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os dias e as horas - blog do alberto guzik


A SP Escola de Teatro vai fazer uma espécie de Wikipédia do teatro brasileiro. Quer estar lá?

ENCICLOPÉDIA VIRTUAL DO TEATRO BRASILEIRO

A SP Escola de Teatro está organizando a Enciclopédia Virtual do Teatro Brasileiro, que será hospedada em seu site. O lançamento acontece no Festival de Teatro de Curitiba. Assim, estamos desenvolvendo os primeiros verbetes. Gostaríamos de convidar você a ser um dos primeiros a integrar este projeto.

Para participar é bem simples, basta preencher o questionário.

Cada perfil contará com uma imagem. Essa foto pode ser de seu acervo pessoal ou de um profissional que aceite disponibilizá-la no site. Se a imagem não for de sua autoria, é importante que o próprio autor autorize sua publicação através  de um e-mail contendo o seguinte texto.

Para participar envie e-mail para:
enciclopedia@spescoladeteatro.org.br

Divulgue esta iniciativa aos artistas que você conhece.



Escrito por alberto guzik às 17h28
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daqui a uma semana

recebi hoje do zé simões, que neste momento divide comigo a diretoria pedagógica, a proposta de atividades para a inauguração da sp escola de teatro - centro de formação das artes do palco, que será no próximo sábado, dia 20. vai ser um dia inteiro de ações, comunhões, festejos. até um pão comunitário será feito. e haverá um espetáculo (na verdade será uma palestra que ele se encarregará, como sempre faz, de transformar em espetáculo) de zé celso martinez correa, que ocupará toda a tarde. ao ler a programação fiquei exultante. alegre, contente, feliz, tudo junto. mas ao mesmo tempo meu coração ficou pequenininho de tristeza. a vida é assim, difícil. coisas muito lindas muitas vezes causam uma lasquinha de tristeza na gente. minha tristeza não é pela escola, que será magnificamente lançada, em uma festa digna de todo o planejamento, de todos os sonhos, de todos os desejos de seus fundadores. a tristeza pela minha pessoinha, pois, por motivos de força muito maior, eu não terei condições de estar lá. eu, que integrei essa história desde o primeiro momento, não terei como ir à festa de abertura. juro que me senti como moisés, que conduziu seu povo até a terra prometida e foi, por um capricho de deus, proibido de entrar nela. tá certo de que essa minha sensação mosaica será bem temporária, pois em breve, se tudo der certo estarei lá de volta, com todo o gás de que sempre dispus. mas neste momento ficarei longe da festa toda, do início das atividades. não tenho como me alegrar com isso, pois seria inumano da minha parte não ligar para o fato de que não poderei estar lá. ao mesmo tempo, não posso estar mais contente ao ver o projeto dos sonhos tão longamente acalentado, tão batalhado e sofridamente construido, tomar forma, ganhar corpo, se tornar habitado pelos alunos. meu draminha pessoal é só meu e passageiro. a escola veio pra ficar e pra fazer história. viva! vivam os fundadores, vivam os artistas que se aliaram ao projeto depois, viva o numeroso grupo de trabalhadores que está se aliando ao processo, viva os alunos que estão chegando para compor a primeira e histórica turma. EVOÉ!



Escrito por alberto guzik às 12h19
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Magnífico pema de Emily Dickinson na bela tradução lusa de Jorge de Sena

"Não era a Morte, pois eu estava de pé

E todos os Mortos estão deitados –

Não era a Noite, pois todos os Sinos,

De Língua ao vento, tocavam ao Meio-Dia.

 

Não era a Geada, pois na minha Carne

Sentia Sirocos – rastejarem –

Nem Fogo – pois só por si os meus pés de Mármore

Podiam manter frio um Presbitério –

 

E contudo sabia a tudo isso ao mesmo tempo;

As Figuras que eu vi,

Preparadas para o Funeral,

Faziam-me lembrar a minha –

 

Como se me tivessem cortado a vida

E feito à medida de moldura,

E eu não pudesse respirar sem chave,

E foi um pouco como a Meia-Noite –

 

Quando todos os relógios – pararam –

E o Espaço olha à volta –

Ou Terríveis geadas – nas primeiras manhãs de Outono,

Revogam o Palpitante Solo –

 

Mas foi sobretudo com o Caos – frio – Sem-Fim –

Sem Ensejo nem Mastro –

Nem mesmo Novas de Terra -.

A justificar – o Desespero."



Escrito por alberto guzik às 10h22
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quanto falta?

três dias. faltam três dias.



Escrito por alberto guzik às 09h41
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Ora direis, ouvir estrelas... Vejam que imagem deslumbrante. Presente da leitora Estela, que me fez sonhar.

http://www.vimeo.com/4288371



Escrito por alberto guzik às 18h08
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Mario Quintana era profeta? Ou simplesmente um sábio?

"É graças a Deus que o Brasil tem saído de situações difíceis. Mas, graças ao diabo, é que se mete em outras."



Escrito por alberto guzik às 17h15
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em breve

em breve vou me ausentar daqui do blog por algum tempo. e em breve também explicarei os motivos do meu afastamento. não vou nem desistir deste espaço nem abandoná-lo. ele tem sido um exercício muito importante de escrita desde que o iniciei, há quase quatro anos. não vejo o blog nem como um exercío jornalístico que me obrigue a ir atrás de furos de reportagem e nem como uma área destinada a exaltar meu ego e a glorificar meus feitos. reflito sobre o que faço e sobre o que vejo, e isso me faz bem, me dá prazer. gosto de dividir com os leitores que tenho minhas paixões pelo cinema, pelo teatro, pela música, pela literatura e pela vida. disciplinei-me a ponto de alimentar todos os dias o blog com textos longos ou curtos, com citações ou poemas ou trechos de livros que admiro. tornei este espaço um cantinho do qual eu observo o mundo e reajo a ele. então, podem ter certeza de que não será por vontade própria que me afastarei daqui. são as chamadas "forças maiores" que determinarão um período de silêncio. mas fiquem certos de que voltarei assim que tiver condições para isso. e já sei que morrerei de saudade desta arena em que pratico da melhor maneira que consigo a arte de partilhar com meus leitores tudo que vivo. enfim, não estou me despedindo já. estou apenas lançando um aviso aos navegantes. preparem-se para uma fase em que os dias e as horas ficarão em suspenso, aguardando o retorno do piloto à ação.



Escrito por alberto guzik às 17h06
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Céu

A "Vagarosa" de Céu me leva pro céu. Sei que é infame o trocadalho. Mas é tão sublime e tão essencial a arte dessa moça!



Escrito por alberto guzik às 09h33
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De Alphonsus de Guimaraens

Terceira Dor

VI

"É Sião que dorme ao luar. Vozes diletas
Modulam salmos de visões contritas...
E a sombra sacrossanta dos Profetas
Melancoliza o canto dos levitas.

As torres brancas, terminando em setas,
Onde velam, nas noites infinitas,
Mil guerreiros sombrios como ascetas,
Erguem ao Céu as cúpulas benditas.

As virgens de Israel as negras comas
Aromalizam com os ungüentos brancos
Dos nigromantes de mortais aromas...

Jerusalém, em meio às Doze Portas,
Dorme: e o luar que lhe vem beijar os flancos
Evoca ruínas de cidades mortas."



Escrito por alberto guzik às 09h09
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arruda não deu sorte. uau!

o governador arruda, o tal das sacolas de dinheiro, que se diz vítima de miles de conspirações, está preso desde ontem. prenderam o tal senhor por tentativa de obstrução da justiça e suborno. alguma coisa está mudando? tomara que sim. espero com toda a força que alguma coisa esteja mudando neste país onde a impunidade opera e impera. será que a prisão de arruda é o começo de uma nova fase? e por que a população de brasília, de todo o brasil, está tão inerte, tão silenciosa, tão alheia? gente, esse povo que vive no brasil hoje é o mesmo povo que HÁ MENOS DE 20 ANOS protestou tanto que levou ao impeachment do zoiudo e esquizóide fcm? cadê os caras-pintadas? cadê as passeatas? juro que não entendo esse silêncio sepulcral. mas o cara tá preso. e isso nunca havia acontecido antes no brasil. pode ser que seja solto hoje. mas foi preso. ou seja, há forças lutando contra os darth vaders da política tupiniquim. e isso me deixa tremendamente feliz. basta de impunidade, basta de corrupção. vamos correr com eles dos tronos que ocupam no poder. assim o brasil terá uma chance de se olhar com outros olhos, de se orgulhar de si mesmo, como se orgulhou quando as diretas já, ainda que indiretamente, levaram ao fim do regime militar, e como se orgulhou quando fcm foi catapultado pra longe do palácio do planalto, com aquele zoião arregalado e cara de vítima de seriado de tevê americano. xô, arruda. xô, arrudetes. xô, congêneres de arruda em todo o brasil.



Escrito por alberto guzik às 08h44
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quanto falta?

quatro dias. faltam quatro dias!



Escrito por alberto guzik às 08h34
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quanto falta?

cinco dias. faltam cinco dias!



Escrito por alberto guzik às 16h38
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como estou?

estou contente, estou contente, estou contente.



Escrito por alberto guzik às 16h37
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pensamentinho

"as coisas nunca são como deveriam ser? ou as coisas sempre são como não deveriam ser?"



Escrito por alberto guzik às 13h46
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Descubro um poeta de grande porte: Alexandre Brito. (Graças ao próprio Brito e a Kiko Rieser)

UMA VELA À NOSSA SENHORA DA BOA MORTE

a liberdade bastarda se infiltra onde
o céu encontra a terra
denuncia intensa atividade literária

essa idéia no papel derramada assim feito gelatina
nem parece uma idéia parece mais um
estorvo feito de cimento e osso

o sol miúdo sem bolor entesourado e mudo
desonera de rapapés e obrigações um aglomerado de
letras na biblioteca universal dos manuscritos

toda tradição se renova pela libertinagem
a boa nova vem pelo esquecimento intencional das regras
um livro que não descenda de nenhum outro é uma indecência

de sorte que o pecado original da invenção
mais que matar o padre e ir ao cinema
é declarar-se órfã pretender-se sem pai sem par

numa semana ensolarada de 22
um bebê de proveta aproveita a tarde à beira mar
no calçadão desenhado por Niemeyer



Escrito por alberto guzik às 10h48
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Marcelo Mirosola

"Não existem lugares inusitados. Para escrever, não. Inusitados são os acontecimentos, o itinerário."

Essa é a primeira frase de "On the Road à Parmigiana", um dos melhores contos de "Memórias da Sauna Finlandesa", o novo livro de Marcelo Mirisola. A cada livro Mirisola se afirma como um narrador especial, único, que busca na sua experiência, no seu olhar, no seu cotidiano, o material que transforma em literatura. Não que lhe falte imaginação. Bem ao contrário. Poderia até fazer ficção científica, se quisesse. Mas o que lhe importa é o aqui e o agora. É a coisa vivida. Com seu novo livro de contos mostra como pode ser louca, dura, áspera, mas também irônica, hilariante, a vida que se vive. Não é um livro palatável. Mirisola nunca é palatável. Ele é provocador, cruel. Gosta de enfiar o dedo na ferida. Não tem nenhuma ternura pela condição humana, apesar de demonstrar muita ternura por alguns seres humanos que retrata. Não todos, alguns. Terminei de ler "Memórias da Sauna Finlandesa" com a sensação de nó na garganta, que o escritor gosta de provocar em seus leitores. É um livro corajoso, intenso e obrigatório. Um livro que contém, no seu miolo, um conto monologado, "Os Gorilas de Sumatra", que, à maneira do "Monólogo da Velha Apresentadora", pode perfeitamente ser transformado em um texto teatral. Mirisola namora assim o teatro. Tangencialmente. Um namoro de longe. Como quando a gente namora alguém que não conhece bem. Talvez por isso isso mesmo seu material seja tão poderoso, tão explosivo. "Memórias da Sauna Finlandesa" iluminou com sua luz suja, noturna, crua, estes dias meus de aguardo, de espera, de luta. Foi bom demais ter sua companhia. E estabeleceu o contraponto mais radical e mais perfeito à clareza solar e à tragicidade contida do "Jogo das Contas de Vidro" de Hermann Hesse. Foi bom demais ler os dois livros juntos e perceber como era impossível estabelecer um diálogo entre ambos. Ainda bem. Se Mirisola dialogasse harmonicamente com Hesse, ele não seria Marcelo Mirisola, autor que eu admiro profundamente. Leiam: "Memórias da Sauna Finlandesa". É obrigatório. Pra quem náo tem medo de enfrentar a vida de cara.



Escrito por alberto guzik às 09h49
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Sempre Pessoa

    FRESTA

"Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado,

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração."



Escrito por alberto guzik às 18h09
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tipos urbanos

na padaria. na fila para o pão. duas senhoras. uma de vestido estampado cinza e preto, colarzinho de pérolas. outra de vestido marrom, sóbrio, sem nenhuma ostentação. estão bem penteadas e não usam maquiagem. parecem muito distintas. conversam enquanto esperam a vez de ser servidas. a de estampado diz: "aquela vaca devia era levar uma boa chulapada na orelha, só pra ver o que é bom". a de marrom acrescenta: "uma chulapada só não. duas. uma em cada orelha. pra aprender a não se meter com quem não deve". fico me perguntando o que fez para elas a vaca que merece chulapadas nas duas orelhas.



Escrito por alberto guzik às 11h52
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já gostei mesmo sem ouvir

olhem a mensagem que o leitor alexandre brito mandou. o projeto parece dos mais fascinantes. e amei o nome "os poETs". não é o máximo. vou entrar lá, ouvir tudo, e daí conto mais. mas pelo teor da mensagem posso garantir que já gostei até antes de ouvir

olha só... sou um dos poETs. os poETs é uma banda que faz "Música legal com letra bacana". lançamos nosso último Cd ainda há pouco. deixo alguns links para a tua degustação: Nostradamus - o clip: http://www.youtube.com/watch?v=jhNErVc3Ga0 canções para ouvir/baixar e ringtones: http://sandrasantos.com/musica-download-gratis.htm Chronópios: Lau Siqueira: crítica http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=4320#texto site: http://www.ospoets.com.br o meu blog: alexandre-brito.blogspot.com



Escrito por alberto guzik às 09h48
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agruras do telejornalismo interestadual

estava eu agora cedinho vendo o "em cima da hora", o noticiário da globonews, quando sou surpreendido pela notícia de que um helicóptero da rede record, que fazia a cobertura matinal da cidade, sofreu uma pane e caiu em um gramado de treinamento do jockey club. foi um acidente grave. o piloto morreu e o cinegrafista foi levado com ferimentos graves para um hospital próximo. quem apresenta o "em cima da hora" nesse horário hipermatinal é o jornalista lair rennó, que é articulado, inteligente, expressivo e boa-pinta. lamentei o acidente, claro. mas não pude deixar de rir com a trapalhada involuntária empreendida pelo âncora do programa. lair rennó queria explicar que o jockey fica numa área muito movimentada e habitada de são paulo, e desejava expressar sua admiração pelo piloto da nave, que conseguiu controlar o aparelho e impedir que ele caísse sobre casas, sobre carros em alguma avenida, algo assim. então começou a explicar que o jockey fica ao lado do campo de marte, é vizinho da cidade universitária (não é vizinho, fica até longinho de lá), que por ali passam as marginais pinheiros (o que é correto) e tietê (o que não é correto). enfim, ele misturou toda a geografia de são paulo, superpôs as zonas norte, leste e oeste, fez uma salada total. e a notícia da tragédia acabou ganhando cores de humor negro, devido à falta de conhecimento do jornalista da geografia paulistana. mas vamos combinar que a culpa não foi dele. o que lhe faltou foi uma produção competente, capaz de explicar em segundos para o âncora, naquele momento de sufoco, onde exatamente havia acontecido o acidente e quais as áreas próximas ao jockey. acho que hoje lair rennó viveu plenamente as agruras do telejornalismo interestadual feito longe de informações precisas. e a tragédia do helicóptero da record ganhou na globonews umas tinturas muito involuntariamente cômicas.



Escrito por alberto guzik às 09h44
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uau!

a última temporada de "lost" começou a ser exibida ontem pelo canal axn em grande estilo. um programa de uma hora fez uma espécie de síntese das cinco temporadas anteriores, fazendo um competente compacto (competente na medida do possível, quando se trata de um seriado com tal número de personagens e de tramas e de enigmas) de tudo o que havia acontecido até agora. e daí foram exibidos não um episódio, mas dois. os dois primeiros capítulos do final da história. chegamos finalmente perto de alguns mistérios, nos afastamos mais de outros. como locke pode ter sido assassinado por ben e estar ao mesmo tempo vivo, mais forte que nunca, plenamente líder de um processo que ainda não se consegue decifrar? como o vôo 815 pode ter finalmente aterrissado em LA e ao mesmo tempo os personagens estarem de novo na ilha? enfim, "lost" recomeçou com gás total. e a sexta temporada promete. estou mais curioso que nunca. acho que "lost" é um dos melhores seriados que jamais foram produzidos para a tevê. tem de tudo, e na medida certa. tou louco pra saber como vai continuar e terminar essa história.



Escrito por alberto guzik às 09h27
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expectativa

daqui a pouco, o começo do fim. no canal axn vai começar o primeiro episódio da última temporada de "lost", o seriado mais fascinante e enigmático que roliú já produziu. vou lá ver. tchau.



Escrito por alberto guzik às 19h36
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"Felicidade", de Lupicínio Rodrigues

meu deus, que saudades sinto de "divinas palavras". na montagem que os satyros apresentaram em 2007, ângela barros e ivam cabral, ou melhor, joana rainha e seu filho hidrocéfalo laureano, cantavam da maneira mais canhestra e tocante e doce essa canção antológica desse magnífico compositor gaúcho. a cena era linda, logo no comecinho do espetáculo e eu adorava ficar espiando e ouvindo o jeito como ângela e ivam impregnavam de magia aquele momento tão simples. teatro é uma arte demais de boa. 

"Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

A minha casa fica lá de trás do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
mas como é que a gente voa quando começa a pensar

Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora

Na minha casa tem um cavalo tordilho
que é irmão do que é filho daquele que o Juca tem
E quando pego meu cavalo e encilho
Sou pior que limpa trilho e corro na frente do trem."



Escrito por alberto guzik às 18h46
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Sabedoria popular

"Casar pela primeira vez é inexperiência. Casar pela segunda vez é burrice."



Escrito por alberto guzik às 08h58
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Reflexão do educador brasileiro Humberto Rohden, presente da leitora deste blog, Mabel Amorim

"Não descreias, nem desesperes, meu amigo! Crê e espera na vitalidade das ideias - e na vitória dos ideais! Um dia brotarão os germes que semeaste, ao menos em parte... Se no mundo físico não se perde um só átomo de matéria e força, como se perderiam, no mundo espiritual, tantas e tão poderosas energias?"



Escrito por alberto guzik às 08h34
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Da maravilhosa Florbela Espanca

Mistério


"Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.


Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.


Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…


Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!"



Escrito por alberto guzik às 07h56
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presentes incríveis

uma amiga querida veio visitar e trouxe dois presentes incríveis. dvds. um deles, a "antologia em super 8" de derek jarman. o outro, "falstaff", ou "campanas a medianoche", de orson welles. ainda não vi o filme de welles, realizado ao redor da figura extraordinária de sir john falstaff, personagem criada por william shakespeare que figura nas obras "henrique 4.º", "henrique 5.º" e "as alegres comadres de windsor". vou ver a obra hoje à noite. há anos persigo essa produção que welles rodou na espanha, em 1965. e agora ela está aqui, aprisionada em uma caixinha, ao meu dispor. mas vi agora à tarde a antologia de jarman, formada por oito obras de média ou curtíssima metragem, realizadas entre o início da década de 1970 e o início da década de 90, quando jarman, vigoroso ativista gay, morreu (em 1994, aos 52 anos, vítima de infecções decorrentes da aids). são duas horas e meia de filmes loucamente experimentais, provocadores, criativos, desfocados, pouco narrados, fascinantes. jarman foi um dos diretores mais inteligentes e instigantes do cinema no século 20. criador de filmes extraordinários, entre eles "eduardo 2.º" e "a tempestade", jarman interrogava a razão de ser da narrativa, do cinema, da estrutura fílmica, das convenções, em cada realização sua. e ao ver os primeiros filmes do artista em super 8 percebemos as raízes dessa atitude. uma coletânea obrigatória para todos os que gostam de cinema de investigação, de busca, de invenção. a obra mais eletrizante da coleção é "glitterbug", uma espécie de documentário finalizado em 1994, no qual colaboradores de jarman arremataram fragmentos de cenas domésticas, de making of de filmes como "sebastian", de imagens capturadas ao acaso em ruas e interiores, dos estúdios nos quais jarman trabalhou. "gliterbug" foi exibido pela tevê inglesa quando jarman já estava agonizante, num hospital londrino. é um exercício detonador de criação, documento que mostra a extraordinária personalidade desse artista incrivelmente relevante, que ajudou a ampliar e explodir as fronteiras daquilo que conhecemos por cinema. sua obra vem servindo de inspiração ao que de mais inquieto, crucial e revolucionário tem sido produzido no território audiovisual nas últimas decadas. recomendo intensamente essa "antologia em super 8". mas jarman é contra-indicado para quem acha que cinema bom é filminho pra sessão da tarde, pra fazer boi dormir. éissaí.



Escrito por alberto guzik às 18h58
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"A Queda", de Albert Camus, em tradução de Valerie Rumjanek

"E então? Então, a única utilidade de Deus seria garantir a inocência, mas eu vejo a religião antes de tudo como uma grande empresa de lavanderia, o que, aliás, ela foi, mas por um breve tempo, precisamente durante três anos, e não se chamava religião. Desde então, falta sabão, andamos com o nariz sujo e nos assoamos mutuamente. Todos culpados, todos castigados, escarremo-nos, e pronto! Já para o desconforto! Basta ver quem escarra primeiro, eis tudo. Vou contar-lhe um grande segredo, meu caro. Não espere pelo Juízo Final. Ele se realiza todos os dias."



Escrito por alberto guzik às 18h16
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Amo Adoniran Barbosa

TREM DAS ONZE

"Não posso ficar,
Nem mais um minuto com você,
Sinto muito amor,
Mas não pode ser.
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem,
Que sai agora às onze horas,
Só amanhã de manhã.

E além disso mulher,
Tem outra coisa,
Minha mãe não dorme
Enquanto eu não chegar.
Sou filho único,
Tenho minha casa pra olhar."



Escrito por alberto guzik às 10h37
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De Hermann Hesse, para começar bem a semana

Ramo em flor

"Para cá e para lá
sempre se inclina ao vento o ramo em flor,
para cima e para baixo
sempre meu coração vai feito uma criança
entre claros e nebulosos dias,
entre ambições e renúncias.
Até que as flores se espalham
e o ramo se enche de frutos,
até que o coração farto de infância
alcança a paz
e confessa: de muito agrado e não perdida
foi a inquieta jogada da vida."

Do livro "Mùsica da Solidão", de 1915. Pincei o poema do ótimo blog Palavra e Meodia, de Ailton Rocha. Estou tão apaixonado pela leitura de "O Jogo das Contas de Vidro", que devo concluir nos próximos dias, que não consigo me afastar por muito tempo do universo literário desse escritor único, extraordinário, que é Hesse.



Escrito por alberto guzik às 10h23
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grrrrr

e eis que se chega ao ano do tigre no calendário chinês. vai ser um ano fera!



Escrito por alberto guzik às 20h23
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a raiva por não saber grego

sempre tive muita raiva por não haver estudado grego. latim estudei. no meu tempo, lá bem atrás era matéria obrigatória no que hoje chamam de ensino médio. não sou um latinista, longe disso, mas lembro bem da estrutura e do processo da língua, e com a ajuda de um dicionário (ainda tenho um velhíssimo dicionário de latim) consigo mais ou menos me virar e entender alguma coisa. já grego, que nunca estudei, se tornou pra mim uma frustração quando comecei a trabalhar a sério com teatro. na escola de arte dramática não senti falta desse conhecimento. afinal, a gente lia as tragédias gregas ou nas traduções brasileiras (poucas) que havia, ou nas traduções em espanhol, em francês, em inglês, nos idiomas que cada um, bem ou mal, dominava. mas quando comecei a dar aulas, a convite primeiro de clóvis garcia, na ead, e depois de jacó guinsburg, na eca, e quando mergulhei em obras fundamentais para o entendimento do universo trágico dos helenos, como "a tragédia grega", de albin lesky, livro que até hoje é absoluta referência no assunto, percebi que sem entender grego é muito difícil perceber os ritmos, a musicalidade, a dimensão poética e rítmica das tragédias e comédias que compõem o primeiro grande legado dramatúrgico do mundo. tentei até, naquela época, me assenhorear do idioma, mas já não tinha mais a disponibilidade mental que me permitiria o domínio desse idioma, que para mim é até hoje tão indecifrável quanto o japonês e o chinês. nem alemão, que nunca estudei, é tão indecifrável quanto o grego. ao contrário. percebo mais ou menos a estrutura do alemão, com suas declinações, que remetem às latinas, e conheço um pequeno número de vocábulos, graças ao meu empenho nos estudos brechtianos. mas grego ficou para sempre um território inalançável, infelizmente. pois bem, conto tudo isso por conta não de alguma grande empreitada literária frustrada, mas das agruras da vida tecnológica moderna. a raiva por não saber grego voltou inteira ontem, depois que troquei meu velho celular por uma dessas engenhocas de última geração, com filmadora, câmera, mp3 e o escambau. anda não consegui sacar nem 5% do que a maquineta faz. até agora só sei mandar torpedos e fazer chamadas. ah, também sei receber ambos. então na noite de ontem estava explorando os recursos do aparelhinho, abrindo isso, fehando aquilo. foi quando deparei com um ítem, "idiomas". fiquei curioso por saber quais as línguas que o celular me oferecia. como o negócio funciona na base do touch screen, ou seja, do toque na tela, é de uma sensibilidade absurda. qualquer errinho, e a gente faz abrir ou fechar algo que não sabemos nem como utilizar. bem, estava lá eu tentando ver quais os idiomas incorporados ao menu, e de repente, sem mais aquela, por um erro de manuseio da droga do touch screen, substituí o português velho de guerra por nada mais nada menos que grego. tudo ficou em grego. instruções, menus, dados, dicas, etc. e quem diz que eu conseguia achar de volta o caminho para o português? o ícone para as configurações do telefone, onde constava o cardápio dos idiomas, eu sabia qual era. mas quando abria aquilo, quem diz que eu conseguia decifrar o que quer que fosse? reconhecia algumas letras, alfa, ypsilon, gama, delta, beta, ômega, teta. mas e daí? não era capaz de juntar lé com le nem cré com cré. me senti um perfeito bocó. bem, liguei para o sac da empresa que fabrica os aparelhinhos, mas, claro, so funcionam em horário comercial de segunda a sexta, e não estávamos nem no primeiro nem no segundo casos. bem, felizmente a loja em que troquei o aparelho fica no shopping higienópolis. e descobri que aos domingos ela abre à tarde. vai daí que me dirgi pra lá na hora do almoço, encarei uma comidinha bacana e não cara na praça de alimentação, e daí esperei a loja abrir, o que não demorou. daí o gabriel, um garoto de cabelo preto espetado e cara de ser muito descolado em tecnologias, resolveu meu problema. não, ele não conhece grego, também, e me parece que não lamenta nem um pouco o fato. a única coisa que fez, quando viu a tela do meu celula, foi exclamar: "bem legal esse jeitão do grego, né? bonito." daí ele foi atrás de um outro aparelho igual ao meu, e por analogia, sacando a disposição das listas nos serviços oferecidos pelo celula, chegou ao item idiomas, e daí substituiu aquele incompreensível grego pelo meu velho e conhecido português. a essa altura eu já estava achando a situação muito engraçada. ri até da minha ignorância. acabou que ele ainda incluiu mais um recurso que meu celula não havia habilitado. a partir de agora, se conseguir sacar como, posso acessar também a internet do bichinho. saí da loja de bom humor. mas isso não abateu em nada a raiva que senti por não saber um iota de grego. afinal, sou muito mais ignorante do que gostaria de admitir. e nem grego eu domino. aff!



Escrito por alberto guzik às 20h04
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o melhor?

fui trocar meu celular. o que estava comigo faz tempo tinha começado a dar sinais de exaustão. essas coisas são mesmo feitas pra não durar. bem, troquei o aparelho lá no shopping higienópolis. e aproveitei pra provar o tal do "melhor bolo de chocolate do mundo". querem saber o que achei? não é o melhor bolo de chocolate do mundo. não é um mau bolo, longe disso. mas não é também o melhor. penso que o nome é tão pretensioso que faz a gente esperar uma coisa, e, quando vai ver, é outra. nomes são um perigo. não acredito nesse tipo de autolouvação. sempre se vira contra o autolouvador, mais cedo ou mais tarde.



Escrito por alberto guzik às 15h40
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Pessoa sempre

"Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme."

 

Fernando Pessoa, 2-8-1933.


Escrito por alberto guzik às 09h22
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aff

acordei triste triste hoje. sonhos, talvez, dos quais não lembro? apreensões que não consigo formular? não sei. vou sair pra passear. sempre ajuda.



Escrito por alberto guzik às 09h16
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