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a morte do galã que virou diretor
anselmo duarte morreu na madrugada deste sábado. estava com 89 anos. o corpo está sendo velado agora na assembléia legislativa de são paulo. uma parte do povo do cinema lastima. um dos grandes do cinema brasileiro se foi. eu lembro dele como galã de uma fantástica chanchada, "absolutamente certo", uma das melhores do gênero, talvez a melhor, já do tempo da decadência desse filão, no comecinho dos anos 60. e depois lembro dele como diretor de um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, "o pagador de promessas", que, revisto, até hoje, preserva a vitalidade, o frescor, a vibração, escorado no texto ótimo de dias gomes, nas atuações fantásticas de leo villar, gloria menezes e norma bengell. o filme ganhou a palma de ouro do festival de cannes. o único brasileiro a conseguir essa proeza. ou será que estou enganado? acho que não. foi o único até hoje. se não foi, me corrijam. o fato é que anselmo duarte, caipira de salto, acabou, por conta desse triunfo, sendo alijado do cinema brasileiro, que na época em que ele rodou "pagador de promessas", já estava enveredando pro cinema novo. anselmo contou em entrevistas que o povo desse movimento torceu o nariz pra ele, que vinha das chanchadas e da vera cruz. as chanchadas, os cinemanovistas podiam até tolerar, mas a vera cruz era pra eles o diabo em forma de película. e assim um dos maiores diretores do cinema brasileiro se tornou uma figura bissexta, sem espaço pra trabalhar, pra criar. absurdices de uma cultura regida pelo provincianismo mental de tantos. saúdo aqui anselmo duarte, homem de cinema, galã que proporcionou a nós atuações memoráveis e diretor ótimo segundo o exigentíssimo inácio araújo, que na minha opinião é o melhor crítico de cinema que atua hoje nestas bandas.
Escrito por alberto guzik às 18h19
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primeiro fim de semana, depois de muito tempo, em que não vou para o teatro, para ensaiar, atuar, trabalhar nas artes da cena. também primeiro fim de semana em que não estou numa breve pausa entre uma temporada e outra. é estranho, muito estranho. pensei ontem muito em meus companheiros do elenco de 'liz', que estavam entrando em cena enquanto eu ia a uma estréia muito badalada, com direito a coquetel depois e a muita gente que vai a coquetel. encontrei gente legal, conheci gente fina, mas me sentia um pouco um peixe fora d'água, porque lembrava que meus colegas estavam no palco, pensava em como estaria a estréia do zé alessandro, que me substituiu. estou louco pra ver 'liz', pra sentar na platéia e assistir a essa peça que fiz até a semana passada. ia hoje, mas vou só na semana que vem. hoje vou ver uma peça do sérgio roveri que ficará em cartaz apenas nesta noite, lá no teatro da cultura inglesa, na lacerda franco, em pinheiros. então vejo 'liz' na próxima sexta, ou no sábado. melhor até, pois haverá mais tempo de os atores que substituíram os saintes (isto é, aqueles que saem. acabo de inventar, por oposição a entrantes) entrarem nos papéis. vai ser uma experiência fantástica ver 'liz'. tenho a certeza de que vou aprender muito. e a peça que fui ver ontem, perguntará o leitor. bem, foi a "loba de ray-ban". uma aventura fascinante, que resulta num espetáculo não muito empolgante, mas sustentado por excelentes atuações. sobre ele falo mais outra hora. agora tenho que sair pra dar aulas. até breve.
Escrito por alberto guzik às 09h26
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Machado de Assis para começar o sábado de sol
"Pensamentos valem e vivem pela observação exata ou nova, pela reflexão aguda ou profunda; não menos querem a originalidade, a simplicidade e a graça do dizer." "Não te irrites se te pagarem mal um benefício; antes cair das nuvens que de um terceiro andar." "Está morto: podemos elogiá-lo à vontade." "A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre por mais vontade que se tenha de as infringir deslavadamente."
Escrito por alberto guzik às 09h12
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heat
nunca a palavra "caloroso" pesou tanto em meu corpo, em meu organismo, em minha psiquê. que é isso gente? e nem estamos no verão ainda!!!
Escrito por alberto guzik às 18h29
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Lembrança de Paulo Autran
Paulo Autran gravou uma participação mais que especial em um vídeo que era projetado no espetáculo "O Dia das Crianças", texto de Sérgio Roveri que foi produzido pelos Satyros em 2006 ou 2007, não estou bem certo da data. Em sua aparição, o magnífico ator declamou "Velha Anedota", delicioso soneto de Arthur Azevedo. Hoje vi umas fotos de Paulo caracterizado para o momento em que disse para a câmera esse soneto do grande dramaturgo brasileiro do século 19. Fiquei morrendo de saudade de Paulo. E em lembrança dele posto aqui o soneto, que pertenceu a minha infância e, duas décadas antes dela, à infância de Paulo, o mestre dos palcos, ator de imcomparável técnica e inigualável ética. Olhaí os versinhos do muito irônico Arthur: Velha Anedota
Tertuliano, frívolo peralta, Que foi um paspalhão desde fedelho, Tipo incapaz de ouvir um bom conselho, Tipo que, morto, não faria falta;
Lá um dia deixou de andar à malta, E, indo à casa do pai, honrado velho, A sós na sala, diante de um espelho, À própria imagem disse em voz bem alta:
- Tertuliano, és um rapaz formoso! És simpático, és rico, és talentoso! Que mais no mundo se te faz preciso? -
Penetrando na sala, o pai sisudo, Que por trás da cortina ouvira tudo, Severamente respondeu: - Juízo. -"
Escrito por alberto guzik às 15h01
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Fernando Pessoa/Álvaro de Campos
ACASO "No acaso da rua o acaso da rapariga loira. Mas não, não é aquela.
A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro. Perco-me subitamente da visão imediata, Estou outra vez na outra cidade, na outra rua, E a outra rapariga passa.
Que grande vantagem o recordar intransigentemente! Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga, E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.
Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso! Ao menos escrevem-se versos. Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar, Se calhar, ou até sem calhar, Maravilha das celebridades!
Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos... Mas isto era a respeito de uma rapariga, De uma rapariga loira, Mas qual delas? Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade, Numa outra espécie de rua; E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade Numa outra espécie de rua; Por que todas as recordações são a mesma recordação, Tudo que foi é a mesma morte, Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?
Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional. Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas? Pode ser... A rapariga loira? É a mesma afinal... Tudo é o mesmo afinal ...
Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal."
Escrito por alberto guzik às 07h38
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Coisas da vida
Ironias. A bela matrona, que usa um vestido sexy em seu corpo opulento, mãe de um casal de adolescentes, para na mesa em que estamos eu e um amigo. Nós dois a conhecemos. Ela se sente familiar conosco. Faz alguns comentários sobre o calor absurdo. Daí, não sei se por associação de ideias, fala um pouco de si mesma. E solta a seguinte obra-prima: "Pois é. Estou numa fase em que todos os homens ao meu redor estão loucos pra comer a minha filha, e o caso é que quem está louca pra dar é a mãe". Ela ri, gostosamente, de sua cáustica observação, que traz embutida a constatação do fracasso de seu casamento. E se afasta, imponente e majestosa, sempre sorridente. Eu e meu amigo, pegos de surpresa pela brutal franqueza de nossa conhecida, não temos coragem de debater a questão levantada por nossa faiscante matrona. Nos limitamos a rir, um tanto desconcertados, os dois.
Escrito por alberto guzik às 18h47
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Manoel de Barros
"Nasci para administrar o à-toa o em vão o inútil.
Pertenço de fazer imagens. Opero por semelhanças. Retiro semelhanças de pessoas com árvores de pessoas com rãs de pessoas com pedras etc etc.
Retiro semelhanças de árvores comigo. Não tenho habilidade pra clarezas. Preciso de obter sabedoria vegetal. (Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.) E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral."
Escrito por alberto guzik às 10h04
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vixi
caramba. dia de dentista. e tou atrasadasso (ou atrasadaço?). fui.
Escrito por alberto guzik às 07h21
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Peter Brook
"O ator procura em vão pelo som de uma tradição que se desvaneceu, e a crítica e o público o seguem. Nós perdemos todo sentido de ritual e cerimônia - quer ela seja conectada com o Natal, aniversários ou funerais - mas as palavras permanecem conosco, e velhos impulsos pulsam na medula vertebral. Nós sentimos que deveriamos ter rituais, que deveríamos fazer alguma coisa para reconquistá-los, e culpamos os artistas por não os acharem para nós. Assim, o artista tenta encontrar novos rituais apenas com sua imaginação como fonte: ele imita a forma exterior de cerimônias pagãs ou barrocas, infelizmente acrescentando suas próprias armadilhas - o resultado raramente é convincente. E depois de anos e anos de imitações mais fracas e aguadas, nós nos encontramos agora rejeitando a própria noção de um palco sagrado. Não é culpa do sagrado que ele tenha se tornado uma arma da classe-média para manter as crianças quietinhas."
Escrito por alberto guzik às 15h51
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A sabedoria do gênio
"Tudo é possível, mas você precisa achar seu próprio caminho. Então, se você olhar para o meu trabalho e pensar: 'Ah, aí está um exemplo. Eu vou começar pelo que ele já fez', você está condenado a fracassar. Porque o trabalho que faço hoje é o resultado de todo o trabalho que já fiz por meio de tentativa e erro, em tempos mutantes." (Peter Brook)
Escrito por alberto guzik às 14h55
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Ana Cristina Cesar
"A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriam para sempre na distância. Parece pouco? Chão de sal grosso, e ouro que se racha. A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância. Lentes escuríssimas sob os pilotis"
Escrito por alberto guzik às 08h29
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o fim da "velha", parte 2
hoje é o primeiro dia, desde novembro de 2008, que estou vivendo sem a perspectiva de ensaiar ou de fazer uma sessão do "monólogo da velha apresentadora", o magnífico texto que marcelo mirisola me deu de presente. já agradeci a ele por essa dádiva. eu o fiz por escrito e ao vivo e em cores. não poderei expressar suficientemente minha gratidão. porque ela é maior do que eu sou capaz de registrar. é daquelas coisas que só podemos sentir, e não dizer. por que isso? porque um obrigado não significa nada. não expressa a emoção, as experiências, as vivências que o papel me proporcionou. do mesmo modo, não tenho como agradecer josemir kowalick pela direção que me pôs tão à vontade, a rodolfo garcía vázquez, pela simples e vibrante iluminação que ele propôs para a montagem, a ivam cabral pela trilha sonora que se mostrou tão decisiva, tão importante que, no dia em que a mesa de som pifou eu fui incapaz de fazer o espetáculo. cada um desses artistas imprimiu sua marca ao trabalho, deixando-o mais rico, mais expressivo, mais integrado. da mesma forma, não tenho como dizer obrigado a chico ribas. o ator entrou para ser assistente de direção na montagem e terminou conquistando nela um espaço não previsto inicialmente nem por mim nem pelo dramaturgo. foi uma conquista das mais legítimas, que chico construiu à base de uma perfeita compreensão do universo da velha e do sentido de sua relação litigiosa com o ponto. opuseram-se rigidez e flexibilidade, juventude e decrepitude, e o resultado desse confronto foi hilariante. a maneira como todos esses artistas contribuíram para o meu trabalho me faz perceber até que imenso ponto o produto do ator é resultado de um coletivo, de um conjunto de ações e de interações que nos fazem chegar ao alvo depois de muita pesquisa, de muita experimentação. o ator, mesmo num aparente monólogo, nunca está sozinho em cena. ele tem a moldá-lo um conjunto de diálogos, de impressões, de sugestões, que apontam o caminho que deve seguir, que estabelecem as metas que precisa alcançar. agora vou despir a velha apresentadora de minha psiquê, de meu corpo. vou poder deixar de vivenciar todas as semanas sua arrogância, sua prepotência, seu despotismo. mas não pensem que isso se faz assim, num estalar de dedos. não pensem que é fácil o processo. o ator leva muito tempo até se dissociar de uma personagem. quando é marcante, como foi a "velha" para mim, então essa dissociação não se dá sem dor, sem saudade. a gente sente falta de uma personagem como sente falta de uma pessoa muito íntima que partiu, que não está mais conosco. mesmo quando essa pessoa é tão odiosa quanto a "velha", sentimos sua ausência. pois ela não despertou apenas raiva em nós. ela provocou também um estranho tipo de afeto. o afeto que temos pelos desconjuntados, pelos errados, pelos equivocados. vou ter saudade dos preconceitos da velha febe, de suas absurdas idéias sobre o mundo, de seus preconceitos e raivas. ela é toda errada. e os errados sempre nos dão a esperança de que, quem sabe, poderemos endireitá-los. adeus, febe camacho, ou pelo menos até logo. até algum momento em que, se isso for possível, voltaremos a nos encontrar.
Escrito por alberto guzik às 17h48
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Bertolt Brecht
Tempos Sombrios
"Realmente, vivemos tempos sombrios! A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas denota insensibilidade. Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar. Que tempos são estes, em que é quase um delito falar de coisas inocentes, pois implica em silenciar sobre tantos horrores."
Escrito por alberto guzik às 15h46
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Bertolt Brecht, "A Exceção e a Regra"
"Estranhem o que não for estranho. Tomem por inexplicável o habitual. Sintam-se perplexos ante o cotidiano. Tratem de achar um remédio para o abuso, Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra."
Escrito por alberto guzik às 10h16
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FIM
TERMINARAM AS SATYRIANAS MAIS MAGNÍFICAS DE TODAS. DEIXEI A PRAÇA AGORA, SEM PERNAS, EXAUSTO DEMAIS. E A FESTA AINDA ROLAVA. ZÉ CELSO ESTAVA LÁ COM O ELENCO DE 'CACILDA' CELEBRANDO. HOJE VI A PEÇA DO EDUARDO STERZI, NO DRAMAMIX, ME PERDI MAIS UM POUCO NO VISUMIX, FIZ UMA SESSÃO ABSOLUTAMENTE INESQUECÍVEL DO 'MONÓLOGO DA VELHA', A ÚLTIMA, VI O SHOW DA PHEDRA D. CORDOBA, 'ESTRANHO, STRANGER'. E AGORA ESTOU EM CASA PRA DESCANSAR UM POUCO. DAQUI A POUCO, ÀS 09H, TENHO QUE ESTAR NO BRAS PARA UMA SEMANA DECISIVA DE TRABALHO NA ESCOLA. VOU DEITAR CANSADO, EMOCIONADO, FELIZ DEMAIS. VIVAM OS SATYROS, VIVAM AS SATYRIANAS. EVOÉ!
Escrito por alberto guzik às 00h11
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que meda!
o bispo hernandes e a bispa sônia estão marchando agora "por jesus" nas ruas da cidade. faz anos poucos que o bispo e a bispa gostavam de marchar por jesus bem no sábado de corpus christi, um dia antes da parada do orgulho gay. e desfilavam aqui na paulista, levando de um a dois milhões de pessoas para a marcha. os dois foram presos nos estados unidos, depois de tentar entrar naquele país com dinheiro não declarado, escondido em meio à bagagem e até dentro da fralda do neto. foram presos, julgados, cumpriram pena. e todos os fiéis do casal seguiram achando que eles tinham sido injustiçados, que aquilo tudo era perseguição! eu, hein! hoje eles estão bem menos "poderosos". o uol reporta que eles levaram 250 mil pessoas pra rua este ano. com certeza as multidões que marchavam atrás do casal de bispos diminuiu. mas eles continuam a ter uma força que me assusta. um quarto de milhão de pessoas é muita gente. e eles são fomentadores de preconceitos e de ódio ao diferente. eu morro de medo. aliás, há previsões de que em cerca de 10 anos este país poderá ter um presidente evangélico e uma maioria de cadeiras na câmara e no senado comungando com o credo do primeiro-mandatário. será um pesadelo, um modelo autoritário certamente pior que o autoritarismo dos militares, que nos sufocaram de 64 a 85. não tenho nada contra nenhuma religião. cada um que acredite no que quiser. mas que não transforme essa crença em política! isso seria intolerável. morro de medo de dogmas, de fés rigidas, de visões estreitas de mundo. p.s. leio no jornal hoje, terça-feira, que o casal de bispos conseguiu reunir um milhão de pessoas na 'marcha'. se estava assustado com 250 mil, agora, com um milhão, estou quatro vezes mais assustado. e não me enganei. os marchantes que seguiram o casal de bispos, inclusive o muito honrado político aque atua lá em brasília em favor da igreja, bradaram aos céus que os dois, que foram processados e condenados nos eua por contrabando de bufunfa são na verdade mártires, pessoas probas, ilibadas e injustamente condenadas. onde é que vamos parar? não, não me respondam. me apavora o que posso ouvir como resposta a essa questão.
Escrito por alberto guzik às 12h48
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Clarice Lispector
"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.”
Escrito por alberto guzik às 10h15
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despedida
estão terminando as satyrianas. hoje é o último dia. quem viveu, viveu, quem não viveu, vivesse. vi tanta coisa emocionante, tantas cenas lindas, tantos atores e artistas e criadores juntos! e o esforço da equipe para manter esse evento gigantesco em pé é incrível. com pouca grana e muitos voluntários, a festa está acontecendo de uma forma arrepiante. fico feliz. vejo a maioridade de um evento que acompanho há anos, e que não para de se desenvolver, de melhorar, de crescer. muito lindo, isso. me emociona.
Escrito por alberto guzik às 09h33
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Caio Fernando Abreu
"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo 'clima', certa 'preparação'. Certa 'grandeza'. Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma, dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."
Escrito por alberto guzik às 09h30
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o fim da 'velha', parte 1
e então vamos terminar a carreira da 'velha' amanhã, no dia 02/11, em pleno finados. hoje foi extasiante fazer o espetáculo. platéia apinhada de gente, povo sentado no chão. ainda bem que o espetáculo é curto. bate nos 50 minutos. um tempo excelente. ótimo ritmo e jogo firme. faz um ano que eu convivo com a velha febe camacho. desde que li o texto, ainda sem chico ribas, nas satyrianas de 2008. comecei a ensaiar pra valer em dezembro. estreamos no dia 11/02 deste ano. e estamos em cartaz desde então. mirisola foi hoje ver o espetáculo. ator sempre fica meio nervoso quando o dramaturgo está na platéia. mas mirisola reage ao texto com a alegria de um artista consumado, que vê sua obra vivendo plenamente. e ela está vivendo plenamente. estou certo disso. nunca na vida me entreguei de tal forma a um papel. agradeço de coração a chico ribas, meu parceiro de todas as horas neste trabalho. e agradeço aos satyros e a todos os que me ajudaram a manter este trabalho vivo até agora. é prazeroso demais fazer o que se ama. a platéia hoje ria a bandeiras despregadas, se entregava em nossas mãos de uma forma tão plena, tão intensa, que me encheu de alegria. terminamos 'a velha' com a certeza de que fizemos o melhor que podíamos. e foi muito o que podíamos. estou satisfeito demais. amanhã conto como será a última sessão do "monólogo". um sonho tornado realidade este trabalho. um papel feito apenas com o desejo de acertar, de realizar um espetáculo digno, crítico, intenso, engraçado. a reação da platéia hiper-lotada nos faz perceber que conseguimos.
Escrito por alberto guzik às 20h44
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gilda nomacce em cena de 'se pudesse', em foto de luciana camargo
Escrito por alberto guzik às 17h35
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nos agradecimentos de "se pudesse, eu te matava!" foto de luciana camargo
Escrito por alberto guzik às 17h33
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longa noite
cheguei muito tarde em casa. a praça estava fervendo às três e pedrada da manhã. curti performances do visumix, passeei pelo restaurante novo, o rose velt, que é lindo e aconchegante, dei uma entradinha na hq mix, onde está sendo produzida uma história em quadrinhos que tem por base o livro que escrevi sobre a história dos satyros, 'um palco visceral'. vi peças no dramamix, fiz 'liz', e vi a estréia do texto que escrevi, 'se pudesse eu te matava'. foi uma longa e turbulenta noite. estou ainda cheio de impressões para decifrar. é estranho. sair de 'liz' foi doloroso. ver 'se pudesse eu te matava' na direção do fábio penna foi bom, mas estranho. preciso pensar mais pra poder registrar melhor minhas impressões.
Escrito por alberto guzik às 10h41
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