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os dias e as horas - blog do alberto guzik


jerry, ivam e a "estátua de sal"

só quero deixar registrado desde já (se bem que acho que já havia escrito sobre isso) que o diálogo que travamos, eu e gerald e ivam, esses tão amados amigos, ao redor da "estátua de sal de sodoma", me comove e apaixona. (disse exatamente isso na entrevista que dei na quarta-feira para beth néspoli, do "caderno 2" do "estadão", que foi o primeiro olhar forasteiro sobre a "velha apresentadora".) minha dívida de gratidão com jerry e ivam, aos quais eu dedico a obra, passa pelo título do livro, que resultou de muitas trocas de figurinhas entre nós, a partir de uma primeira manifestação de incômodo de gerald sobre o nome antigo. a as contribuições de jerry são observações pontuais que sempre significam acréscimos para a obra. que privilégio o meu, ter o olhar de gerald thomas e ivam cabral sobre o processo. ivam, que também acompanha livro desde o início, me passa a impressão geral, o impacto que o livro está tendo sobre ele. são dois marcadores, dois guias preciosos a quem eu agradeço aqui, de público e de coração. "a estátua de sal de sodoma" vai nascer com esse precioso apadrinhamento. ah, tem mais, jerry vai escrever a apresentação do livro. muito chique!



Escrito por alberto guzik às 12h29
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Outra parte da entrevista

Já tá no ar a segunda parte da entrevista que Walber Schwartz fez comigo, sobre "Monólogo da Velha" e muitos outros assuntos. No CultBlog vocês podem ler. Schwartz é um bom entrevistador e um apaixonado pela arte do Mirisola, que merece apaixonados. No bom sentido, hein, Mirisola! E vamos lá, está chegando a hora. Vai ser quarta-feira. Evoé!



Escrito por alberto guzik às 09h44
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"cansei de tomar fanta" está no ar!!!

sei que sou suspeito pra falar. mas entrem no site 'teatro para alguém' (linkado aí ao lado), da renata jesion, e vejam 'cansei de tomar fanta', que está em cartaz no sótão da casa. ficou tão legal, mas tão legal! nem sei direito o que dizer. a direção do dani está ótima, as atuações da cléo e do penna são maravilhosas, a direção de tevê é bacana. acho que o teleteatro em si tem duas falhas, alguns momentos com enquadramento meio tosco, tirando atores de quadro, e a luz um tanto baixa demais. mas nem uma coisa nem outra diminem a energia do trabalho dessa equipe supertalentosa. e preciso dizer que, na qualidade de autor, ver a paixão com que minha amada cléo e meu queridíssimo penna defendem os papéis, o tesão com que eles desenham esses personagens, me deixa comovidíssimo e feliz. renata, tua casa tá cada vez mais linda. parabéns! e obrigado, de coração, a você e a todo o pessoal da "fanta".

p.s. agora percebi que fui grosseiro. deveria ter sugerido aos leitores do blog que vejam também os outros "espetáculos" virtuais que estão em cartaz na casa. eu é que ainda não os vi e me sinto culpado. mas não tive tempo. de qualquer modo, deixo aqui a recomendação tardia mas sincera. vejam (e me incluo nesse plural) as outras montagens em cartaz na casa. vou vê-las o mais depressa possível e daí escrevo aqui.



Escrito por alberto guzik às 18h43
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eu adoraria ser o autor dessa concisa obra-prima do humor negro

deus morreu, nietzsche morreu, freud morreu, e eu mesmo não ando me sentindo muito bem...



Escrito por alberto guzik às 13h26
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Imagem da Velha

Viram a Velha Apresentadora no "Guia da Folha" de hoje? A foto da Velha, clicada pelo meu amado Ivam Cabral, que fotografou e faz a trilha do espetáculo, saiu com uma simpática materinha da Maria Eugênia de Menezes. Tá chegando a hora. Tou com frio na barriga. Mas também muito feliz!



Escrito por alberto guzik às 11h19
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Fui de casa para a escola a pé no fim da tarde. E fiquei chocado pelo número de mendigos e desabrigados que havia no caminho. Tem muitos muitos na área, cada vez mais. Mas ontem era uma quantidade fora do comum em um percurso de quinhentos, seiscentos metros. Na Fernando de Albuquerque, quase em frente ao início da Haddock Lobo, dois garotos imundos dormem sobre um mesmo papelão grande e gasto que faz as vezes de colchão e cobertor. Na Fernando esquina da Augusta uma mulher velha e abatida pede esmolas para os motoristas indiferentes que param no farol. Pouco abaixo, na Augusta, junto de um paredão, num trecho de calçada que muitas vezes fica coberto de imensos sacos de lixo abertos e revirados, um homem negro, de barbas brancas e aspecto imponente, vestido de andrajos, confere o lixo destripado dos sacos. No comecinho da Peixoto Gomide, à frente de uma loja com a porta de correr fechada, está deitado sobre um papelão um adolescente de pele clara, muito magro, que veste camiseta preta e se cobre com uma manta puída e suja, que um dia deve ter sido vermelha. Pelos movimentos que faz, tenho a impressão de que se masturba. Na r. Frei Caneca, logo ao lado da padoca, pertinho da esquina da Peixoto, um menino descalço está sentado no chão e pede esmolas para os passantes que vão matar a fome.  Mais abaixo, depois do posto de gasolina, perto da porta do supermercado onde em geral ficam acampados maltrapilhos, hoje não há ninguém. Mas do outro lado da rua estão sentadas na sarjeta duas mulheres e uma criança, cercadas de trouxas e trapos. Enquanto desço a rua, uma senhora cheia de sacolas sai do mercado e passa por mim seguindo na direção oposta. Quando vê o grupo das mulheres com a criança, acena com a cabeça e diz para elas: "Oi, boa tarde, meninas! Tudo bem?" E as duas mulheres sentadas no chão param por um momento de espreitar os transeuntes para esmolar e dizem, sorrindo: "Boa tarde. Tudo bem. Tudo bem". Tudo bem? Culminação do caminho pontuado por miseráveis, a cena das mulheres respondendo "Tudo bem" não me sai da cabeça. Tudo bem mesmo, senhoras?



Escrito por alberto guzik às 09h59
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trapaças da imaginação

muitas vezes, quando estou naquela zona crepuscular entre a vigília e o sono, minha imaginação se acende quietamente. sem que eu tenha preconcebido ou desejado, alguma parte de meu cérebro alinhava possíveis histórias, que em um relance, em uma questão de segundos, eu pressinto inteiras, com detalhes e até sutilezas de trama. creio que uma parte desses esboços poderia se transformar em contos ou romances ou textos teatrais, pois tenho a sensação de que são viáveis certas tramas que chegam sem ser convidadas e tomam de repente minha fantasia. penso que uma fração delas teria potencial de se configurar obras de verdade, se eu me lançasse ao trabalho. bem, essas sementes de narrativas teriam esse potencial, caso eu fosse capaz de recordar delas quando desperto. essas idéias sempre ocorrem no momento do crepúsculo que leva ao sono. e quando acordo as fábulas e possíveis narrativas se dissolveram para sempre. trapaças da imaginação.



Escrito por alberto guzik às 10h15
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"Chapetuba"

Fui semana passada ver a peça, "Chapetuba Futebol Clube", um dos primeiros textos de Oduvaldo Vianna Filho, que estreou há 50 anos no Teatro de Arena. Estava com Ivam, Cléo, Penna e Phedra. Uma delegação de Satyros. E ainda encontramos lá o querido Parlapatão Hugo Possolo. Todos saímos tocados e emocionados. Foi no mesmo Arena em que a peça estreou (a sala há muitos tempo foi justamente rebatizado de Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em homenagem ao grande mestre) que vi agora "Chapetuba", com direção de José Renato, veterano encenador, que em 1953 fundou com colegas o histórico Teatro de Arena. "Chapetuba", que reabre o Arena depois de muito tempo fechado para reforma, ficou um tempo absurdamente breve em cartaz e sai no próximo domingo. Não percam. A peça de Vianninha se tornou um clássico. O texto resiste ao tempo, está vivo, forte, intenso, e seu retrato amargo do mundo do futebol parece mais atual que nunca, mostrando heroísmos e canalhices que quase nunca são flagrados pelo torcedor. Um elenco muito afiado, composto na maior parte por jovens intérpretes, dá conta de levar para a cena com energia o espetáculo sóbrio, simples e extremamente vigoroso desenhado por Zé Renato. Quem gosta de teatro, de teatro brasileiro, de bom teatro, não pode perder.



Escrito por alberto guzik às 08h44
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Caio Fernando Abreu

"A vida tem caminhos estranhos, tortuosos, às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante. As vezes que tentei morrer foi por não poder suportar a maravilha de estar vivo e de ter escolhido ser eu mesmo e fazer aquilio que eu gosto - mesmo que muitos não compreendam ou não aceitem."

"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim."



Escrito por alberto guzik às 08h23
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Manifesto Silêncio

"Eu não estava lá. E, antes de sentir raiva eu sempre sentia saudade. E observava o curso da minha casa como um viajante que sabe que não está mais lá. Mesmo dentro dela, eu observava a minha casa de fora."



Escrito por alberto guzik às 17h31
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trote

hoje foi dia de trote. deve ter sido na cidade toda. eu testemunhei calouros obrigados a pedir esmolas aqui na esquina de casa (os veteranos iam comprar cerveja na lojinha de conveniência do posto de gasolina na esquina) e lá nos arredores dos satyros,  na roosevelt, onde nós ensaiamos o "monólogo da velha" pela primeira vez. gente, eu abomino trote. é um exercício de arrogância e prepotência por parte dos estudantes adiantados contra jovens universitários. achava que os trotes violentos tinham acabado. não. vi um monte de gente pintada, cabelo sujo de ovo, cara de sorriso amarelo sem graça, sendo tangida por veteranos truculentos. e agora na home da uol vejo um cara que entrou na usp, sem camiseta, cabeça e torso pintados de azul-bebe e a inscrição "psico" no peito. quer dizer, foram os estudantes de psicologia que pintaram o novo colega. que inteligente e perspicaz a aação dos futuros psicólogos. em épocas de trote lembro daquele jovem de ascendência chinesa, filho de pais humildes, que foi assassinado na piscina da faculdade de medicina da usp, em conseqüência de "brincadeiras" de um dia do trote. todos os envolvidos no caso, que, se estou bem lembrado, chegaram a ser indiciados pela morte do garoto, estão hoje libertos de qualquer coerção legal. pelo que sei já são formados, exercem a medicina. pena que aquele jovem chinês não tenha tido a mesma chance. ele foi vítima da violência e da estupidez de gente que hoje está aí praticando uma profissão, sem que pese sobre eles qualquer sombra. que beleza de justiça, a nossa, não é mesmo?! e que sociedade é essa, incapaz de punir estudantes que "de brincadeira" cometeram um crime?



Escrito por alberto guzik às 16h25
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Primeira vez

hoje pela primeira vez a 'velha' será vista por olhos não envolvidos no processo. não estou nervoso. ainda. tchau que vou pro ensaio.



Escrito por alberto guzik às 10h13
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Falsa tormenta

A primeira tormenta não era uma tormenta. Foi um mal-entendido. Com o perdão do trocadalho, menos mal.



Escrito por alberto guzik às 10h11
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Clarice Lispector

"Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo."

"Escuta: eu te deixo ser. Deixa-me ser, então."



Escrito por alberto guzik às 09h13
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delicia

little joy é uma delícia.



Escrito por alberto guzik às 10h06
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Susto, superação do susto, e o nome do livro

Ontem o livro novo me deu um susto dos bons. Estou, calculo, a vinte e poucas páginas do fim. E de repente, quando conclui uma cena, percebi que não sabia o que o personagem faria em seguida. Foi uma sensação esquisita. Ao fim de exatos treze meses de trabalho, tive a impressão de que as ideias se tinham acabado. Sei o que acontece no desfecho do livro, mas ainda não tinha pensado nas situações, nos ambientes, no final concreto da história. E de repente, eu, que vinha num fluxo de 'uma cena engendra outra que engendra outra', me vi parado na frente do computador. Não sabia que direção tomar. De verdade. Lembrei de uma conversa que tive outro dia com uma amiga querida da qual falo pouco aqui, a Regina, uma jornalista de mão cheiíssima. Tentei explicar pra ela meu processo não premeditado de criação. Falei de como é tatear no nevoeiro, sendo guiado por uma vaga visão geral da trama. Não consigo explicar direito como isso é. E ontem na hora do pânico lembrei dessa conversa. No dia em que falamos sobre isso, há menos de uma semana, eu tinha a certeza de que tudo no livro já estava pronto e fechado. De repente percebi que não estava, não. Fiquei assustado. Fugi. Desliguei o pc e fui dormir. Estava exausto. Já era tarde. Pensei, quem sabe, que durante a noite me ocorreria alguma coisa. Quando eu estava escrevendo "Risco de Vida", isso rolava muito. Hoje, acordei e, para desânimo meu, o sono não havia trazido nenhuma idéia salvadora, nenhuma revelação. Esta veio durante o tempo que dediquei de fato ao problema. Deitado na cama, olhando pro teto, pela primeira vez organizei na cabeça a seqüência de cenas do livro e percebi então o que faltava, quais eram os cenários e as circunstâncias das últimas estapas da narrativa. Saquei quais personagens ainda precisavam entrar. Vi que devo dar nome a três personagens secundários e até agora anônimos, que terão um papel no desenlace. Enfim, estou realmente a caminho do "fim'. E aproveito para revelar aqui o nome do livro novo: "A Estátua de Sal de Sodoma". Evoé.



Escrito por alberto guzik às 08h47
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aff

andava prevendo alguns dissabores midiáticos para os próximos dias. não me enganei. hoje surgiu o primeiro. espero lidar com ele da forma mais equilibrada e acertada que puder.



Escrito por alberto guzik às 20h38
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Woody Allen

"O leão e o bezerro podem até dormir juntos, mas o bezerro não vai conseguir dormir muito bem."



Escrito por alberto guzik às 09h13
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a crise

me dou conta de que não escrevi mais uma linha sequer sobre a crise. e ela está aí, firme e forte. na china, em três meses, 20 milhões de desempregados. aqui ainda não milhões, mas muitos milhares. e no mundo inteiro montes de gente no olho da rua. e em belem, no forum social, no pará, eu vejo evo morales e hugo chavez cantando com a filha do che! e em davos, na reunião do g8, as maiores economias, leio e vejo que tudo terminou sem nenhuma decisão. sabe o que é isso? no meio dessa crise, os caras não se decidirem a fazer alguma coisa juntos? e pelo que ouvi, nem sabem direito a quem atribuir o caos, a quem responsabilizar pela crise. gente, não entendo nada de economia, de administraçao, de política. mas como cidadão comum de uma classe média bem média, posso dizer que isso tudo é muito louco! e no meio tempo os radicais de lá e de cá lucram. e a guerra no afeganistão segue avante. e ahmadinejad, do irã, fala como se fosse o imperador ming de flash gordon. ah, que saudades do seriado em preto e branco. será que tem no youtube? se tiver, a gente podia mandar uma mensagem pro flash: socorro!

p.s. estava fora da realidade. já são milhões de desempregados aqui também. dois milhões nos últimos quatro meses. acho melhor chamar além de flash gordon o super-homem, batman, o homem de ferro, os piratas do tietê, a tropa toda de super-heróis e de anti-heróis também. não dá pra parar o globo? assim, quem quiser aproveita e desce.



Escrito por alberto guzik às 09h08
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dia 2 de fevereiro

amanhã é dia de festa no mar. dia de iemanjá, a bela e poderosa rainha das águas. e dia de retomar as aulas na escola de atores wolf maya. e início da última semana antes da estréia de "o monólogo da velha apresentadora". e nos próximos dias, com um pouco de tenacidade e determinação, estarei redigindo os últimos capítulos do meu romance.



Escrito por alberto guzik às 14h12
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procissão

subo a rua da consolação, de volta do almoço, e deparo com uma, mais uma, das insólitas surpresas que a cidade revela sem aviso prévio. estou quase chegando à r. d. antônia de queirós quando vejo, no sentido contrário, descendo para o centro, uma procissão de uns 50 ou mais motoqueiros, todos seguindo uma moto que reboca um carrinho sobre o qual foi fixada uma imagem religiosa imensa. é uma santa, imagino. mas não tenho temo de ver direito. pode ser um santo, também. nem faço ideia de qual seja a santa ou santo padroeiro das motocas e motoqueiros. alguns carros da polícia e do cet acompanham o pequeno cortejo. um grupo de ruidosos escapamentos, quase todos encourados de preto, apesar do calor, e, para seguir uma procissão neste domingo tórrido, formado decerto por gente bem devota. amém.



Escrito por alberto guzik às 14h09
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na venezuela

fiquei muito assustado com a profanação de uma sinagoga na venezuela. uma coisa são políticas de estado. outra coisa são os usos práticos que se faz das idéias. uma coisa é hugo chavez entrar em rota de colisão com o governo de israel, para marcar sua posição (posso não concordar, mas é direito dele). outra coisa é gente da venezuela atacar gente da venezuela. ou os judeus venezuelanos não são venezuelanos? a confusão que se faz entre "judeu" e "israelense" me alarma faz muito tempo. muitas vezes referem-se ao estado de israel como o "estado judeu". isso não é correto. israel é o "estado israelense". nem todo judeu é israelense e nem todo israelense é judeu. o fato de haver judeus em outros países não torna esses países judeus. por exemplo, sou judeu, mas não sou israelense. e vivo no brasil, que não é nem nunca foi um estado judeu. e, mesmo sendo eu judeu, discordo de muitos dos modos como israel promove ou defende seus interesses. se eu tivesse que me definir, diria que sou um homem brasileiro, paulistano, artista e observador das coisas, nascido de pais que professavam sem ortodoxia mas com convicção a religião judaica. nunca me envergonhei nem tive vontade de renegar minha ascendência judaica, mas nunca tive vontade de trocar o brasil por israel. se, por um lado, isso não faz de mim parceiro dos atos do governo israelense, por outro, não me permite admitir a profanação da sinagoga na venezuela, a mais antiga do país, e contra esse ato iconoclasta e estúpido brado daqui com meu fio de voz. é um gesto absurdo com aterradores desdobramentos virtuais contidos em seu feio bojo.



Escrito por alberto guzik às 11h53
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"Cansei de Tomar Fanta" volta ao cartaz. Na tela do seu PC

Das peças que escrevi, é uma de minhas favoritas. Curta, sintética, com um mundo de coisas inarticuladas rolando ao redor e por dentro. Um breve relance em um momento de intimidade tensa de um casal que faz alguns meses está saindo junto. Escrevi para as Satyrianas de 2007. Cléo de Páris, minha atriz-musa, e Fábio Penna, ator que eu já dirigi e com quem já contracenei, foram os intérpretes de Ele e Ela, que esperam na porta do Satyros 1 pelo início da sessão de um espetáculo. Por causa de uma latinha de Fanta pela metade eles terão uma conversa que pode definir seu futuro. A peça, que será editada em breve pela Imprensa Oficial, com outros textos meus, foi vista apenas duas vezes. Uma nas Satyrianas e outra em um evento nos Parlapatões. Agora, vai entrar em cartaz a partir do dia 05, quinta-feira, no Teatro para Alguém, de Renata Jesion. O link está aí do lado. O projeto da Renata e sua equipe é maravilhoso. Acompanhei de longe os reensaios de "Fanta". Cléo e Penna voltam a viver os papéis que criaram, e Danielzinho Tavares volta a assinar a direção, que no palco foi criativa, inteligente. Tenho a certeza de que para o vídeo não será diferente. E tudo sob o olhar de água de minha amada Renata. Desta vez "Cansei de Tomar Fanta" poderá ser vista por um monte de gente, pois vai ficar um mês em cartaz na "casa" do Teatro Para Alguém, durante 24 horas, todos os dias. Estou feliz e orgulhoso por ter um texto integrado a este projeto revolucionário, fascinante e necessário. Estou me perguntando quanto tempo a grande imprensa vai levar até notar o quão criativa e combativa é a idéia do Teatro para Alguém. Que ainda é um embrião, mas pode vier a ser uma resposta inventiva à crise, que, o que tudo indica, tornará cada vez mais árdua a já tão difícil tarefa de levar espetáculos para a cena.



Escrito por alberto guzik às 11h13
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