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os dias e as horas - blog do alberto guzik


De Augusto Massi

SIESTA

"O sangue fluindo, / texto longínquo, / ritmos na sombra. // Sol latejando no escuro, / vulva do pensamento: / mar, mulheres, mormaço. / No edifício do verão / repousa o doce móbile / da mente: é só soprar."



Escrito por alberto guzik às 11h12
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Cléo e Helena, com quem eu tenho o prazer de contracenar no "Vestido", estão no elenco do filme novo do Mojica, que estréia amanhã




Cléo De Páris e Helena Ignez em cenas de "A Encarnação do Demônio", por André Sigwalt



Escrito por alberto guzik às 11h07
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pode biquini, mas não na grama

caramba, e a mulher que tava tomando banho de sol de biquini no parque em belo horizonte? ela já fazia isso faz tempo, mas nas alamedas do parque. hoje foi tomar sol sobre a grama. só que é proibido pisar na grama lá em bh. os guardas pediram pra ela sair e a biquinuda começou a xingar e ofender. foi presa. cara, o zé simão tem razão. este é o país da piada pronta.

Escrito por alberto guzik às 19h03
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Tipos urbanos

No banheiro do cinema. Estou lavando as mãos. Um cara muito pálido, entre seus 25 e 30 anos, sai de uma das casinhas e vem para a pia. Passa uma água nas mãos. Enxuga. Me chama a atenção pelo figurino. A calça jeans que oscila do azul mais escuro ao mais desbotado, com rasgões estratégicos (?) nos joelhos, é bem justa, grudada no corpo. Uma camiseta sem mangas verde-berrante (põe berrante nisso) exibe uns desenhos que eu não distingo. Ele carrega num dos braços uma jaqueta de náilon com um debrum de pele bem espesso, que destoa do resto do modelito tropical. Tem os cabelos pretos espetados e tingidos de vermelho nas pontas. O tempo que eu lavo as mãos ele fica retocando os cabelos. Puxa um fio pra cima, outro pro lado. Se afasta, observa o resultado no espelho. Volta. Arruma de novo. Não faz a menor diferença o acerto que ele executa. Mas mesmo assim o tempinho que eu fico no banheiro lavando as mãos ele permanece lá, se aproximando do espelho, acertando fios de cabelo, se afastando do espelho, olhando o que fez. Saio e vou tomar um café. Quando estou atravessando o hall do cinema, encontro o tipo do casaco debruado de pele (espero que seja sintética) caminhando para fora do cinema. Em frente de cada vidro que o rapaz passa, ele dá uma paradinha pra examinar sua imagem e arrumar mais uns fios de cabelo. Aff!



Escrito por alberto guzik às 17h16
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raios

não consigo me livrar dessa maldita gripe!

Escrito por alberto guzik às 16h54
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O magistral Baricco

Estou apaixonado pela prosa de Alessandro Baricco. Há dois meses, por indicação do meu livreiro (meu, que mania que a gente tem de falar assim, né?, meu médico, meu dentista, meu padeiro, meu livreiro, como se eles fossem nossos...), comprei "Seda". Foi paixão à primeira vista. Narrativa sucinta, precisa, uma novela, mais que um romance, mas com toda a dimensão de sentidos e profundidades que o romance permite. Uma história sensacional, de um rapaz que no século 19 é mandado para o Japão para comprar bichos-da-seda para tecelagens francesas. Li arrebatado. Agora comprei "Sem Sangue". Também breve, seco, condensado. Uma história de guerras, de vingança. Descrita com uma precisão que a gente pode chamar sem medo de "cirúrgica". Literatura da melhor qualidade. Pensei que pela potência e ousadia da escrita Baricco, que esteve na FLIP deste ano, era um jovem autor. Não tão jovem. Nasceu em 1958. Ou seja, está chegando ao meio da vida. Mas sua escrita é tremendamente jovem. Vigorosa, vibrante, certeira. Corram atrás. "Seda" é o livro de que mais gostei este ano. E parei de ler o livro erudito e longo de Umberto Eco pra devorar "Sem Sangue". Corram atrás. Não vão se arrepender, garanto.



Escrito por alberto guzik às 16h51
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da grande emily dickinson

"perdemos, porque ganhamos - / sabendo disso, os jogadores / lançam seus dados de novo! // a vitória é o bem mais querido / por aqueles que jamais vencem. / para se compreender um néctar, / requer-se necessidade intensa. // ninguém da purpúrea hoste, / que hoje empunhou o estandarte, / oferece da vitória / definição mais cabal / do que o derrotado agonizante, / em cujo ouvido interditado / o distante clangor do triunfo / explode torturante e claro!" (tradução de ivo bender)

Escrito por alberto guzik às 13h26
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Vejam o projeto que começa amanhã. Ninguém ligado em teatro e dramaturgia pode perder

saiu na "folha" esta matéria sobre o projeto organizado pelas dinâmicas escritoras do grupo dramáticas em cena, no qual estão quatro valentes dramaturgas, entre elas marici salomão e bia gonçalves, que integram também o projeto da escola da praça. eu não poderei estar lá porque ainda não tenho o dom de me duplicar e no horário estarei no centro cultural me preparando pra mais uma sessão de "vestido de noiva". mas se pudesse iria pros satyros 1 amanhã, pra acompanhar o ciclo rente feito pão quente.

Ciclo analisa papel da palavra no teatro atual

Reinaldo Montero abre série de debates que vai reunir diretores e autores até setembro "A palavra é apenas um dos recursos cênicos", diz escritor cubano; diretores Antonio Araújo e Rubens Rusche também participam

AUDREY FURLANETO
DA REPORTAGEM LOCAL

Quando recebeu a companhia Os Satyros em Cuba, há pouco mais de um mês, Reinaldo Montero dizia não acreditar em "cena contemporânea" no teatro. Para explicar, citava o exemplo do projeto "Prêt-à-Porter", de Antunes Filho. "Não há nada de novo naquilo.
É o que há de mais antigo no teatro. Mas é o que se vê agora, perfeitamente atual", disse à Folha, em Cuba.
Agora, ele deixou sua Havana para vir a São Paulo a fim de abrir uma série de palestras sobre o texto no teatro contemporâneo. O evento, que começa amanhã com Montero, segue até o dia 3 de setembro, toda quarta-feira, às 21h, com debates no Espaço dos Satyros 1.
O autor cubano, que teve seu texto "Liz", vencedor do prêmio espanhol Fray Luis de León, montado pelos Satyros, diz que, embora seja um dramaturgo, "não se pode ser tão vaidoso". "A palavra é apenas um dos recursos cênicos, nada mais", avalia.
Em seguida, o escritor quase nega o tema de sua palestra ao dizer que "se trata de um falso problema": "Como em determinados momentos se privilegiou o gesto e o movimento, em outras vezes isso se inverteu e a palavra foi privilegiada. Agora, nós chegamos a um momento em que isso se resolveu de alguma maneira".

Língua periférica

Passado o debate sobre o "falso problema", Montero falará sobre a produção do teatro cubano, que, segundo ele, "tem provado uma saúde extraordinária" -apesar de o reconhecimento não ser tão extraordinário, como ele próprio conclui.
"Os cubanos podem escrever uma dramaturgia de muita importância, pelo menos dentro da língua castelhana, que, como o português, é uma língua periférica", afirma o autor, de livros como "As Afinidades".
"O que eu quero dizer é que, se Nelson Rodrigues tivesse escrito em francês, teria sido mais conhecido no mundo todo. Como escreve em português, para o mundo, ele pode até ser um perfeito ignorado."
Além de Montero, estão na programação do ciclo de palestras semanais o pesquisador e autor de "O Parto de Godot", Luiz Fernando Ramos (dia 13); o diretor do Teatro da Vertigem, Antonio Araújo (dia 20); a organizadora do volume "Heiner Müller - O Espanto no Teatro", Ingrid Koudela (dia 27); o diretor de teatro Rubens Rusche (dia 3 de setembro).
Com a programação gratuita, o projeto prevê ainda, para novembro, um workshop sobre técnicas de dramaturgia, no Centro Cultural São Paulo, e a criação de quatro textos com leituras dramáticas pelo Núcleo Dramáticas em Cena.

CICLO DE PALESTRAS - O TEXTO NO TEATRO CONTEMPORÂNEO
Quando: a partir de amanhã até 3 de setembro, às quartas-feiras, 21h
Onde: Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 214; tel. 0/xx/11/ 3258-6345; classificação livre)
Quanto: entrada franca



Escrito por alberto guzik às 21h51
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certas atitudes

atitudes de gente que sempre vira e mexe surge ao redor, gente que eu aplaudi e apoiei em tantos projetos, me deixam completamente pasmo. é o caso de uma figura que vive de imagens, pela qual sempre tive muito carinho. essa figura tem se comportado comigo de um modo que me deixa entre a perplexidade e a raiva. como o ser humano pode ser deselegante e opaco! haja saco pra agüentar isso...

Escrito por alberto guzik às 09h44
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swish...

sobra ainda um pouco de gripe, mas até agora resisto bravamente. tenho um dia cheio de trabalho. e gosto disso.



Escrito por alberto guzik às 09h34
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Fecho do genial texto de Gerald Thomas, ontem na "Folha", sobre a retrospectiva Duchamp no MAM

"Afinal, antigamente as pessoas tomavam ácido. Atualmente só tomam antiácido."

Escrito por alberto guzik às 11h38
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Konstantinos Kaváfis sempre

QUANDO SURGIREM

"Esforça-te, poeta, por retê-las todas, // embora sejam poucas as que se detêm. / As fantasias do teu erotismo. / Põe-nas, semi-ocultas, em meio às tuas frases. / Esforça-te poeta, por guardá-las todas, / quando surgirem no teu cérebro, de noite, / ou no fulgor do meio-dia se mostrarem."



Escrito por alberto guzik às 10h39
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e tudo recomeça, apesar da gripe

a danada da gripe ainda não foi embora de todo, mas é bom que vá de uma vez. pois hoje toda a minha rotina volta ao normal. retomo as aulas esta tarde. não quero saber de merenda nem de mclanche feliz. só quero estar bem. tive uma noite razoável de descanso, me encontro medicado e espero estar em forma pra encarar oito horas de aula. dionísio haverá ajudar. evoé!

Escrito por alberto guzik às 10h33
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Efeito da gripe

Agora não foi o livro novo que se afastou de mim. Eu é que me distanciei dele. Há três dias não consigo abrir o arquivo, ou se abro não escrevo nada. Minha cabeça está cheia de algodão. Mas o livro está vivo, pulsando, apenas aguardando a minha volta. Ele não perde por esperar. E agora tchau, que vou pro teatro.

Escrito por alberto guzik às 18h35
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Pod Minoga

Vou postar aqui nos próximos dias texto que escrevi para o livro organizado por Sílvia Fernandes, "Pod Minoga Studio: A Arte de Brincar no Palco sem Pedir Licença". O Pod Minoga, pra quem não sabe, foi um dos grupos fundamentais da contracultura dos anos 70, e, comandado pelas mãos e pela imaginação de Naum Alves de Souza, promoveu pequenas revoluções estéticas e lançou um monte de gente talentosa, como Carlos Moreno, Mira Haar, Flávio de Souza. O Pod Minoga está sendo lembrado e celebrado numa exposição muito bonita e envolvente no Sesc Pompéia, que teve curadoria de Carlos Moreno. E hoje o livro foi lançado lá. Por conta da gripe e do espetáculo que vou fazer já já, não pude ir ao lançamento. Mas vejam a mostra e comprem o livro. Descubram ou redescubram o que foi o Pod Minoga. Quanto mais penso neles mais acho que eram muito modernos num tempo muito careta. Mas a herança que deixaram está aí.



Escrito por alberto guzik às 18h34
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