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dea loher, "inocência"
Sra. Habersatt: "Tao simples podia ser a vida. Tão simples."
Escrito por alberto guzik às 19h47
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e mais uma vez
me aprontando pra sair de casa. vou fazer "liz" mais uma vez. como eu gosto de fazer teatro! na semana que vem vamos para o rio, com "liz" e o "monólogo da velha apresentadora". voltei aos palcos em 2003, já atuei em são paulo, curitiba, bh, recife, hamburgo, munique, interiores de são paulo, um monte de lugares. mas é a primeira vez vou ao rio trabalhar como ator. mentiria se dissesse que tudo bem, que não estou com um friozinho na barriga. estou sim, mas muito excitado também. e vamos retomar a "velha", o que me deixa muito feliz. haverá umas novidadezinhas. ela não pode deixar de falar de... bem, deixem isso por ora. ainda nem conversei com o mirisola a respeito. voltaremos do rio na primeira semana de agosto e reestrearemos "monólogo da velha" em são paulo. desta vez aos sábados, 19h e domingos, 18h30. todos os dorminhocos que não puderam ver o "monólogo" na primeira temporada, porque era muito "tarde" quarta e quinta 23h, agora não terão escapatória. estou contente demais por voltar a fazer a "velha". reensaiando a todo vapor. bye. fui.
Escrito por alberto guzik às 19h44
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philip roth
desde "o complexo de portnoy", que li há cerca de quatro décadas, sou fascinado por philip roth. sua literatura acompanhou toda a minha vida adulta. não conheço tudo que escreveu, mas boa parte. e não há um livro de que não tenha gostado, que tenha considerado menor em relação aos outros. ele tem uma força especial, que não vejo em seus contemporâneos, nem nos mais incensados, como o muito talentoso john updike. roth é maior que updike. e que saul bellow. e que norman mailer. penso que nos últimos anos roth conseguiu ficar cada vez mais essencial, mais hábil, mais genial. acabo de ler "indignação". cento e poucas páginas. toda uma civilização, toda uma cultura, estão condensadas ali. li o livro em quatro dias. na verdade, devorei o volumezinho, com sua história de marcus messner, garoto de 18 anos em 1951, filho de açougueiros judeus, primeiro em newark e depois em ohio. roth me abalou profundamente. como sempre faz. mas desta vez mais, se é possível. a narrativa é tão breve e incisiva. ele fala sobre o jovem marcus com a mesma precisão, a mesma genial cruel exatidão que tem usado para delinear o processo de envelhecimento de seus seus personagens maduros ou velhos. a urgência de marcus é a mesma de portnoy, o jovem obcecado, protagonista de um dos primeiros sucessos de philip roth. esse homem é um dos gigantes da literatura contemporânea. não é um romancistra experimental, apenas um escritor realista. mas o realismo se transforma em suas mãos no mais poderoso, no mais flexível, no mais expressivo dos instrumentos. não percam: "indignação" é um dos melhores livros que já li.
Escrito por alberto guzik às 19h01
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filósofos segundo filósofos
"nada é tão absurdo que já não tenha sido dito por um filósofo." (cícero) "os maus filósofos podem ter sobre a sociedade uma certa influência. os bons filósofos, nunca!" (bertrand russell)
Escrito por alberto guzik às 11h12
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Melhor atriz
Leio uma tuitada de Ivam Cabral e me sinto contente. Conheci a personagem de que ele fala, Maria Clara Spinelli, em Marília, alguns anos atrás, durante uma viagem teatral dos Satyros, se não me engano quando estávamos fazendo "A Vida na Praça Roosevelt". Maria Clara é uma figura corajosa e determinada. Tivemos ela e eu uma dissensão no ano passado e nos afastamos, mas nem por isso deixo de admirar sua história e seu caminho. E agora fico feliz quando a vejo premiada por sua atuação em "Quanto Dura o Amor". Mando daqui meus parabéns a ela. Eis a tuitada do Ivam: ivamcabral A transexual MARIA CLARA SPINELLI, melhor atriz no FESTIVAL DE PAULINIA, é de Assis, interior de SP e trabalha na Secretaria da Educacão.
Escrito por alberto guzik às 18h39
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"How to Disappear Completely", Radiohead
"That there That's not me I go Where I please I walk through walls I float down the Liffey I'm not here This isn't happening I'm not here I'm not here"
Escrito por alberto guzik às 18h21
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o sexto harry potter
e daí que ontem fui ver "o enigma do príncipe". muito legal. empolgante. e, como disse o amigo que me acompanhava, "filmes como 'harry potter', mesmo quando são ruins, são bons". concordo total. me diverti um monte. agora só faltam dois. sim, porque o sétimo livro vai ser dividido em dois, no cinema. acho que até 2012 acaba. hehehe.
Escrito por alberto guzik às 12h12
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breve rescaldo da correção das provas na escola
"maguinifico", "colossau", "interpretassao", "cistema", "pogreção", "ohbvio", "esselente". encontrei todas essas palavras, além de muitas outras, nos trabalhos que corrigi. e isso numa escola de elite, não destinada a alunos carentes. os garotos e garotas (claro que há exceções) não sabem mais ler e não conseguem mais escrever. socorro!
Escrito por alberto guzik às 12h09
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Clarice Lispector
"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."
Escrito por alberto guzik às 12h03
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João Guimarães Rosa
"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muitos vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como o sofrimento dos homens."
Escrito por alberto guzik às 11h57
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Reação do Rodolfo García Vázquez à matéria publicada domingo, na "Ilustrada", sobre a Praça Roosevelt
Voltando à matéria da Folha
A matéria da Folha do domingo passado sugere uma série de temas interessantes. O repórter me procurou com uma tese já clara na sua cabeça: "A Praça já não é mais do teatro, mas da balada." Ele mesmo me disse isso no início da entrevista. Achei estranho o tema, pois não havia uma confirmação estatística, era apenas uma sensação, uma percepção do jornalista de que a praça não era mais de gente do teatro. Outras pessoas também tem a mesma sensação! - ele argumentou. Com certeza a pauta já estava aprovada e ela deveria ser feita. Independente das minhas declarações ou de qualquer outra pessoa. Independente dos fatos que nós pudéssemos elencar. Independente de outras verdades que pudessem surgir. O jornalismo já tinha a sua verdade, aprovada em reunião de pauta, e estávamos ali para exercer o livre direito de falar o que eles queriam ouvir. Na entrevista, as perguntas eram elaboradas com essa finalidade. Os argumentos, os outros lados dessa história, nada interessava. O fato, segundo os olhos do jornalista, era incontestável, a pauta já estava definida e ele apenas recolheria frases minhas que corroborassem a sua tese. A isso, o bom jornalismo chama de "editar". A entrevista já estava pronta e ele só precisava de algumas escorregadelas minhas para poder usá-las na ratificação da sua verdade. Depois, a matéria propriamente dita. Ele entrevistou outras pessoas da Praça que também escorregaram (algumas até pode ser que pensassem aquilo mesmo, mas com certeza alguns caíram no engano) e corroboraram a sua verdade. Não interessava a ele valorizar opinões discordantes, e que não eram poucas. A verdade programada foi escrita como havia sido planejado! Viva a verdade! A edição de domingo já pode ir para as bancas e todos podemos dormir tranquilos. A pauta foi cumprida! E surgiu o preconceito claro e explícito, digno de outros jornalismos que temos por esse país afora. "Botequeiros" foi a palavra usada. Que palavra é essa? O que ela implica? Que tipo de matéria de capa de um jornal de cultura vai dar um destaque desses a uma matéria sobre "botequeiros"? Os velhos preconceitos seculares voltam, sob um novo manto. Aqueles preconceitos que surgiram na Idade Média e nunca mais abandonaram o teatro ocidental. Aqueles que levaram a enterrar Molière longe do solo sagrado de um cemitério. Ou que obrigavam, não faz muito tempo, as atrizes brasileiras a usarem a carteira de identidade vermelha, aquela que identificava as putas. Os preconceitos usam de novas carcaças e surgem sob novas disfarces. Antigamente, os atores eram bichas e as atrizes eram putas. Agora, os frequentadores da Roosevelt (atores ou público, tanto faz) são botequeiros. Nunca, na Folha de São Paulo, se disse que na Vila Madalena existiam botequeiros!!! Nunca!!! Lá, na cool Vila Madalena, bairro onde moram muitos jornalistas endinheirados inclusive, as pessoas (entre os quais esses jornalistas) são chamados de "frequentadoras dos bares da Vila Madalena". Isso ocorre em qualquer caderno da Folha de São Paulo, no Cidades, no caderno especial de Bares, nas matérias da Revista da Folha. Por que então justamente os frequentadores da Roosevelt são botequeiros? Por que não são tão ricos e chics? Por que não frequentaram o Colégio Santa Cruz? Por que não costumam passar férias na Europa? Por que usar de outro nome se não for para depreciar as pessoas que frequentam a Praça e dar um toque levemente escandaloso à verdade que eles decidiram divulgar? Se isso não se chama preconceito, não sei o que poderia ser. E finalmente, uma reação estranhamente poderosa. A reação das pessoas da Roosevelt. Eles formam uma comunidade, de verdade. Todos torcem pela Praça e tem orgulho das matérias que saem sobre ela. E eu tenho orgulho de dizer que as matérias que saem sobre a Praça não são só do teatro, mas de toda uma comunidade. É isso que faz deste fenômeno algo tão especial e maravilhoso. Somos muitos e diversos, múltiplos em suas experiências de vida e expectativas. Mas essa matéria provocou um outro tipo de reação nesta comunidade. Hoje, numa mesa do La Barca, vi uma cena de conspiração, algumas pessoas sentadas falando baixinho quando eu me aproximei. Eles reliam a matéria e discutiam com a Isabel, garçonete do La Barca, o que havia saído na imprensa. Estavam ali o Chagas, ator; a Angela, artista plástica; a Suzana, síndica do prédio e revendedora da Avon e a garçonete sensação, Isabel, a balzaca mais fogosa da praça. A indignação deles tinha um quê de patética graça, como se fossem um pequeno exército de Brancaleone tentando afrontar o maior dos dragões. Eles não se conformavam com a classificação de "Vila Madalena de segunda". Ninguém por aqui mudou, nem a Isabel, nem a síndica, nem o Chagas, nem a artista plástica Angela...todos continuamos a fazer o mesmo que andamos fazendo nestes últimos anos: queremos nos divertir, fazer teatro, criar espaços maiores para a comunidade dos artistas e dos loucos. E se somos chamados de botequeiros, nós e aqueles que se aproximam de nós, isso não nos impede de seguir adiante. Mas parece que o que fazemos incomoda muita gente. Porisso a matéria da Folha também é conveniente para aqueles que querem desmerecer a nossa arte e nossos objetivos. Aqueles que acreditam que o teatro só pode existir dentro de uma sala tradicional, com ingressos tradicionais, e depois do espetáculo de duração justa, que cada um volte para sua casa, sozinho e anônimo. Os crentes do bom teatro desprezam um teatro como o nosso, que busca ardentemente o encontro, antes, durante e depois do espetáculo, como forma de sobrevivência estética e pessoal. Eles abominam tudo que possa acontecer fora dos noventa minutos combinados dentro de uma sala de espetáculo. Eles odeiam o nosso trabalho com todas as suas forças. Porisso a frase revolucionária: "Botequeiros do mundo, uni-vos!"
Escrito por alberto guzik às 20h05
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mais quedas
caiu mais um avião. no iraque. ia de teerã pra ierevã, na armênia. morreram 120 e tantos. e caiu o palco em que madonna iria se apresentar em marselha, no fim de semana. morreu um. aff!
Escrito por alberto guzik às 18h42
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40 anos
40 anos que o homem foi pra lua. eu estava na frente da tevê em preto e branco da casa dos meus pais acompanhando tudo isso. eram tempos tão loucos! bem, algum dia não foram? no brasil estávamos em plena ditadura.eu tinha amigos que participariam mais tarde da guerrilha. e ficava eu lá, embasbacado, vendo as imagens que se espalhavam pelo mundo via cabo canaveral, dando conta do que os americanos estavam fazendo, enviando um homem à lua. eu estava na frente da tevê em preto e branco na madrugada em que neil armstrong (foi ele, né?) pisou no solo do satélite, deixou lá msua pegada, e disse uma frase bem bolada: "é um passo pequeno para um homem, mas é um salto gigantesco para a humanidade". bem, não foi tanto assim. a raça humana não se espalhou pelas galáxias, como a ficção científica sonhava, e estamos mesmo tendo grande dificuldade em conviver com este planetinha em nossas nas mãos. a chegada do homem à lua foi fruto da guerra fria e da corrida espacial. preguiça de explicar pra quem não sabe o que foi isso. só queria dizer que vi o homem chegar à lua. e que estava empolgado então, leitor compulsivo de ficção científica que eu era. isso foi em outros tempos, quase que numa outra vida, parece. muito interessante de observar, tudo isso.
Escrito por alberto guzik às 10h47
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dias de blockbusters
e daí que estou vivendo meus dias de blockbusters. fomos ontem, eu e um amigo, ver 'o enigma do príncipe'. no unibanco arteplex, 21h10. chegamos lá 20h30. já tava lotado, acreditam? bem, não perdemos a viagem. compramos ingressos para hoje. meu amigo reclamou muito porque vai deixar de ver mais um capítulo de 'som e fúria" a minissérie dirigida pelo fernando meirelles, que ele está adorando. (eu, que não estou vendo, fico sabendo aravés dele dos lances, do elenco, de tudo.) mas, tão curioso quanto eu pra ver o antepenúltimo 'harry potter', meu amigo se conformou e vamos hoje à noite embarcar pra hogwarts. pra quem não sabe, eu curto muito harry potter. e não é de hoje. tanto os filmes como os livros. os filmes são irregulares, uns melhores, outros meio aliche meio mossarela, como dizia meu pai. os livros são muito bons, e a intensidade cresce de volume para volume. rawlings fez uma epopéia pop, é uma digna herdeira de ursula k. le guinn e de tolkien. e daí, ontem, pra não perdermos a viagem vimos 'a era do gelo 3'. que é muuuito bom. os dois primeiros foram legais, mas esse é o melhor de todos. hilário, veloz, não tem barrigas, eletrizante. é irônico pra caramba. cita de "moby dick" a "e o vento levou", tira sarro de tudo, e chega a um resultado delicioso.além do mais é emocionante sem ser piegas. grande carlos saldanha, o brasileiro à frente desse trabalho que nos carrega com ele pra dentro da história. recomendo recomendo.
Escrito por alberto guzik às 10h36
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Chachachachachanges
Changes. Big big changes! Sim, mudanças. Dá-lhe David Bowie! Minha vida vai mudar, já está mudando. Em poucas semanas tudo será diferente. Voltarei a trabalhar em escritório, a ter horários, a cumprir metas e tarefas. Será o maior, o mais belo e empolgante desafio que enfrentei até hoje. Que o deus do teatro ampare a todos nós que estamos envolvidos nessa empreitada. Que ele nos dê força, lucidez e saúde para segurar o tranco. Não será fácil, estou certo. Mas será a grande realização de nossas vidas. Disso tenho plena total e excitante consciência.
Escrito por alberto guzik às 10h15
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momento
trabalhando em um texto que preciso entregar amanhã. e ouvindo "in rainbows". cara, como eu gosto de radiohead! mas antes passei um tempão ouvindo um disco antigo do chico buarque que eu não tinha, cheio de clássicos, que minha amada cléo me deu de presente. engraçado eu acho ouvir chico e depois radiohead. mas é assim que eu sou. é assim que eu gosto. misturo mozart com isaura garcia. mas tenho limites: não gosto de arroz com macarrão.
Escrito por alberto guzik às 18h17
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fim
é sempre uma sensação estranha, a de terminar um trabalho. hoje terminei de gravar o cd com os poemas de alberto caeiro. produzimos muito mais material do que aquele que irá ser efetivamente aproveitado no cd. mas a livro falante poderá, no futuro, lançar os registros não aproveitados agora. o que mais gostei nesse processo? da descoberta da poesia de caeiro como um todo. leio esses poemas desde adolescente, mas esta parecia para mim a leitura inaugural! pela primeira vez o entendi de modo pleno. gostei de perceber por que fernando pessoa chamou caeiro de "mestre". é um menino escrevendo. um menino sábio, absolutamente lógico, objetivo. não há como classificar sua poesia. não é simbolista nem parnasiano nem modernista nem impressionista... caeiro diz que é o poeta da natureza, e está certo. ninguém olhou a natureza como ele. noto escrevo sobre caeiro como se ele fosse outro que não pessoa. e não deixa de ser. por um caminho muito próprio ele vai. assombra-me a modernidade desses textos, tão antilíricos, tão antibucólicos, apesar de falarem o tempo todo de flores e prados e rios e árvores e montanhas e outeiros. o processo de gravação foi a transmutação de várias semanas de leitura, de estudo, de percepção dos tempos dos versos, da respiração do poeta, em algumas horas de ação tensa, adrenalínica, concreta, com a voz soando ao sensibilíssimo microfone que capturou minha leitura de caeiro, testemunhada por uma turma gentilíssima e atenta e prestativa: sandra, thaís e adriano. eles me acompanharam palavra por palavra, verso por verso. cabe registrar que é admirável a seleção dos poemas que li, feita por mauro rosso. ele evitou todos os poemas que se tornaram conhecidos demais. buscou dar à seleção quase que um caráter de biografia poética do autor. para tanto, reorganizou a ordem usada convencionalmente nos textos do "guardador de rebanhos", do "pastor apaixonado" e dos "poemas inconjuntos". pode nome mais bonito? "poemas inconjuntos". tentei revestir minha velha voz com alguma coisa da febril juventude de alberto caeiro, da sua indignação, da sua ironia, do seu tremendo humor, da sua simples complexidade. como sabia esse menino o que é importante na vida! como sabia disso seu pai e discípulo fernando pessoa! fico muito feliz por ter tido a chance de me atirar assim, de modo tão intenso, nesse território apaixonante, que é a seara de caeiro. penso nas duas sessões de gravação. o que acontece no estúdio é único. é um momento crucial, em que a obra está entendida ou não está, em que a leitura ganha uma vida ressonante, e a cada tropeço, a cada pequeno deslize, é preciso parar e voltar e refazer, antes de continuar a avançar. como artista e como ser humano eu cresci nesse processo, amadureci. essa é pra mim a função da arte. fazer crescer, fazer ver, fazer entender. os artistas e o público aprendem juntos nesse jogo. e juntos amadurecem. então, enriquecido por tudo que descobri nesse caminho, me despeço das sessões de leitura de caeiro. triste, claro. mas contente, também, com a sensação de que coloquei minha sensibilidade e minha voz a serviço de um das obras poéticas mis belas e provocadoras que já foram escritas. evoé, alberto caeiro, evoé, fernando pessoa.
Escrito por alberto guzik às 16h02
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W. B. Gatewood
"Poucas pessoas vão ao médico quando estão resfriadas. Preferem ir ao teatro ou ao cinema."
Escrito por alberto guzik às 14h58
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sonho estranho
estava exausto. fui dormir. caí no sono na hora. acordei no meio da madrugada. fui tomar água, voltei para cama. li um pouco. comecei 'indignação', by philip roth, e estou hipnotizado pela prosa do mestre. readormeci depois de um tempo. e sonhei. sonhei que dormia. não me lembro nunca de ter sonhado que dormia. foi o que aconteceu esta noite. sonhei que dormia, acordava pra mudar de posição, dormia de novo. e sabia que isso não estava acontecendo. que era um sonho. como eu sabia? sei lá, eu sabia. sonho é assim. acordei muito bem disposto pela manhã. feliz. acho que me fez bem sonhar que dormia. foi estranho, mas eu gostei.
Escrito por alberto guzik às 09h07
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última parte
daqui a pouco vou gravar a segunda e última parte dos poemas de alberto caeiro que a livro falante deve lançar em breve. estive intensamente em companhia de caeiro nessas semanas todas, e minha paixão pelo "mestre" de fernando pessoa só faz aumentar. e aí vai mais um dos textos caeireanos que registrarei hoje. e como me recomendou alguém que muito prezo e respeito, vou fazer "o meu normal", não vou querer fazer "o meu melhor", que é capaz de estragar tudo. então, caeiro na veia: "Criança desconhecida e suja brincando à minha porta, Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos. Acho-te graça por nunca te ter visto antes, E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança, Nem aqui vinhas. Brinca na poeira, brinca! Aprecio a tua presença só com os olhos. Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la, Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez, E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar. O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas. Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão, Sabes que te cabe na mão. Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior? Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta".
Escrito por alberto guzik às 08h36
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Alberto Caeiro
"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra cousa todos os dias são meus. Sou fácil de definir. Vi como um danado. Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma. Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei. Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver. Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras; Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento. Compreender isto corri o pensamento seria achá-las todas iguais. Um dia deu-me o sono como a qualquer criança. Fechei os olhos e dormi. Além disso, fui o único poeta da Natureza."
Escrito por alberto guzik às 10h45
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Filosofias de Stanislaw Ponte Preta
"No Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixam de acontecer." "Ser imbecil é mais fácil." "Coitado, freqüentou tantas noites de autógrafos que acabou alcoólatra."
Escrito por alberto guzik às 09h09
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Marina Lima e Antônio Cícero
Deixe Estar "Deixe estar vai passar Com sorte Tudo, tudo vai ser breve Essa angústia no seu peito E no meio Essa falta ardendo em minha pele
Porque nós dois nos cruzamos Um com pressa demais E foi tudo intenso e veloz Nos amamos, meu bem Só que em pistas opostas E tão sós"
Escrito por alberto guzik às 09h00
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dia histórico
um dia a ser marcado: 13 de julho de 2009. hoje a são paulo escola de teatro saiu do virtual e deu seus primeiros concretos passos no mundo real. evoé!!!
Escrito por alberto guzik às 22h38
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"se eu querer não querer mais..."
o garoto tem uns seis, sete anos. usa uma roupa de frio, jaqueta com capuz, tipo esquiador. calças compridas de brim. e está na frente da vitrine da loja de brinquedos. e segura na mão da mãe, uma mulher alta, cadeiras largas, cabelo ao que parece descolorido, olhos claros. o garoto chora. e aponta para um brinquedo, acho que um batmóvel que parece ser movido a controle remoto. o garoto diz: "me compra, me compra." a mãe tenta tirá-lo da frente da vitrine. ele não arreda pé. aumenta o choro. as pessoas que passam, olham. a mulher alta de cabelos sem cor se abaixa e explica alguma coisa ao menino. e fala em voz baixa. não briga, não grita. só explica. fala por certo tempo. o menino olha pra ela, ainda fungando o choro, e pergunta, desconfiado, olhando ora pra mãe ora pro batmóvel: "que que eu ganho, se eu querer não querer mais ganhar esse aí?" a mãe de cabelos descoloridos dá uma risadinha. me afasto da cena espantado. "se eu querer não querer mais", pra mim soa pura poesia. e mesmo que incorreta na gramática, a fala da criança tem uma lógica absoluta. cristalina.
Escrito por alberto guzik às 21h27
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ruy germano semeia poetas pelos satyros
o ruy germano é uma figura muito querida. diretor, ator, ex-aluno dos satyros em lisboa, esteve no brasil ano passado e acompanhou boa parte da temporada de "vestido de noiva" no centro cultural são paulo. tem uma companhia de teatro em sua cidade do outro lado do oceano e nos acompanha, assim como nós o acompanhamos, pelos blogs. quando ivam esteve em portugal, semana passada, encontrou-se com muitos amigos, entre eles o ruy. que, por meio dele, me mandou um volume de poemas de ruy belo, que estou descobrindo completamente apaixonado. e ruy deu de presente a ivam um volume de outro poeta, al berto, assim mesmo, separado. morreu muito jovem nos anos 90. já tinha ouvido falar mas nunca tinha lido nada dele. uma pesquisa superficial na rede resultou na colheita do poema abaixo. vejam como escreve esse cara. ruy germano semeia poetas pelos satyros. obrigado.
Escrito por alberto guzik às 10h39
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mais um poeta português que não conhecia: al berto
Dizem que a paixão o conheceu
"dizem que a paixão o conheceu mas hoje vive escondido nuns óculos escuros senta-se no estremecer da noite enumera o que lhe sobejou do adolescente rosto turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado quase sempre estendido ao lado do sono pressente o suave esvoaçar da idade ergue-se para o espelho que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho à beira-mar envelheceu vagarosamente sem que nenhuma ternura nenhuma alegria nunhum ofício cantante o tenha convencido a permanecer entre os vivos"
Escrito por alberto guzik às 10h33
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michael chabon
terminei de ler "associação judaica de polícia", de michael chabon. é aparentemente um romance policial. mas na verdade é uma formidável distopia. um livro repleto de ação, mas vai muito além disso. é um sonho com um mundo sombrio, escrito por um pessimista que tem enorme senso de humor. em resumo: apaixonante. o protagonista, meyer landsman, é um dos detetives mais interessantes que a literatura policial já produziu. o livro foi superbem traduzido e lançado pela companhia das letras acho que em janeiro. chabon é ótimo. vou atrás dos outros livros dele.
Escrito por alberto guzik às 17h57
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pra essa música de paula toller e herbert vianna, eu só consigo ainda pensar na voz de marina lima
"Você me tem fácil demais Mas não parece capaz De cuidar do que possui Você sorriu e me propôs Que eu te deixasse em paz Me disse vá e eu não fui"
Escrito por alberto guzik às 17h27
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Fragmento de "Um Deus Cruel", que escrevi em 1996
Pedro -- Bernarda Alba. Luísa também volta. Faz Adela. Quero você de Bernarda. Antonieta -- Imagina, papel muito grande. Não ia dar conta. Pedro -- Foi escrito pra você. A gente ajeita os horários, cê vai ter tempo pra tudo. Antonieta -- Quer tanto assim? É tão importante? Pedro -- Antonieta, o teatro importa. É maior que nós, maior que a vida. Antonieta -- Que é isso, Pedro? Deus é que. Pedro -- Nieta, temos uma missão: ocupar este espaço (aponta palco) com honra e passá-lo pros jovens. (Sorri.) Teatro é mágico: cabem aqui todas as deformações da alma. E todas as glórias. Deus tem muita gente pra zelar por ele. Pelo teatro, somos tão poucos. Antonieta -- Tou cansada, Pedro. E tão feliz lá, fazendo minhas obras. Pedro -- Volta, Nieta. Teu lugar é o palco. Bernarda Alba.
Escrito por alberto guzik às 11h40
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