura, "jardim zoológico", "vila sésamo". em novelas e minisséries, nos anos 80 e 90, consorte foi um dos mais adoráveis e irônicos avôs que se viu. era fera. deixa saudade.



Escrito por alberto guzik às 14h40
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Ouço "Azulão", de Manuel Bandeira e Jaime Ovalle. Elizeth canta. Como é bonito!

"Vai azulão
Azulão companheiro vai
Vai ver minha ingrata
Diz que sem ela
O sertão não é mais sertão
Ah, voa, azulão
Azulão, companheiro vai!
Vai azulão..."



Escrito por alberto guzik às 14h16
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visita

coisas boas da vida. ontem fui (antes tarde do que nunca, já que ela é minha vizinha há meses) visitar minha musa, que além de ótima atriz é uma amiga queridíssima. e descubro que pra lá de todos esses talentos e virtudes, é uma cozinheira de mão cheia que me surpreendeu com um estrogonofe de frango nada menos que delicioso.



Escrito por alberto guzik às 09h02
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Tudoaomesmotempo

Estou terminando o livro. Faltam quatro capítulos. E concluo a composição da velha Febe. Faltam duas semanas para a estréia. As duas coisas rolam ao mesmo tempo, mais ou menos parelhas.. Eu me sinto absolutamente invadido por esses processos de criação. Sei que estou numa voltagem muito muito intensa. E isso é superdesgastante e cansativo. Acho que um dia vou sentir falta dessa alta freqüência. Mas por ora tudo que desejo é concluir o livro, levar bem o navio até o porto, e terminar de desenhar a velha para chegar à estréia livre, em condições de jogar, representar, brincar. A cada dia me apaixono mais pelas personagens do livro. E a cada ensaio amo mais o texto do Mirisola. É breve, hilário, crítico e contundente. Precisa mais? 



Escrito por alberto guzik às 08h22
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Caio Fernando Abreu

"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."



Escrito por alberto guzik às 08h10
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Marina Lima e Antonio Cícero, "Pra começar"

"Pra começar
Quem vai colar
Os tais caquinhos
Do velho mundo
Pátrias, famílias, religiões
E preconceitos
Quebrou não tem mais jeito
Agora, descubra de verdade
O que você ama
Que tudo pode ser seu

Se tudo caiu
Que tudo caia
Pois tudo raia
E o mundo pode ser seu

Pra terminar
Quem vai colar
Os tais caquinhos
Do velho mundo
Pátrias, famílias, religiões
E preconceitos
Quebrou não tem mais jeito
Agora descubra de verdade
O que você ama
Que tudo pode ser seu"



Escrito por alberto guzik às 10h13
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"um táxi para a escuridão"

ontem foi dia de ver "um táxi para a escuridão". não queria, mas sabia que devia. então fui. quando saí do cinema estava nocauteado. o filme mostra o "método" e os procedimentos ilegais criados pelos altos gabinetes de washington e adotados pelos generais e comandantes dos usa para aplicar torturas psicológicas e físicas, todas infligidas por militares norte-americanos a prisioneiros iraquis e afegãos e paquistaneses em bagram, abu graib, guantânamo. é apavorante. só depois de ver o filme entendi plenamente o significado simbólico do gesto do presidente barack obama, que no primeiro dia de seu governo ordenou o fechamento de guantânamo. não sou a favor de terrorismo nem de terroristas, já escrevi isso aqui muitas vezes. mas não sou a favor de uma rotina que leva à degradação o prisioneiro e o carcereiro, que cria uma sementeira de ódio, que mostra um estado de coisas que ameaça claramente o futuro daquilo que melhor conseguimos fazer: a civilização. é um filme necessário, escandalosamente necessário, esse "um táxi para a escuridão". não é agradável de ver, mas é obrigatório. até agora estou pasmo. o diretor alex gibney não defende o terrorismo que mata inocentes, de modo algum, mas pergunta como se deve lidar com essa ameaça. e levanta a questão da ética e do terrorismo de estado, seja de direita ou de esquerda. quando os mocinhos se tornam bandidos, temos um problema. ou não? sabem como na era bush os manda-chuvas donald rumsfeld, dick cheney e, claro, george w. bush, tornaram legais atos ilegais de tortura? mandando seus subordinados redefinirem a palavra "tortura". a semântica forçada a "autorizar" a selvageria. o filme faz pensar sobre os atos dos fundamentalistas islâmicos, judeus, cristãos ou quaisquer outros, que estiveram ou estão no poder. "um táxi" nos ajuda a entender o mundo em que estamos vivendo. e nos faz perceber que as coisas vão mal, muito mal. não é improvável que já se tenha chegado a um ponto sem retorno. exatamente por isso o gesto de obama e o fechamento de guantânamo se revestem de simbolismo e permitem alguma esperança. e ainda por isso filmes como "um táxi" são URGENTES.



Escrito por alberto guzik às 09h22
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abba

na próxima quinta, dia 29/01, todos os fãs do abba têm compromisso. "abba, o filme", ótimo doc de lasse hallstrom sobre a ascensão e queda do antológico grupo sueco,  será exibido às 22h na sala 7 do unibanco arteplex. vai ter fila na porta, com certeza. e até posso imaginar as figuras que aparecerão. não vou perder essa função por nada.



Escrito por alberto guzik às 23h33
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tipos urbanos

ela está no segundo andar do shopping. não faz nada. está sentada em um banco, tendo às costas uma loja de roupas jovens e à frente uma joalheria que acredita muito em grossas correntes, pulseiras e anéis de prata. ela não olha nem as roupas nem as jóias. não. ela observa o movimento. talvez espere alguém. fascinante é que ela parece saída de uma tela de botero. é grande. melhor, é opulenta. tudo é vasto nela. o peito, os braços, as pernas. não é dessas mulheres volumosas que parecem caixas retangulares. ela tem cintura bem marcada, quadris, torso, tudo proporcional. enorme, mas proporcional. é jovem. não deve ter mais de vinte e cinco anos. e, como acontece com mulheres muito grandes, parece ser mais velha. os cabelos são pretos com reflexos avermelhados, corte chanel, franja. olhos bem observadores, escuros, e lábios rubros de batom. usa um vestido preto que deixa seus rorrorroliços braços e pernas à mostra. nos pés, botinhas de lutador de boxe. mais nada. não usa uma jóia, um badulaque, um brilho. também, não é necessário. a atenção de todos os que passam é chamada por sua imperial figura, de volumes tão amplos que chegam a evocar as arcaicas vênus esculpidas em pedra na pré-história. e essa imagem arquetípica sofre o intenso contraste da uma aura de modernidade trazida pelo corte de cabelo e pela roupa. a garota parece uma versão bem comportada da roqueira irreverente beth ditto. e a moça no shopping nada faz, a não ser ficar ali, sentada, observando, talvez aguardando. e deixando-se, majestática, observar por todos que circulam por aquele corredor.



Escrito por alberto guzik às 23h02
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Uma interessante pergunta de Woody Allen

"Por que escovar os dentes quatro vezes ao dia e fazer sexo duas vezes por semana? Por que não o contrário?"



Escrito por alberto guzik às 17h05
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niver

minha cidade está de aniversário, como dizem os gaúchos. sou paulistano e estou enraizado aqui. não saberia morar em nenhum outro lugar. minha cidade completa 455 anos. novinha ainda. com tanto mais por criar. uma cidade feia e fascinante que poderia ser linda. uma cidade dura que poderia ser doce. o cenário de todas as minhas ficções. o lugar de onde eu vejo e vivo o mundo. parabéns, são paulo. te amo.



Escrito por alberto guzik às 11h45
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titãs

há mais ou menos vinte anos participei de uma festa da escola de arte dramática no teatro municipal. era alguma data redonda e a ead comemorava. não lembro direito como foi a festa. lembro é que no final o povinho da ead que organizava a festa colocou todos os convidados entrando em cena ao som de "comida", dos titãs. e eu entrei cantarolando a letra, que é 10 ainda hoje, não perdeu nadinha de sua contundência. depois da festa um jovem amigo crítico veio me dizer que tinha achado muito engraçado ver a mim, quarentão, muito compenetrado, crítico integrante do primeiro time dos comentaristas de teatro, cantando a "comida" subversiva dos roqueiros paulistanos. o que ele não sabia, e eu não contei, é que ele estava na frente de alguém que curtia os titãs. vi um dos primeiros shows deles, no extinto teatro lira paulistana, bem no comecinho dos anos 80, quando a banda ainda se intitulava os titãs do iê-iê-iê. o show era um caos, uma anarquia deliciosa, algumas letras muito engraçadas, outras impossíveis de entender, e um bando de garotos causadores e explosivos em cena. daquele show eu saí feliz e bebinho de cerveja. nunca esqueci. bem, desde lá eu segui os titãs. não fui fã de comprar todos os lançamentos e ir a todos os shows. mas alguns shows deles eu vi, com certeza, e gostei muito. afinal, eu era adolescente nos anos 50/60, cresci com o rock. então com prazer acompanhei a trajetória de várias bandas roqueiras, entre elas os titãs, que praticamente vi nascer. tenho vários discos do grupo, li sobre os problemas, doenças, morte, saídas. alguns álbuns dos titãs eu ainda ouço com bastante freqüência. a banda tem músicas geniais, uma disponibilidade em cena e um vigor musical que sempre me impressionaram. acabo de voltar do cinema, onde fui, depois do ensaio da "velha", ver "titãs - a vida até parece uma festa". e o filme é bom, muito bom. ótimo roteiro. bem pensado e bem realizado. rico de imagens, de informações. sem tempo para entrevistas chatas, para teorizações sobre a banda, o rock, o escambau. é tudo simples, direto, objetivo. filmes amadores, imagens toscas, pessimamente iluminadas, cenas de qualidade ultraprofissa, gravações de antigos programas de tevê, as caras de roberto carlos, hebe camargo, chacrinha, barros de alencar, o faustão de antes da globo, tudo se junta para contar de forma vibrante, emocionante, a trajetória de uma das grandes bandas de rock brasileiras. saí do cinema feliz como quando vi aquele show, lá atrás. quem gosta de rock e esteve vivo no brasil destes últimos vinte e muitos anos precisa ver o filme.



Escrito por alberto guzik às 00h48
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